Rota MT-Miritituba salta de R$ 260 para R$ 330/t no frete da soja com arredores do porto congestionados
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Embora a cena não seja incomum em começos de safra de soja no Brasil, as imagens que mostram o congestionamento de caminhões nos arredores do porto de Miritituba, no Pará, mais uma vez impressionam, preocupam e já refletem uma realidade dura para o produtor rural: os custos logísticos já estão mais caros nesta temporada. Segundo relata o head de commodities da Granel Inteligência de Mercado, Gilberto Leal, o preço do frete do Mato Grosso para o porto paraense subiu, em duas semanas, de R$ 260,00 para R$ 330,00 por tonelada.
"Atrasou a safra e concentrou a colheita, os portos plugaram. E isso já impacta em custos de movimentação mais altos, custos com estadia no porto, e isso vem tudo para o preço, porque tivemos um acréscimo de R$ 50,00 a R$ 60,00 de semana passada para cá nos fretes rodoviários e isso impacta diretamente os preços (para o produtor) no interior, porque os basis ficam mais descontados, remunerando menos o produtor", detalha Leal.
O vídeo abaixo mostra o congestionamento de caminhões nas proximidades do porto de Miritituba neste 27 de janeiro. "Essa é a luta pelo transporte da soja, safra 2026", diz um dos motoristas.
E a tendência é de que essa logística encarecida continue sendo ainda um ponto de alerta para os produtores - afina, os fretes deverão subir ainda mais, de acordo com dados da ESALQ-Log levantados pelo Notícias Agrícolas nesta segunda-feira (26), na medida em que a colheita vai ganhando ainda mais ritmo e se espalhando entre os principais estados produtores.
Com relatos de filas que já duram de três a quatro dias, como é o caso do porto de Miritituba, os custos para o originador também sobe e a reação se dá em cadeia. "Se ele tiver que rolar esse posição no FOB, vai pagar um demurrage. Se tiver que rolar essa posição no destino, os custos são mais altos. E com isso, temos uma rolagem dos prêmios, ocasionando o um 'short squeeze logístico' e, com isso, automaticamente, podemos ver um repique dos prêmios mais longos, ou pela restrição de oferta, ou pela demora do produto no porto, e por rolagem das tradings que já estão vendidas para os importadores".
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O sênior agriculture strategist da Marex, Eduardo Vanin, explica que a logística não está só mais cara em reais, como também em dólares. E não só frente aos indicativos dos últimos dias e semanas, mas também se comparada a janeiro de 2025, na ordem de R$ 50,00 por tonelada, considerando algumas rotas-chave para a soja do Mato Grosso. "Em centavos por bushel, de 40 a 45 cents/bushel mais caro. E esse é um dos motivos pelo qual o chinês está com uma posição comprada menor aqui Brasil para os meses de abril, maio e junho, com a logística mais cara do que no ano passado", diz.
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Vanin explica que o importante será agora monitorar como este "encarecimento" para o comprador vai impactar em seu comportamento demandador, em especial a China. No entanto, lembra que os chineses vivem agora um bom momento das margens de esmagamento e estão com certo atraso em relação à suas compras. Do mesmo modo, em termos de logística, o Brasil também está atrasado. "Está tudo atrasado. Nomeações crescendo e embarques ainda pequenos, bem menores do que o necessário para não apertar a logística brasileira".
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Além do atraso logístico e do encarecimento da movimentação do grão, os preços da soja pagos ao produtor, que já vêm duramente pressionados, poderão ficar ainda mais fragilizados, comprometendo ainda mais suas margens de rentabilidade, as quais já estão muito apertadas. Em algumas regiões do país, as contas já custam a fechar. Na tarde desta terça-feira (27), o dólar veio intensificando suas baixas frente ao real, bateu nas mínimas de um ano e oito meses - R$ 5,217 - e levou o preço 'teórico' da soja, pela paridade de exportação a R$ 95,00 por saca no médio-norte do Mato Grosso.
Nesta terça-feira, o preço da soja nos portos variavam de R$ 126,00 a R$ 134,00 por saca, "perdendo de R$ 3,00 a R$ 4,00 por saca em relação à semana passada em função do fator dólar", explica o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting. "Essa diferença vai apertando e o produtor vai ficando pressionando. A dica é, na medida em que o dólar vai recuando, alguns insumos que ficarem mais baratos e interessante de pensar em compras futuras, porque isso não deve perdurar", diz.
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