Safras & Mercado reduz previsão para colheita de soja do Brasil com corte no RS
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Por Roberto Samora
SÃO PAULO, 27 Fev (Reuters) - A previsão da safra de soja do Brasil em 2025/26 foi reduzida nesta sexta-feira para 177,72 milhões de toneladas, ante 179,28 milhões em estimativa anterior, de acordo com avaliação da consultoria Safras & Mercado, que citou efeitos de problemas climáticos no Rio Grande do Sul.
Ainda assim, a safra ainda será recorde, com elevação de 3,4% sobre a temporada anterior, segundo números da consultoria.
"De maneira geral, a safra brasileira segue como recorde. No entanto, houve ajustes pontuais de produtividade, especialmente no Estado do Rio Grande do Sul, em função do estresse climático", disse o analista de soja da equipe de Inteligência de Mercado de Safras & Mercado, Rafael Silveira.
Em nota, ele indicou que a produção gaúcha saiu de um potencial estimado entre 22 milhões e 23 milhões de toneladas para cerca de 20,9 milhões, podendo ainda haver novas revisões.
Além de melhores produtividades de maneira geral no país, a Safras estima aumento de 1,5% na área plantada em 2025/26, para 48,33 milhões de hectares no Brasil.
O levantamento aponta que a produtividade média nacional deverá passar de 3.625 quilos por hectare para 3.696 quilos, segundo o relatório.
No Centro-Oeste, houve ajustes para o Estado do Mato Grosso, com produção estimada em 49,27 milhões de toneladas e produtividade média de 64,33 sacas por hectare, impactada pelo excesso de chuvas.
Com as mudanças, a Safras & Mercado apresentou um número mais pessimista em relação a uma projeção indicada também nesta sexta-feira pelo Rabobank, que apontou 181 milhões de toneladas, alta de 2 milhões de toneladas na comparação com a previsão anterior.
Ao ser questionado, o banco holandês disse que outros Estados estão compensando problemas no Rio Grande do Sul, onde a colheita está apenas começando, diferentemente de áreas como o Mato Grosso, com mais de 65% da área colhida na semana passada.
"A estimativa atual de 181 milhões de toneladas, considera tanto um aumento da área plantada de 2% em relação ao ano passado, como também que outros Estados estão compensando parcialmente o desafio climático enfrentado pelo Rio Grande do Sul", afirmou a analista do Rabobank Marcela Marini.
A Emater, órgão de assistência rural vinculado ao governo do Rio Grande do Sul, disse anteriormente que estava revisando a safra gaúcha devido à restrição hídrica registrada em janeiro e na primeira quinzena de fevereiro.
EXPORTAÇÃO MENOR
Apesar de considerar que a colheita brasileira ainda crescerá na comparação com o recorde anterior, a Safras & Mercado estima uma queda de 3% na exportação do Brasil em 2026 em relação ao ano passado, para 105 milhões de toneladas, enquanto o Rabobank indicou 112 milhões de toneladas.
Antes de mudar sua expectativa, a Safras & Mercado já considerava esta possibilidade de queda na exportação, avaliando que a China deve ampliar as compras de soja dos Estados Unidos e possivelmente reduzir o volume adquirido do Brasil, "o que pode influenciar o ritmo das exportações brasileiras no segundo semestre".
"Contudo, esse movimento ainda não está confirmado e dependerá do desempenho das vendas americanas da nova safra no segundo semestre", comentou Silveira.
No ano passado, quando os EUA estavam em guerra comercial com China, o país asiático focou suas compras no Brasil. Com a trégua, os chineses frequentam mais o mercado norte-americano.
A revisão da safra, com corte da estimativa em cerca de 1,56 milhão de toneladas, gera impacto negativo nos estoques finais brasileiros, agora projetados em 14 milhões de toneladas.
"Ainda assim, trata-se de um nível elevado e confortável. Para a produção de farelo e óleo, não houve ajustes neste momento", acrescentou Silveira.
O analista comentou que ainda persistem dúvidas em relação à implementação de uma mistura de biodiesel de 16%, ante os atuais 15%, o que influencia no processamento interno.
(Por Roberto Samora)
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