Mesmo mais cara, soja dos EUA atrai China por 'política' e logística, mas Brasil garante janela firme e prêmios altos

Publicado em 20/07/2026 14:57 e atualizado em 24/07/2026 15:15

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A soja americana está cara, é mais cara do que a brasileira, mas a China segue fazendo novas compras nos Estados Unidos. Nesta segunda-feira, o USDA (Departamento de Agricultura dos EUA) informou uma nova venda da oleaginosa da safra 2026/27 de 374 mil toneladas, sendo 264 mil para a nação asiática e 110 mil para destinos não revelados. As compras são classificadas como "políticas" pelo mercado, apesar dos preços mais elevados. A China já comprou 47 navios até agora, concentrados nos embarques setembro - 15 barcos - e outubro - 27 embarcações. Do Brasil, foram adquiridos 47 navios e cinco entre Argentina, Uruguai e Canadá. 

Segundo explica Eduardo Vanin, Sênior Agriculture Strategist da Marex, a soja que será embarcada em setembro é aquela plantada na região do Delta nos EUA, que é semeada mais cedo e, consequentemente, colhida também mais cedo, com embarque pelos portos do Golfo e com uma logísitica um pouco mais barata. 

"Essa é a soja mais 'barata' que os Estados Unidos têm e ainda é bastante cara e o Brasil se dá muito bem nesta história. Isso porque trabalhamos com um desconto comparados ao ano passado, mas o nível de negócios é mais caro nos EUA, não só os prêmios tanto no interior, quanto no FOB, mas também o flat price. E assim o Brasil não precisa trabalhar com um grande desconto - embora já seja um bom desconto, de cerca de 30 cents por bushel - e vai tendo preços muito bons no final do ano, para essa janela setembro/outubro/novembro/dezembro", detalha Vanin. 

Reveja sua entrevista completa ao Bom Dia Agronegócio desta segunda-feira:

E o especialista é taxativo e direto ao dizer que não há espaço para que, em dado momento, a soja americana se torne mais barata do que a brasileira, com isso podendo, inclusive, impactar a demanda pela oleaginosa do Brasil de alguma forma. 

"E isso por dois pontos: primeiro pela logística, porque ainda nem começou a temporada (nos EUA) e os fretes das barcaças estão subindo, fretes ferroviários também porque há um grande programa de farelo e de milho, além da soja pelo PNW (portos do Pacífico) que foi ruim nos últimos dois anos, além do esmagamento crescendo e margens também, perto de US$ 110,00 por tonelada positivas. Não vejo como a soja americana ser barata, e o Brasil vai acompanhandno com o nível que for com algum desconto", afirma o analista.

Soma-se a este quadro o fato de que ainda há as tarifas sobre a soja americana e, mesmo sem elas, a oleaginosa do Brasil permaneceria mais barata. 

Vanin estim que o Brasil finalize 2026 exportando 113 milhões de toneladas de soja, com 86 milhões de toneladas para a China. O volume total poderia chegar a 114, com a China respondendo por 87 milhões, "e a soja americana vai ser só para as estatais mesmo (...) Essas compras de soja americana elas vão parte para as reservas e parte para o esmagamento - não de empresa privada, mas será processada - isso substitui um pouco o Brasil. Mas, como temos uma participação menor do da Argentina, a coisa está apertada para este final de ano". 

 

Dados reportados pela Administração Geral das Alfândegas da China nesta segunda-feira mostram que as importações de soja pelo país registraram um recuo de 21% em junho se comparadas ao mesmo mês de 2025. Todavia, contabilizando somente compras do Brasil, no mesmo intervalo, houve um aumento de 13,7%, com o volume saltando de 10,62 para 12,08 milhões de toneladas. No acumulado de janeiro a junho, a chegada de soja brasileira nos portos asiáticos cresceu 9,¨%, para 34,75 milhões de toneladas.  

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Por:
Carla Mendes | Instagram @jornalistacarlamendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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1 comentário

  • xuan tu SHANGHAI

    Olá, gostaria de levantar uma dúvida sobre os dados: os 427 navios de soja dos EUA citados no texto não seriam um erro, devendo ser 42 navios? Ao somar os volumes de embarque dos meses seguintes (apenas 15 navios em setembro e 27 em outubro), o total não chega perto de 427 navios. Além disso, até o momento, a China comprou apenas pouco mais de 2 milhões de toneladas de soja norte-americana. Sou leitor da JCI da China.

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    • CARLO MELONI sao paulo - SP

      Eu acho fantástico ter alguém de Shanghai participar desse grupo de produtores rurais

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