China acelera compras nos EUA para o ritmo mais rápido em 4 anos e sustenta altas da soja em Chicago

USDA confirma nova venda de 192 mil t nesta 5ª (3); dados mostram que o apetite chinês para a nova safra disparou, dando fôlego aos preços globais e favorecendo o sojicultor brasileiro
Publicado em 03/09/2026 15:10

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O apetite da China pela soja norte-americana continua se apresentando como um dos principais direcionadores do mercado internacional nesta reta final antes da colheita nos Estados Unidos. Nesta quinta-feira (3), o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) anunciou mais uma venda de 192 mil toneladas de soja para a nação asiática, ajudando os futuros da oleaginosa a recuperarem o fôlego na Bolsa de Chicago.

Este já é o terceiro anúncio diário de vendas feito pelo governo norte-americano apenas nesta semana, confirmando que o país asiático permanece agressivo na aquisição da oleaginosa dos EUA, mirando o compromisso firmado entre Pequim e Washington para a compra, até o final de 2026, de 25 milhões de toneladas de soja.

Demanda soja - China EUA

Essa movimentação intensa não é um fato isolado desta semana. Ao ampliarmos a lente para as últimas semanas, o volume acumulado impressiona. Como destaca a consultoria internacional GrainStats, "a China vem comprando soja americana no ritmo mais rápido em quatro anos". Os dados mostram que as vendas acumuladas para a próxima temporada comercial já passam de 10 milhões de toneladas, superando expressivamente as pouco mais de 7,8 milhões de toneladas do mesmo período do ano comercial 2025/26.

Além disso, os volumes superam com folga as temporadas 22/23, 23/24 e 24/25, ficando atrás apenas do ciclo 21/22. O movimento reflete com bastante clareza os impactos que o mercado de soja dos EUA acumula desde o primeiro governo de Donald Trump, quando se iniciou uma guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo que comprometeu agressivamente suas relações comerciais, principalmente nos produtos agrícolas e, em especial, na soja.

Ainda de acordo com analistas e consultores de mercado, essas fortes compras da China refletem, em partes, a necessidade da indústria de esmagamento chinesa, que busca garantir seu abastecimento aproveitando momentos de recuo pontual nos preços para travar grandes volumes. A indústria conta ainda com capacidade ociosa e um momento de boas margens, o que a incentiva a garantir matéria-prima e uma boa participação no mercado de derivados.

"Neste momento temos combinações únicas no ano. Temos também altas na Bolsa de Dalian, tanto para farelo quanto para óleo", explica Eduardo Vanin, sênior agriculture strategist da Marex, em entrevista ao Notícias Agrícolas. "É nesta janela, quando se especula sobre a safra americana e Chicago sobe, que existe uma relação de Dalian com o movimento de Chicago. Ao subir, dá uma boa margem para o chinês e ele sabe que essa janela se fecha rápido".

Reveja sua entrevista completa:

Assim, a sequência de compras da China atuou imediatamente como um trampolim para as cotações na Bolsa de Chicago. O anúncio desta quinta-feira ajudou a reverter as perdas que o mercado registrava nas primeiras horas do dia, geradas por um movimento natural de realização de lucros e, perto das 14h40 (horário de Brasília), o vencimento novembro/26 — referência para a safra americana — já registrava US$ 13,15 por bushel.

E DAÍ, PRODUTOR?

Para o sojicultor brasileiro, o cenário não poderia ser melhor. Embora a demanda pontual esteja focada no produto dos EUA devido a esta janela sazonal, a firmeza em Chicago mantém o "piso" dos preços globais elevado.

Somando essa alta internacional aos prêmios estáveis e ao dólar favorável, o mercado nos portos brasileiros continua oferecendo valores acima de R$ 160,00 para o disponível e R$ 150,00 para a safra nova. Como apontam os analistas, a recomendação é manter a atenção redobrada e aproveitar essas janelas de comercialização que vêm se abrindo.

Vanin, porém, chama a atenção para a competitividade entre a soja do Brasil e dos Estados Unidos neste momento, em especial o produto disponível. "O Brasil muito caro já mostra que não temos soja suficiente para cobrir a nossa indústria até o fim do ano, o chinês e os clientes 'não China'. Isso faz com que os EUA se tornem uma alternativa viável não em termos de preços, porque a soja americana também vai ter que ficar mais cara, mas pelo próprio volume. O Brasil, com menos oferta, não conseguirá suprir tudo", diz.

Com isso, o USDA teria que revisar para cima sua estimativa de exportações 2026/27 de soja dos EUA. No entanto, o especialista afirma que isso pode não acontecer já neste relatório mensal de oferta e demanda que chega no dia 11 de setembro.

Para além dos anúncios diários, nesta quinta-feira o relatório semanal de vendas para exportação divulgado pelo USDA reforçou o cenário de forte demanda. Na semana encerrada em 27 de agosto, os EUA registraram a venda de 1,948 milhão de toneladas de soja da safra 2026/27, sustentada em grande parte pelas compras chinesas.

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