Soja dispara em Chicago com força do farelo e petróleo, mas recuo nos prêmios trava altas no Brasil
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Soja salta dois dígitos em Chicago puxada por aperto na oferta de farelo e disparada do petróleo
Com esmagamento abaixo do esperado nos EUA e demanda externa aquecida, subprodutos lideram os ganhos e melhoram as margens da indústria, puxando o grão.
Por Redação | 15 de setembro de 2026
O farelo disparou na Bolsa de Chicago nesta terça-feira (15), fechou com quase 3% de alta e puxou os preços da soja, que também concluiu o dia com ganhos expressivos. Os contratos mais negociados da oleaginosa terminaram o dia com altas de mais de 14 pontos nos principais contratos, levando o novembro a US$ 13,18 e o maio a US$ 13,48 por bushel.
Além da escalada do farelo, novas e fortes altas no petróleo contribuíram para o avanço do grão. Tanto brent, quanto WTI avançaram, por mais um dia, de forma expressivas nas bolsas de Londres e Nova York, refletindo o cenário bastante tenso ainda registrado no Oriente Médio, com ameaça expressiva ao fornecimento de petróleo pela Arábia Saudita, maior exportadora global.
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Ainda assim, o maior destaque da sessão foi a força do farelo, cujos fundamentos altistas ficaram ainda mais evidentes após a divulgação dos dados da NOPA (Associação Nacional das Processadoras de Oleaginosas dos EUA). Conforme explica Ronaldo Fernandes, analista de mercado e diretor da Royal Rural, o mercado vive hoje um descompasso entre uma demanda aquecida e uma oferta que não consegue acompanhar o ritmo.
"O mercado já vinha carregando uma demanda externa muito forte, com os compromissos de exportação dos EUA chegando a aproximadamente 18 MMT, cerca de 15% acima do ano passado. Ao mesmo tempo, os prêmios do farelo na América do Sul ficaram mais firmes, deixando o produto dos EUA mais competitivo no mercado internacional", detalha Fernandes.
O analista complementa dizendo ainda que "menos soja esmagada significa menos farelo sendo produzido. E isso acontece justamente quando a demanda pelo produto está forte. Demanda cresce e a produção de farelo vem abaixo do esperado. É daí que começa o aperto", diz.
Para agravar a oferta no curto prazo, as atenções também se voltam para o oeste do Corn Belt. Chuvas intensas trazem risco de atraso na colheita e, consequentemente, podem retardar a chegada da soja nova às indústrias. Caso essa matéria-prima atrase, algumas plantas continuarão operando abaixo da capacidade, estrangulando a produção de farelo por mais algum tempo.
"É essa combinação que está dando força ao farelo: demanda de exportação muito forte, América do Sul mais cara, EUA mais competitivos, esmagamento abaixo do esperado e risco de atraso na chegada da soja nova às indústrias", afirma o analista.
Essa dinâmica de preços do subproduto cria um suporte direto para o grão. Com o farelo mais caro, aumenta o valor que as indústrias conseguem extrair de cada tonelada processada, o que melhora as margens de esmagamento. Com margens positivas, o esmagador tem fôlego para pagar mais pela matéria-prima, aumentando a disputa pela soja e puxando as cotações em Chicago. "Não é simplesmente farelo subindo porque a soja sobe. Neste momento, é a força do farelo que está ajudando a puxar e sustentar a soja", reforça o analista da Royal Rural.
MERCADO BRASILEIRO
O avanço das cotações na Bolsa de Chicago deu espaço a um fôlego nos preços da soja no mercado brasileiro, porém, a maior parte deles se manteve estável nesta terça-feira, ainda como explicou Ronaldo Fernandes.
"Hoje os preços se recuperaram um pouco, mas se mantendo, porque os prêmios já abriram o dia para baixo", diz. Para o analista, as cotações tendem a ficar um pouco mais lateralizados agora, tanto para soja da safra nova, quanto para disponível.
E mais do que isso, lembra ainda que os preços futuros tendem também a acompanhar as condições de clima no Brasil e as implicações que possam ser sentidas no plantio.
Assim, o dia se conclui com as cotações, base porto, ainda acima dos R$ 160,00 por saca no disponível, e próximas dos R$ 150,00 para a soja 2026/27.
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