Soja recupera perdas em Chicago e preços resistem no Brasil; safra nova segue acima de R$ 150

Oleaginosa termina perto da estabilidade na CBOT com pressão do óleo, mas suporte do farelo nesta 3ª
Publicado em 22/09/2026 17:11

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O mercado brasileiro de soja segue encontrando sustentação mesmo diante de uma Bolsa de Chicago praticamente estável nesta terça-feira (22), testando leves perdas. Com o produtor mais voltado aos trabalhos de implantação da nova safra e reduzindo a disponibilidade para novos negócios, compradores encontram maior dificuldade para originar soja no mercado interno.

Em entrevista ao Bom Dia Agronegócio, Ronaldo Fernandes, diretor da Royal Rural, afirmou que a comercialização perdeu um pouco do ritmo justamente no momento em que o produtor passa a concentrar suas atenções no plantio. "Tem demanda, comprador interno precisa de soja, está batendo na porta, mas não está achando tanta oferta", explicou o especialista. 

Segundo Fernandes, as referências nos portos para a soja disponível seguem acima dos R$ 160,00 por saca, enquanto a soja da safra 2026/27 continua trabalhando acima dos R$ 150. O analista citou R$ 155,00 para entrega em fevereiro e pagamento em abril, e R$ 151,00 para entrega em março, também com pagamento em abril.

O mercado disponível vem trabalhando de forma lateralizada nas últimas semanas. Os preços perderam algum fôlego, mas encontram dificuldade para recuar de maneira mais consistente diante da demanda doméstica e da retração dos vendedores. Já a safra nova apresenta comportamento diferente, com referências avançando gradualmente.

Fernandes ainda citou a aproximação do período em que a China tradicionalmente direciona uma parcela maior de suas compras para os Estados Unidos também entra na formação dos preços brasileiros. O analista ressalta, porém, que esse movimento é sazonal e não representa uma saída da China do mercado brasileiro. Historicamente, os chineses concentram as compras no Brasil durante boa parte do ano, migram para a soja norte-americana com a entrada da nova safra dos EUA e voltam com maior intensidade ao produto brasileiro com a chegada da colheita sul-americana.

Na avaliação do analista, essa mudança de origem pode exercer pressão sobre os prêmios brasileiros, principalmente no disponível. A demanda interna, entretanto, ajuda a limitar o impacto sobre o preço final recebido pelo produtor.

Para a safra 2026/27, porém, outro fator começa a ganhar protagonismo. "O que vai pautar essa soja futura agora é o clima. O clima não está no preço ainda", afirma. 

Segundo o diretor da Royal, os movimentos recentes foram determinados principalmente pela geopolítica, com os conflitos envolvendo Rússia e Ucrânia interferindo nos mercados de trigo e farelo de girassol e, por substituição, trazendo reflexos também para o milho e o complexo soja. Daqui para frente, a evolução do plantio e das condições climáticas brasileiras tende a assumir peso crescente na formação das cotações da safra nova.

CHICAGO REDUZ PERDAS, MAS FECHA NO VERMELHO

Na Bolsa de Chicago, os futuros da soja terminaram esta terça-feira próximos da estabilidade depois de recuperarem boa parte das perdas registradas no início do dia. O novembro/26 encerrou a US$ 13,25 por bushel, queda de 2,50 pontos, enquanto janeiro/27 perdeu 2,75 pontos, para US$ 13,41. Março terminou a US$ 13,48, baixa de 3 pontos, e maio a US$ 13,55, recuo de 2,75 pontos.

Segundo a Agrinvest Commodities, o óleo de soja exerceu pressão sobre o complexo durante a sessão, enquanto os fundamentos pouco se alteraram. O mercado permanece atento ao encontro entre Donald Trump e Xi Jinping e aos possíveis desdobramentos para o comércio agrícola entre Estados Unidos e China.

A consultoria destacou ainda que a Sinograin colocou 543 mil toneladas de soja importada em leilão. O movimento ajuda na rotação dos estoques chineses e pode abrir espaço para novas cargas norte-americanas, mas ainda não representa confirmação de compras adicionais.

Na outra ponta, os ganhos de quase 1% sustentados durante todo o dia ajudaram na limitação das perdas na CBOT. 

Ainda como avalia Ronaldo Fernandes, a própria entrada da colheita norte-americana deveria exercer pressão maior sobre Chicago. Segundo ele, o avanço dos trabalhos nos Estados Unidos reduziu parte das preocupações anteriores com possíveis atrasos, mas a geopolítica continua oferecendo sustentação às cotações.

"Se não fosse a geopolítica, a gente já teria os preços em Chicago caindo por causa da colheita", afirma. 

Assim, enquanto Chicago tenta equilibrar a pressão sazonal da colheita norte-americana com geopolítica e demanda chinesa, o foco do produtor brasileiro começa a mudar. O disponível encontra suporte na menor disposição de venda e na demanda interna, enquanto a safra 2026/27, com referências acima dos R$ 150 nos portos, entra gradualmente no mercado climático.

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