Soja fecha em queda pelo 2ºdia em Chicago, mesmo com novas vendas dos EUA; StoneX eleva projeção da safra brasileira

Estimativa de produção do Brasil chega a 184,95 milhões de toneladas para 2026/27
Publicado em 03/11/2026 16:44

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Os preços futuros da soja encerraram a terça-feira (3) em queda na Bolsa de Chicago (CBOT), completando o segundo pregão consecutivo de perdas no início de novembro. Apesar da confirmação de novas vendas norte-americanas para exportação, os contratos não conseguiram sustentar a recuperação ensaiada durante a manhã, enquanto uma revisão para cima da estimativa de produção brasileira acrescentou pressão às expectativas de oferta internacional.

O contrato novembro/26 encerrou a sessão cotado a US$ 12,0300 por bushel, com recuo de 1,75 cent, equivalente a 0,14%. O janeiro/27 perdeu 2,75 cents, terminando a US$ 12,1400, enquanto o março/27 registrou queda de 5,75 cents, para US$ 12,2075. O maio/27 fechou a US$ 12,2950 por bushel, com desvalorização de 7,50 cents.

A movimentação foi diferente daquela observada na abertura do pregão, quando os principais vencimentos ainda apresentavam pequenas valorizações. Por volta das 7h02 (horário de Brasília), o janeiro/27 era negociado a US$ 12,2025 por bushel, com alta de 3,50 cents. Ao longo da sessão, entretanto, perdeu força e voltou ao campo negativo.

Na segunda-feira (2), os contratos já haviam registrado perdas superiores a 1%, prolongando a pressão observada durante a última semana de outubro. A continuidade das baixas nesta terça-feira mostra a dificuldade de recuperação das cotações, mesmo diante de indicadores positivos de demanda internacional.

StoneX eleva projeção da safra brasileira para 184,95 milhões de toneladas

As expectativas de produção brasileira ganharam um novo elemento nesta terça-feira, com a revisão das estimativas da StoneX para a temporada 2026/27.

Segundo informações divulgadas pelo Barchart, a consultoria elevou sua projeção de produção de soja do Brasil em 1,59 milhão de toneladas, passando a trabalhar com uma safra de 184,95 milhões de toneladas.

O aumento da estimativa reforça as perspectivas de maior disponibilidade da oleaginosa na América do Sul, em um momento em que os produtores norte-americanos se aproximam da conclusão da colheita.

No Brasil, o plantio da safra 2026/27 alcançou 53% da área prevista, segundo levantamento divulgado pela AgRural na segunda-feira, acima dos 47% registrados no mesmo período do ano passado.

Apesar do avanço, as condições climáticas ainda representam uma variável importante para a confirmação do potencial produtivo. As diferenças na distribuição das chuvas entre as regiões produtoras e o desenvolvimento inicial das lavouras deverão continuar sendo acompanhados pelos operadores durante novembro.

USDA anuncia novas vendas, mas Chicago não sustenta recuperação

Do lado da demanda, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) confirmou nesta terça-feira uma nova venda de 134 mil toneladas de soja norte-americana para destinos não revelados, com entrega prevista para a temporada comercial 2026/27.

O anúncio ocorreu um dia depois de o departamento informar uma operação de 136 mil toneladas da oleaginosa para a China, também destinada ao ano comercial atual.

As novas contratações acrescentam referências positivas para a demanda americana, que já vinha apresentando volumes expressivos de comercialização e embarques nas últimas semanas.

Na segunda-feira, o USDA informou que as inspeções de soja para exportação alcançaram 2.444.828 toneladas na semana encerrada em 29 de outubro, volume 146,29% superior ao registrado no mesmo período do ano passado.

No acumulado da temporada comercial 2026/27, as inspeções somaram 12,18 milhões de toneladas, crescimento de 56,00% na comparação anual.

Apesar dos resultados, Chicago continuou pressionada nesta terça-feira. Os números mostram que a demanda permanece ativa, mas não foram suficientes para compensar as preocupações relacionadas à oferta e às perspectivas de produção nas principais origens exportadoras.

Esmagamento diminui nos EUA e estoques de óleo também recuam

Outro indicador incorporado às avaliações do mercado foi o relatório Fats and Oils, divulgado pelo USDA na segunda-feira.

Segundo o levantamento, o esmagamento de soja nos Estados Unidos somou aproximadamente 199 milhões de bushels em setembro, redução de 5,16% em relação a agosto e de 2,99% na comparação com o mesmo mês de 2025.

A redução mensal reflete parcialmente a diferença no calendário, uma vez que agosto teve 31 dias e setembro contou com 30. Entretanto, mesmo considerando o ritmo médio diário, o processamento apresentou retração.

A produção de óleo bruto de soja também diminuiu, enquanto seus estoques recuaram para aproximadamente 1,07 bilhão de libras ao final de setembro, queda superior a 16% em relação a agosto.

Os resultados acrescentam elementos distintos ao balanço da demanda industrial americana. Enquanto o processamento apresentou desaceleração, a redução dos estoques de óleo indica uma diminuição da disponibilidade armazenada do derivado.

Câmbio pode oferecer sustentação aos preços brasileiros

No mercado brasileiro, a valorização do dólar frente ao real permanece como um fator importante para a formação das cotações, especialmente diante das perdas acumuladas em Chicago.

Segundo análise divulgada nesta terça-feira pela Safras & Mercado, a valorização da moeda norte-americana pode oferecer sustentação às referências domésticas de soja, mesmo com o enfraquecimento dos contratos internacionais.

A consultoria também destacou que a comercialização brasileira permanece relativamente limitada, embora tenha apresentado maior movimentação durante a última semana.

A combinação entre Chicago, câmbio e prêmios de exportação continua determinante para as oportunidades de venda dos produtores, especialmente diante da perspectiva de uma nova safra volumosa.

Em seu boletim semanal, a Grainsights, inteligência de mercado da Grão Direto, também destacou que o dólar compensou parte da pressão internacional sobre as cotações brasileiras durante a última semana de outubro, favorecendo negócios pontuais.

Para os produtores, o encerramento desta terça-feira mantém um cenário de atenção às oportunidades criadas pelo câmbio, mas também às expectativas de oferta para 2027.

O desenvolvimento da safra brasileira e a continuidade das compras internacionais deverão permanecer entre os principais fatores acompanhados pelo mercado, enquanto Chicago tenta encontrar sustentação depois das perdas recentes.

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