Soja reage em Chicago nesta 6ªfeira, mas acumula perdas superiores a 3% na semana; físico tem movimentos distintos no Brasil
![]()
Os preços futuros da soja encerraram a sexta-feira (6) em alta na Bolsa de Chicago (CBOT), interrompendo uma sequência de quatro pregões consecutivos de perdas. A recuperação, entretanto, não foi suficiente para reverter as desvalorizações acumuladas na primeira semana de novembro, que superaram 3% nos principais vencimentos. O mercado continua acompanhando o comportamento da demanda chinesa, as perspectivas de produção nos Estados Unidos e no Brasil e o posicionamento dos fundos de investimento, enquanto o mercado físico brasileiro apresentou oscilações diferentes entre as regiões produtoras.
O contrato novembro/26 terminou cotado a US$ 11,8900 por bushel, com valorização de 8,00 cents, equivalente a 0,68%. O janeiro/27 avançou 5,50 cents, fechando a US$ 11,9375, enquanto o março/27 registrou ganho de 3,00 cents, para US$ 11,9925. O maio/27 subiu 2,00 cents, encerrando a US$ 12,0825 por bushel.
Apesar da reação, os contratos mais próximos permaneceram abaixo dos US$ 12,00, depois de uma semana marcada pela pressão sobre os preços internacionais. Na comparação com a sexta-feira anterior, 30 de outubro, o janeiro/27 acumulou desvalorização de 3,28%, passando de US$ 12,3425 para US$ 11,9375 por bushel. O março/27 perdeu 3,58% no mesmo intervalo, enquanto o maio/27 recuou 3,61%.
Fundos e demanda chinesa marcaram movimentações da semana
Entre os principais fatores que influenciaram as negociações estiveram a demanda internacional pela soja americana, as relações comerciais entre China e Estados Unidos e o posicionamento dos fundos de investimento.
Em entrevista ao Notícias Agrícolas na quinta-feira (5), Cristiano Palavro, diretor da Pátria Agronegócios, avaliou que a redução das posições compradas dos fundos ainda pode prolongar a pressão sobre Chicago, mesmo com a colheita norte-americana se aproximando do encerramento.
Segundo o analista, os fundos chegaram a sustentar aproximadamente 260 mil contratos líquidos comprados de soja e reduziram essa exposição para algo entre 180 mil e 184 mil contratos. A permanência de posições expressivas representa, em sua avaliação, um risco de novas liquidações e desvalorizações.
A queda do óleo de soja, influenciada pelas oscilações do petróleo e pelas incertezas sobre o programa americano de biocombustíveis, também esteve entre os elementos destacados pelo especialista para explicar a pressão registrada durante a semana.
Do lado da demanda, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou vendas líquidas de aproximadamente 1,46 milhão de toneladas de soja para a temporada 2026/27 na semana encerrada em 29 de outubro. O volume ficou abaixo do resultado anterior, mas confirmou a continuidade das contratações internacionais.
Palavro também destacou as incertezas sobre o cumprimento dos compromissos comerciais entre Estados Unidos e China. Na avaliação dele, eventuais divergências entre os países podem pressionar Chicago, mas também abrir oportunidades para as exportações brasileiras, especialmente por meio da valorização dos prêmios.
Perspectivas de produção continuam limitando recuperação
As expectativas de oferta elevada permaneceram importantes para o mercado durante a semana, especialmente depois das revisões divulgadas pela StoneX.
A consultoria elevou sua estimativa de produção americana de soja para 4,725 bilhões de bushels na temporada 2026/27, considerando produtividade média de 55 bushels por acre.
No Brasil, a projeção foi ampliada para 184,95 milhões de toneladas, reforçando as expectativas de uma safra volumosa, embora a confirmação do potencial produtivo ainda dependa das condições climáticas nos próximos meses.
A evolução das lavouras brasileiras continua sendo acompanhada, especialmente diante das diferenças na distribuição das chuvas entre as regiões produtoras.
O mercado também aguarda o próximo relatório de oferta e demanda do USDA, previsto para terça-feira, 10 de novembro, que poderá apresentar novas estimativas oficiais para a produção e os estoques norte-americanos.
Mercado físico registra altas em Mato Grosso e perdas em Mato Grosso do Sul
No Brasil, o levantamento do Notícias Agrícolas mostrou predomínio de estabilidade nas praças acompanhadas nesta sexta-feira, mas com movimentações importantes em algumas regiões.
Em Mato Grosso, Campo Novo do Parecis apresentou valorização de 2,26%, com a soja cotada a R$ 136,00 por saca de 60 quilos. Em Tangará da Serra, o avanço foi de 1,48%, para R$ 137,00, enquanto Sorriso registrou alta de 0,22%, encerrando a R$ 134,85.
Em contrapartida, Mato Grosso do Sul apresentou algumas das principais quedas do levantamento. Em Campo Grande, a cotação recuou 2,82%, terminando a R$ 138,00 por saca. São Gabriel do Oeste registrou baixa de 2,14%, para R$ 137,00, enquanto Maracaju perdeu 1,43%, fechando a R$ 138,00.
Nos portos, as referências disponíveis permaneceram estáveis. Paranaguá manteve a cotação de R$ 160,00 por saca, enquanto Rio Grande continuou a R$ 161,00. Em Santos, a indicação para fevereiro e março de 2027 recuou 1,38%, para R$ 143,00.
As diferenças regionais mostram que a recuperação de Chicago nesta sexta-feira não se refletiu de maneira uniforme sobre as cotações domésticas.
Comercialização brasileira exige atenção às oportunidades
Para os produtores brasileiros, o encerramento da semana reforça a importância de acompanhar a combinação entre Chicago, câmbio e prêmios de exportação.
Na avaliação de Cristiano Palavro, a valorização recente do dólar tem contribuído para sustentar parte dos preços domésticos, mas não foi suficiente para compensar integralmente as perdas internacionais registradas nos últimos pregões.
O especialista também destacou que a soja brasileira permanece competitiva nas exportações para a China, favorecida em determinadas operações por custos de frete marítimo mais baixos do que os observados a partir do Golfo dos Estados Unidos.
Para a safra 2026/27, Palavro avalia que a comercialização antecipada ainda está abaixo de 40% da produção esperada, enquanto os compradores acompanham as perspectivas de uma colheita volumosa.
Diante desse cenário, o analista recomenda atenção às oportunidades de comercialização escalonada, especialmente para os agricultores que precisarão gerar caixa nos primeiros meses de 2027.
A valorização desta sexta-feira representa uma recuperação pontual depois das perdas da semana, mas não elimina as incertezas sobre a direção dos preços. As relações comerciais entre Estados Unidos e China, o comportamento dos fundos e as condições climáticas da safra brasileira continuarão entre os principais fatores acompanhados nas próximas sessões.
0 comentário
Soja reage em Chicago nesta 6ªfeira, mas acumula perdas superiores a 3% na semana; físico tem movimentos distintos no Brasil
Mato Grosso chega perto do fim do plantio de soja com antecipação dos trabalhos, diz Imea
Exportações de farelo de soja aceleram na reta final e fecham outubro 21% acima de 2025
Soja opera em direções diferentes em Chicago nesta sexta-feira, com janeiro ainda abaixo dos US$ 12,00
Soja oscila perto da estabilidade em Chicago nesta sexta-feira, com janeiro ainda abaixo dos US$ 12,00
Importações de soja pela China em 2026/27 estimadas em 110 mi t, diz adido do USDA