Soja: Mapa de umidade confirma situação crítica na Argentina

Publicado em 23/12/2010 10:10 | Atualizado em 07/03/2020 12:51
Com os efeitos do La Niña sendo registrados por conta da escassez de chuvas e as altas temperaturas, analistas e climatologistas acreditam que a produção 2010/11 de soja da Argentina ficará seriamente comprometida. A estimativa do Ministério da Agricultura era de 52 milhões de toneladas, originalmente.

"Se a situação climática não se modificar, a soja estará em má situação. Primeiro, porque com essa falta de água será difícil semear a soja de segunda safra. Segundo porque com a falta de umidade  também foi atrasado o plantio da primeira safra e isso pode significar importantes perdas de produtividade por hectare", disse Ernesto Ambrosetti, economista do Instituto de Estudios Económicos de la Rural.

"Há pereocupação pela falta de água pois há soja da safra que é plantada após o trigo e que não pode ser semeada por conta da falta de chuvas em várias áreas. O que já está plantado está aguentando, porém, esperamos mais chuvas", analisou César Rebella, do Instituto de Clima del INTA Castelar.

"Estamos entrando em um período crítico, quando os cultivos têm uma necessidade maior de água. Se a falta de chuvas permanecer, poderá haver impacto nos rendimentos e no solo para a soja da safra pós trigo", disse o especialista.

Nem mesmo as poucas chuvas que caíram nos últimos dias em algumas regiões foram capazes de melhorar o panorama climático no país.

Diante deste quadro, a consultoria alemã Oil World reduziu sua estimativa para a safra 10/11 de soja de 52 para algo em torno de 43 a 48 milhões de toneladas.

Entretanto, para Gustavo López, da consultoria Agritrend, "o relatório da Oil World não é razoável. Com esse cenário climático pode haver uma queda importante da colheita, mas acredito que ficaremos perto dos 48 ou 49 milhões de toneladas".

O mapa das chuvas

"Caíram boas chuvas no norte de Santa Fé, Santiado del Estero e no sudeste de Buenos Aires. Em Córdoba, sul de Santa Fé e no norte da capital argentina, chuvas moderadas. Porém, isso não impacta na situação geral, pois apesar de ter melhorado levemente as condições nas regiões onde houve chuva, outros lugares continuam sofrendo com a estiagem", explicou Maximiliano Zavala, analista do Departamento de Estimatitivas e Projeções Agrícolas da Bolsa de Cereais de Buenos Aires.

De acordo com Zavala, os dias que restam até o ano novo irão definir o destino de boa parte da soja.

"Seria preciso haver chuvas importantes, ao redor de 40 a 50 milímetros, antes do dia 1º de janeiro para promover umidade suficiente para os primeiros 20 centímetros do solo para que, assim, as máquinas pudessem trabalhar", disse.

Abaixo, veja um gráfico com a umidade do solo na América do Sul:

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