Grãos: Instabilidade no Oriente Médio pressiona e mercado fecha no limite de baixa

Publicado em 22/02/2011 15:16 | Atualizado em 22/02/2011 18:21
Os futuros dos grãos negociados na Bolsa de Chicago encerraram a terça-feira no limite de baixa no pregão diurno. A queda foi influenciada por uma possível redução da demanda causada pela instabilidade no Oriente Médio e no norte da África, o que aumenta a aversão ao risco por parte dos investidores e impulsiona a realização agressiva de lucros.

Analistas afirmam que os recorrentes protestos que vêm sendo registrados ao redor do mundo preocupam os investidores e atingem diretamente a economia mundial. As últimas ações registradas na Líbia fizeram os preços do petróleo subirem expressivamente e despesas mais altas com energia podem provocar problemas para a recuperação econômica, o que significa um possível arrefecimento da demanda por comodities. Hoje, o anúncio do líder líbio de que não deixará o poder colaborou para essas baixas.

A demanda mais fraca também refletiu nos preços da soja, com a China - principal importador mundial da oleaginosa -  cancelando carregamentos. Já no caso do milho, segundo analistas, a posição técnica é precária e catalisa as perdas.

A significativa realização de lucros desta terça-feira também atingiu o mercado do trigo em Chicago. As perdas sucedem um recuo de 5,2% na semana passada. O movimento foi impulsionado pela instabilidade política no Oriente Médio e no norte africano.

Líbia: Gaddafi diz que não deixará o poder e morrerá "como mártir"

Em um pronunciamento na TV, o líder líbio, Muammar Gaddafi, prometeu na terça-feira morrer na Líbia como um mártir, ao mesmo tempo em que as tropas rebeldes afirmaram que as regiões do leste do país se libertaram do governo numa revolta explosiva.

"Eu não vou deixar esta terra, morrerei aqui como um mártir", disse Gaddafi na televisão estatal, recusando-se a curvar aos pedidos feitos por seus próprios diplomatas, soldados e aos manifestantes das ruas que exigem o fim de seu governo de quatro décadas.

"Muammar Gaddafi é o líder da revolução. Não sou um presidente para renunciar... Este é o meu país. Muammar não é um presidente para deixar o cargo, Muammar é o líder da revolução até o final dos tempos."

"Eu permanecerei aqui desafiador", completou Gaddafi, falando do lado de fora de uma de suas residências, bastante danificada num bombardeio dos Estados Unidos de 1986 durante uma tentativa de assassiná-lo.

Diante do edifício havia um monumento de um punho gigante esmagando um caça norte-americano.

No pronunciamento, sinuoso como de hábito, Gaddafi pediu que seus partidários saíssem às ruas, dizendo que os manifestantes estavam condenados à pena de morte. Ele também prometeu uma reformulação vaga nas estruturas do governo.

Gaddafi disse ainda que os responsáveis pelos distúrbios são os jovens e chamou os manifestantes de "ratos e mercenários" que querem transformar a Líbia em um Estado islâmico. O líder afirmou que vai "limpar casa a casa da Líbia" se os manifestantes não se renderem.

Apesar das informações de testemunhas e entidades de defesa dos direitos humanos sobre a violência indiscriminada pelo país, Gaddafi disse que ainda não usou a força contra os manifestantes, mas que o fará se for necessário.

Mais cedo, testemunhas que atravessaram a fronteira da Líbia com o Egito disseram que Gaddafi estava usando tanques, caças e mercenários no esforço de sufocar a rebelião que crescia cada vez mais.

Na cidade de Tobruk, no leste do país, um correspondente da Reuters no local afirmou que podiam ser ouvidas explosões esporádicas, no sinal mais recente de diminuição do poder de Gaddafi no país exportador de petróleo e gás.

"Todas as regiões do leste estão fora do controle de Gaddafi agora...O povo e o Exército estão juntos ali", afirmou o ex-major do Exército Hany Saad Marjaa.

A Casa Branca expressou suas condolências pela "violência pavorosa" na Líbia e afirmou que a comunidade internacional deveria falar em uníssono sobre a crise.

A agência da Organização das Nações Unidas (ONU) para os refugiados, por sua vez, pediu que os vizinhos da Líbia concedam refúgio aos que fogem da insurreição, deflagrada por décadas de repressão e pelas revoltas populares que derrubaram os líderes da Tunísia e do Egito.

No lado líbio da fronteira com o Egito, rebeldes anti-Gaddafi armados com porretes e fuzis Kalashnikov saudavam os visitantes. Um homem levava um retrato de Gaddafi de ponta cabeça com as palavras "o tirano carniceiro, assassino de líbios", disse um correspondente da Reuters que entrou na Líbia pela fronteira.

Centenas de egípcios saíam pela direção oposta em tratores e caminhões, levando consigo as histórias de violência e banditismo cometidos pelo Estado.

Na cidade de Al Bayda, no leste do país, o morador Marai Al Mahry disse à Reuters por telefone que 26 pessoas, incluindo seu irmão Ahmed, foram mortos a tiros durante a noite por simpatizantes de Gaddafi.

"Eles atiram em você apenas por andar nas ruas", disse ele, soluçando sem parar enquanto pedia ajuda.

Manifestantes foram atacados com tanques e aviões de guerra, afirmou ele.

"A única coisa que podemos fazer agora é não desistir, não voltar atrás. Morreremos de qualquer forma, gostemos disso ou não. Está claro que eles não ligam se vivermos ou não. Isso é genocídio", disse Mahry, de 42 anos.

A Human Rights Watch afirmou que 62 pessoas morreram nos confrontos em Trípoli nos últimos dois dias, somando-se à conta anterior de 233 mortos. Grupos de oposição apontam para um número muito maior. A chefe dos direitos humanos da ONU, Navi Pillay, afirmou que a matança poderá ser considerada crime contra a humanidade e exigiu uma investigação internacional.

Fonte: Reuters

Já segue nosso Canal oficial no WhatsApp? Receba em primeira mão as principais notícias do agronegócio
Seguir canal
Tags:

2 comentários

  • Valter Antoniassi Fátima do Sul - MS

    Concordo plenamente com o Sr. TELMO HEINEN,se estes valores não se recuperarem,tudo que vimos e ouvimos,não passou de lorotas só para echer nossa caraminhola de asneiras...

    0
  • Telmo Heinen Formosa - GO

    Se for verdade que há escassez de alimentos no mundo, estas quedas ou baixas nos preços serão recuperadas integralmente. Acredite se quiser... Pense nisto quando estiver analisando uma noticia sobre arroz, feijão, trigo... e daqui a uns dias, milho.

    0