Soja: Mercado testa nova máxima diante de clima adverso nos EUA

Publicado em 29/08/2011 15:05 e atualizado em 29/08/2011 17:59 1475 exibições
O rally da soja continua na Bolsa de Chicago. Nesta segunda-feira, a oleaginosa encerrou o pregão diurno com altas de mais de 23 pontos e o vencimento novembro de 2011 emplacou uma nova máxima. Os fundamentos climáticos são o que mantém o suporte para os preços e o avanço neste início de semana foi bastante sólido.

De acordo com analista pesquisados pela agência Bloomberg, os preços do milho seguem para a 11ª semana de altas e a soja alcançou seu mais alto preço desde fevereiro deste ano diante das especulações de que o clima excessivamente quente e seco nos Estados Unidos possa prejudicar ainda mais a produtividade das lavouras.

Além do estresse já vivido, a previsão da meteorologia norte-americana é de que as próximas duas semanas tenham chuvas bem abaixo do normal de Nebraska a Indiana, deixando aproximadamente um terço das áreas produtoras do Meio-Oeste ainda muito secas. As temperaturas médias no Corn Belt estão bem acima do normal e acabam expandindo as condições da estiagem das Grandes Planícies até o Meio-Oeste norte-americano.

"O temor é por conta de os estoques estarem se esvaindo muito antes das necessidades da demanda. O calor opressivo prejudicou as lavouras em julho e agora a estiagem está reduzindo drasticamente a produtividade", disse o presidente da U.S. Commodities, Don Roose.

De acordo com o analista de mercado Vinícius Ito, da NewEdge Consultoria, trata-se de um movimento bastante sólido que está, inclusive, estimulando novas ondas de compra por parte dos investidores. No entanto, é preciso acompanhar o mercado com atenção, uma vez que os fundamentos estão mais sustentados pela redução da oferta do que por um aumento da demanda.

Pro Farmer -  Na sexta-feira, a Pro Farmer divulgou novos números de queda da produção americana devido às más condições climáticas.

Na região central do estado de Illinois, o rendimento do milho foi contabilizado em 147,3 bushels por acre frente as 180,7 bushels por acre registrados em 2010. Para a soja, cerca de 1.209 vagens/m2, ante as 1.242 no ano passado.

Já para o Nebraska, a produtividade do cereal foi estimada em 153,7 bushels por acre, enquanto que em 2010 foram 153,8 bushels. Foram estimadas ainda 1.286 vagens de soja por m², 1,5% a menos do que no ano passado.

No caso de Indiana, as lavouras de milho devem render cerca de 143,1 bushels por acre ante os 167,1 registrados em 2010. Quanto à soja, são estimadas por m² 1.137 vagens frente as 1.238 no ano passado.

No estado de Iowa, o rendimento estimado pela Pro Farmer foi de 181 bushels por acre, enquanto que na safra anterior foram 170 bushels/ac. São estimadas ainda 1.537 vagens/m² ante o índice de 1.475 em 2010.

Cenário Externo - Além dos fundamentos positivos, o bom humor do mercado financeiro também contribuiu para a solidez das altas nesta segunda-feira. As bolsas ao redor do mundo tiveram um bom dia e fecharam em alta hoje, trazendo mais confiança ao mercado e refletindo positivamente entre as commodities, inclusive as agrícolas.

Mercado Interno - Ao contrário do mercado internacional, os preços da soja no mercado inerno se mantiveram estáveis. Como explicou o analista de mercado Flávio Franças, da Agência Safras & Mercado o câmbio e os prêmios de exportação mais fracos nesta segunda-feira frearam o movimento de alta que foi registrado na sexta-feira em função das fortes altas nas CBOT e das demais condições - prêmio e câmbio - mais favoráveis.

Na sexta-feira (26), as altas no Brasil variaram de R$ 1,30 a R$ 2,00. Em praças referência como Cascavel/PR a saca de soja foi de R$ 45 para R$ 47. Em Passo Fundo/RS, de R$ 48 para R$ 49,50 e em Rondonópolis/MT, de R$ 43,20 para R$ 44,50.

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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