Soja: Chicago opera com forte alta apesar do feriado nos EUA

Publicado em 10/10/2011 07:49 1402 exibições
Apesar do feriado do Columbus Day comemorado nos Estados Unidos nesta segunda-feira (10), as bolsas norte-americanas funcionam normalmente. Em Chicago, os grãos negociados iniciam a semana no azul e operam com forte alta. A soja, por volta das 7h39 (horário de Brasília) operava subia quase 27 pontos. O milho e o trigo também tinham ganhos de dois dígitos.

As medidas tomadas pela chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy,para tentar sanar definitivamente os problemas de capitalização dos bancos europeus - trazendo mais liquidez aos mesmos - e da crise da dívida grega trouxeram mais tranquilidade ao mercado financeiro, refletindo no avanço registrado no começo do dia de hoje.

Além disso, o plano de resgate ao banco Dexia foi finalizado pelos governo da Bélgica, França e Luxemburgo e contribuiu para esse novo fôlego para a macroeconomia.

Com isso, os mercados agrícolas já aproveitam um recuo do dólar index, em função desse mercado financeiro mais tranquilo, e já começam a semana se recuperando. A moeda norte-americana mais baixa e o cenário macro menos pessimista traz os investidores de volta ao mercado de commodities, por consequência as agrícolas, que são ativos mais voláteis, haja visto que reduzem sua aversão ao risco.

Na agência EFE:

Merkel e Sarkozy prometem solução duradoura para crise

A chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, prometeram neste domingo lançar antes do fim do mês uma "solução duradoura" para acabar definitivamente com os problemas de capitalização dos bancos europeus e a crise da dívida grega.

O programa do eixo franco-alemão, um "pacote completo" de medidas cujos detalhes não foram informados, inclui "mais integração" econômica, mais mecanismos anticrise e a reforma de tratados comunitários, tudo dentro de uma "nova visão" europeia, na qual "a Grécia é parte da zona do euro" de forma indiscutível.

"A Alemanha e a França colaboram estreitamente para garantir a estabilidade financeira da zona do euro. Vamos encontrar uma solução duradoura", destacou Sarkozy em entrevista coletiva que antecedeu seu encontro em Berlim.

O objetivo principal desse conjunto de medidas será a "necessária" recapitalização do setor bancário europeu, segundo Merkel, sobrecarregado pela posse de dívida soberana dos países europeus mais endividados. "Estamos determinados a defender e apoiar os bancos porque é fundamental para encontrar uma saída sólida e duradoura à crise da dívida", enfatizou Merkel.

A iniciativa franco-alemã contemplará "um fornecimento de crédito razoável" para as entidades com problemas, de acordo com a chanceler, apesar de não se aprofundar no formato definitivo do mecanismo de ajuda, uma questão que separa Paris e Berlim.

Merkel reafirmou nos últimos dias que só em último caso deve recorrer ao Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF) como instrumento de recapitalização bancária, já que considera que em primeiro lugar as instituições devem receber assistência nacional.

A França, por sua vez, aposta em usar, em primeiro lugar, o FEEF, já que se preocupa que uma grande exposição de seus bancos à dívida soberana grega rebaixe sua classificação de crédito "AAA". "A recapitalização dos bancos vai ser feita. A economia precisa de financiamento. O crescimento precisa de financiamento", afirmou Sarkozy, que ressaltou que a França e a Alemanha mantêm "posições comuns" em "todos os assuntos".

Sobre a situação da Grécia, ambos os líderes concordam em esperar o novo relatório da comissão formada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Central Europeu (BCE) e a Comissão Europeia (CE) e que analisa as contas públicas do país. A divulgação está prevista para o dia 24 de outubro.

Quanto à reforma do FEEF, a chanceler se alegrou em nome de ambos os líderes pela "rápida confirmação" parlamentar de todos os países envolvidos, apesar de ainda faltar uma decisão definitiva do legislativo da Eslovênia.

Merkel garantiu também que nos próximos dias a França e a Alemanha lançarão "novas propostas" para unir ainda mais a União Europeia (UE), incluindo "mudanças nos tratados", reformas classificadas como "significativas" pelo presidente francês.

Os dois líderes devem concluir seu plano até o final de outubro, após negociarem suas propostas com os demais "membros" comunitários e com os "mercados", e resolverem o "trabalho técnico", explicou Sarkozy.

Durante este período, acontecerão a reunião de ministros das Finanças do G20 (Paris, 13 e 14 de outubro) e a reunião de líderes da UE e da zona do euro (Bruxelas, 17 e 18 de outubro). Nos dias 3 e 4 de novembro, a UE poderá cumprir sua "responsabilidade", disse Merkel, e explicar na reunião de líderes do G20 (em Cannes, nos dias 3 e 4 de novembro), sua resposta definitiva à crise.

"Sabemos o caminho", afirmou Sarkozy, apesar de reconhecer que "ainda" não conseguiram finalizar "os detalhes" de seu ambicioso programa comum. A credibilidade que os mercados financeiros vão conceder a esta "solução duradoura" do eixo franco-alemão poderá ser analisada a partir de amanhã, quando as voláteis bolsas de valores europeias abrirem.

Bélgica, França e Luxemburgo finalizam resgate a banco Dexia

Os governos da Bélgica, França e Luxemburgo, junto com o Conselho de Administração do banco Dexia, finalizam um plano de resgate que, segundo o acordo político alcançado, prevê dividir o gigante franco-belga em três e criar um "banco podre".

O objetivo é fechar um acordo antes da abertura dos mercados na segunda-feira, quando se prevê que o regulador da bolsa belga retire a suspensão da cotação do Dexia. Por enquanto, o Conselho de Administração do Dexia continua reunido desde as 13h (horário local, 10h de Brasília) a fim de aprovar a proposta franco-belga, e depois um Conselho de Ministros dará seu último sinal verde ao resgate.

Nessa reunião, se pretende autorizar o Governo belga a encarregar oficialmente a Sociedade Federal de Participações e Investimentos (SFPI) da aquisição do Dexia Bancos Bélgica.

Segundo as últimas informações do resgate divulgadas pela imprensa local, o Estado belga comprará o Dexia Bancos Bélgica por 4 bilhões de euros, enquanto o francês adquirirá a filial francesa Dexia Municipal Agency (DMA) para atender o financiamento das entidades locais.

O pacto também inclui a criação de um banco residual, também conhecido como "banco podre" que assumirá os ativos danificados e a venda do negócio luxemburguês a um investidor internacional, o que, segundo a imprensa local, seria o fundo soberano do Catar e pagaria 900 milhões de euros pela filial sem seus ativos tóxicos.

O preço pelo que o Estado belga adquirirá 100% do capital social do Dexia Bancos Bélgica se situa na parte baixa da faixa entre 3,5 bilhões e 8 bilhões de euros que o primeiro-ministro belga interino, Yves Leterme, tinha calculado que seriam necessários para executar a compra.

Em um primeiro momento, o Estado belga manterá a totalidade do capital social, mas após algum tempo, as regiões, que controlam 5,7% do Dexia, poderão fazer parte do conjunto de acionistas, como pretendiam.

O grupo perderá igualmente sua filial francesa, a DMA, que será adquirida pelo Estado francês por um valor entre 650 milhões e 700 milhões de euros. O resto do Grupo Dexia se transformará em um banco podre. Este terá ativos no valor de 90 bilhões de euros, que serão garantidos pelos Estados belga (60%), francês (36,5%) e luxemburguês (3,5%).

Corresponderão à Bélgica assim garantir cerca de 54 bilhões de euros, em torno de 15% do PIB, à França 32,850 bilhões e a Luxemburgo 3,150 bilhões.

O banco residual terá que pagar taxas sobre essas garantias.

O Estado belga considera que os termos do acordo se ajustam mais ou menos a seu objetivo de negociação, que era não ter de desembolsar mais de 1% do PIB nacional (3,6 bilhões de euros) pela compra do Dexia Bancos Bélgica.

O ministro belga de Finanças, Didier Reynders, disse que, da mesma forma que nas ajudas aprovadas durante a crise financeira do final de 2008, o Estado não pretende permanecer eternamente no capital social do Dexia, mas sim uns cinco anos ou mais.

"Em cinco anos ou mais talvez ainda estejamos dentro", assinalou horas antes. Reynders também afirmou que a criação do "banco podre", para isolar os ativos tóxicos, será menos problemática que em 2008, porque os ativos afetados são essencialmente empréstimos a longo prazo das administrações locais que o Estado deve garantir.

Trata-se do segundo resgate do Dexia após a intervenção pública em setembro de 2008, naquela época por causa da crise das hipotecas subprime nos Estados Unidos.

Na época, os governos francês, belga e luxemburguês injetaram 6,376 bilhões de euros para evitar seu colapso.

O resgate aconteceu apesar de o Dexia ter obtido uma das melhores qualificações nos testes de resistência efetuados em julho, mas estes testes não levaram em conta uma eventual moratória, fosse parcial ou total, de bônus soberanos como os gregos que afetaria as entidades com maior exposição aos mesmos. O Dexia tem uma exposição bruta à dívida grega de cerca de 3,462 bilhões de euros.

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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