CBOT: Mercado de grãos sofre com mais um dia de forte queda

Publicado em 10/11/2011 14:04 e atualizado em 10/11/2011 19:11 925 exibições
O mercado da soja amargou mais um dia baixas na Bolsa de Chicago. Nesta quinta-feira, os vencimentos fecharam com baixas de mais de 16 pontos, com o vencimento novembro/11, por exemplo, encerrando a US$ 11,58, a mínima do dia. 

De acordo com o analista de mercado Flávio França, da agência Safras & Mercado, há três variáveis que pressionam a oleaginosa na atual conjuntura: a desaceleração da demana chinesa, a boa evolução da safra da América do Sul e o aumento dos estoques finais norte-americanos. "Neste momento, só temos variáveis negativas", diz França. 

Sobre a demanda. A procura mundial pela soja não está caindo, o que diminui é a procura pela oleaginosa norte-americana. A demanda, principalmente por parte da China, volta suas atenções para outros fornecedores, como o Brasil e a Argentina, por exemplo. Há uma retração das compras no mercado, que é uma variável de forte pressão nos preços.

Aliado a isso, a safra sul americana evolui em condições muito favoráveis. O clima colabora, o plantio registra um bom avanço e isso deve se manter na continuidade dos trabalhos. 

Paralelamente, o último relatório do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), divulgado na última quarta-feira (9), apontou um aumento dos estoques finais de soja do país. De acordo com França, os números refletem esse cenário de queda das exportações norte-americanas, confirmando essa retração da demanda pela oleaginosa norte-americana. 

A orientação para o produtor, nesse momento de tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo, é de que ele tente se manter retraído nas vendas da safra nova, a espera de uma melhora nos preços, de acordo com o analista. 

Mercado Financeiro - Apesar de mais tímida do que em demais sessões, a influência do mercado financeiro também favoreceu as baixas de hoje. A indefinição na situação de países da Zona do Euro continua e pesa, cada vez mais, no mercado de commodities. Com isso, o cenário acaba favorecendo uma liquidação generalizada dos fundos frente a uma aversão ao risco crescente por parte dos investidores.

A bola da vez é a Itália. A situação da dívida pública do país é insustentável e a recuperação da 11ª economia do mundo é algo bastante complexo. Além disso, já se sabe que a Itália não será, nem de longe, o último país a anunciar seus problemas financeiros na Europa. Trata-se de um efeito cascata.

"Além da crise econômica, da crise financeira e agora a crise política na Europa, estamos vivendo também uma crise de confiança do investidor", diz o analista de mercado Steve Cachia, da Cerealpar.

Cachia explica que a correlação do mercado financeiro com as commodities agrícolas é tão forte que não o mau humor do cenário macroeconômico acaba segurando a reação dos preços mesmo diante de fundamentos positivos.

Confira como ficaram as cotações no fechamento da Bolsa de Chicago nesta quinta-feira:


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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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