Açúcar segue pressionado e fecha com baixas de até 2,07% em NY
Os contratos futuros do açúcar registraram mais uma queda expressiva nesta quinta-feira (26), estendendo um movimento de baixa que já dura três meses. Na Bolsa de Nova Iorque, o contrato mais negociado recuou até 2,07%, alcançando o menor nível em quatro anos. Em Londres, as perdas foram mais moderadas, ficando abaixo de 1%.
As cotações seguem pressionadas pela perspectiva de um superávit global recorde no mercado. De acordo com projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a produção mundial de açúcar na safra 2025/26 deve crescer 4,7% em relação ao ciclo anterior, chegando a 189,3 milhões de toneladas métricas. Com isso, o superávit global poderá atingir 41,2 milhões de toneladas, avanço de 7,5% sobre o último ano.
O cenário é particularmente favorável nos principais países produtores da Ásia, onde as chuvas de monções têm alimentado expectativas de safras abundantes. Na Índia, segundo maior produtor mundial, a Federação Nacional de Fábricas Cooperativas de Açúcar estimou no início deste mês que a produção deve aumentar 19% na próxima temporada, totalizando 35 milhões de toneladas. O incremento se deve tanto ao aumento da área plantada quanto à previsão de precipitações acima da média, fatores que ampliam a oferta e reforçam a pressão negativa sobre os preços internacionais.
Na Bolsa de Nova Iorque, o contrato julho/25 caiu 0,33 cents (2,07%), encerrando o dia cotado em 15,65 cents/lbp. O outubro/25 recuou 0,19 cents (1,14%) e ficou em 16,42 cents/lbp. O março/26 teve baixa de 0,15 cents (0,87%), negociado a 17,11 cents/lbp. O maio/26 perdeu 0,10 cents (0,59%), encerrando a sessão em 16,77 cents/lbp.
Na Bolsa de Londres, os contratos do açúcar branco também fecharam em queda. O agosto/25 recuou 110 pontos (0,23%) e foi cotado em US$ 477,90 por tonelada. O outubro/25 caiu 260 pontos (0,56%), a US$ 467,10/tonelada. O dezembro/25 perdeu 340 pontos (0,73%), com preço de US$ 460,10/tonelada. O março/26 cedeu 350 pontos (0,75%) e fechou o dia negociado a US$ 464,20/tonelada.
Maior mistura de etanol pode reduzir oferta de cana para açúcar e sustentar preços internacionais
O governo brasileiro anunciou que, a partir de agosto, elevará de 27% para 30% o percentual de etanol anidro misturado à gasolina. A medida deve provocar impactos significativos na dinâmica do setor sucroenergético e no mercado externo de açúcar.
De acordo com Maurício Muruci, analista de mercado da Safras & Mercado, a mudança aumentará a demanda doméstica por etanol anidro em aproximadamente 1,65 bilhão de litros ao longo de 12 meses. Esse volume adicional exigirá uma maior quantidade de cana-de-açúcar destinada à produção do biocombustível, reduzindo, em última instância, a disponibilidade da matéria-prima para a fabricação de açúcar.
Num primeiro momento, a oferta extra de etanol anidro deve vir da migração de parte da produção de etanol hidratado. Porém, essa realocação tende a encarecer o hidratado, estimulando posteriormente uma maior destinação de cana para sua produção. Com menos cana disponível para açúcar, a expectativa é que os preços internacionais, especialmente na Bolsa de Nova Iorque, encontrem suporte e possam subir no médio prazo, de acordo com o que explicou Muruci.
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