Etanol ganha força com demanda crescente e mudanças na mistura
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A produção total de etanol no Brasil deve ganhar ainda mais força na safra 2026/27, impulsionado pelo aumento da mistura obrigatória à gasolina e pela demanda interna aquecida. A expectativa é que o combustível derivado da cana quanto do milho, deve se aproximar de 43 bilhões de litros, somando os tipos hidratado e anidro.
Segundo o consultor Maurício Muruci, da Safras & Mercado, o avanço na produção de cana no Centro-Sul está ligado aos investimentos em tratos culturais realizados na safra anterior.
A demanda por etanol deve seguir em trajetória de crescimento após o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro à gasolina, que passou para E30 em agosto do ano passado.
A perspectiva de elevação da mistura para E35 ao longo de 2026 deve reforçar ainda mais o consumo de etanol no país. De acordo com a consultoria, cada ponto percentual adicional na mistura de etanol anidro à gasolina pode gerar um aumento de pelo menos 920 milhões de litros na demanda anual.
Com isso, uma eventual alta de cinco pontos percentuais pode elevar o consumo em cerca de 4,60 bilhões de litros em 12 meses.
Inicialmente, a mudança de E27 para E30 deveria elevar a demanda em 1,65 bilhão de litros, mas o aquecimento no consumo de gasolina levou a projeção a subir para 2,76 bilhões de litros.
Com o redirecionamento do mix produtivo para o etanol, as exportações brasileiras de açúcar devem sofrer queda significativa na safra 2026/27.
A projeção da Safras & Mercado indica recuo de quase 15% nos embarques, que devem passar de 33,8 milhões de toneladas para cerca de 29 milhões.
O cenário projetado para a safra 2026/27 indica uma mudança estratégica das usinas, com maior concentração na produção de etanol, impulsionada por demanda interna aquecida e maior competitividade frente ao açúcar no mercado internacional.
Esse movimento reforça o papel do Brasil como protagonista global na produção de biocombustíveis, ao mesmo tempo em que ajusta sua participação no mercado internacional de açúcar.
Mais etanol e menos açúcar
Ainda de acordo com Safras & Mercado, a produção brasileira de cana-de-açúcar deve alcançar 677,7 milhões de toneladas na safra 2026/27, o que representa crescimento de 3,15% em relação ao ciclo anterior, quando foram colhidas 657 milhões de toneladas.
A região Centro-Sul, principal polo produtor do país, deve concentrar o avanço da safra, com moagem estimada em 620 milhões de toneladas, alta de 3,7%.
Já nas regiões Norte e Nordeste, a previsão é de retração de 2,2%, com processamento total de 57,7 milhões de toneladas na temporada 2026/27.
Apesar do aumento na moagem, a produção de açúcar no Brasil deve recuar 7,36%, totalizando 40,3 milhões de toneladas.
A redução está diretamente ligada à mudança no mix de produção das usinas, que tendem a priorizar o etanol diante de condições de mercado mais favoráveis ao biocombustível.
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