Safra 2026/27 de cana cresce, mas usinas devem priorizar etanol

Publicado em 15/04/2026 12:14 e atualizado em 15/04/2026 14:45
Com maior demanda interna e petróleo em alta, setor sucroenergético muda estratégia e amplia foco no biocombustível.

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A safra brasileira de cana-de-açúcar 2026/27, iniciada em abril, deve alcançar 677,7 milhões de toneladas, crescimento de 3,15% em relação ao ciclo anterior. Apesar da expansão moderada no campo, o destaque desta temporada não está apenas no volume, mas na mudança de estratégia das usinas, que devem priorizar a produção de etanol em detrimento do açúcar.

De acordo com projeções da Safras & Mercado, a fabricação de açúcar pode recuar mais de 7% na nova safra, enquanto a produção de etanol, considerando cana e milho, tende a crescer de forma expressiva, podendo atingir cerca de 43 bilhões de litros, frente aos aproximadamente 37 bilhões registrados atualmente.

Esse movimento é impulsionado principalmente pelo aumento da demanda interna por biocombustíveis. A elevação da mistura obrigatória de etanol na gasolina, que passou de 27% para 30%, tem papel central nessa dinâmica. Há ainda a expectativa de avanço para 35% até o fim do terceiro trimestre, conforme testes técnicos conduzidos pelo governo.

Segundo analistas do setor, cada ponto percentual adicional na mistura representa um incremento significativo no consumo. A estimativa é de que um aumento de 1 ponto percentual gere demanda adicional de cerca de 920 milhões de litros de etanol por ano.

Petróleo

Além da política doméstica, o cenário internacional também reforça a competitividade do biocombustível. A alta do petróleo, em meio às tensões no Oriente Médio, elevou o preço do barril de cerca de US$ 70 para níveis que chegaram a oscilar entre US$ 110 e US$ 120 nas últimas semanas.

O etanol tem atuado como um importante amortecedor de preços no Brasil. Dados da Agência Nacional do Petróleo indicam que o preço médio do etanol no país chegou a R$ 4,72 por litro no fim de março, com variações mais moderadas em comparação à gasolina e ao diesel.
Especialistas destacam que a política de mistura de biocombustíveis ajuda a reduzir a dependência de combustíveis fósseis e a suavizar os impactos de choques externos. Atualmente, o Brasil é o país que mais adiciona etanol à gasolina no mundo.

Com a escalada do petróleo, esse efeito tem se tornado ainda mais evidente. Enquanto mercados internacionais registraram aumentos mais expressivos nos combustíveis, o avanço dos preços no Brasil foi relativamente mais contido, refletindo a presença do etanol e também do biodiesel na matriz energética.

Por outro lado, a maior destinação de cana para o etanol deve reduzir a disponibilidade de açúcar no mercado, o que pode influenciar a dinâmica global da commodity ao longo da safra.
 

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Por:
Andréia Marques | Instagram @andreia.marques
Fonte:
Notícias Agrícolas

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