Centro de pesquisa inaugura unidade inédita de sementes sintéticas e aposta em nova era de produção de cana no Brasil
O Centro de Tecnologia Canavieira inaugurou nesta quarta-feira (16), em Piracicaba (SP), a primeira Unidade de Produção de Sementes (UPS) de cana-de-açúcar do Brasil, marcando um novo avanço tecnológico no setor sucroenergético e uma possível mudança no modelo produtivo da cultura no país.
Com investimento superior a R$ 100 milhões e parceria com a FINEP, a estrutura viabiliza a produção em escala de sementes sintéticas, uma tecnologia que substitui o plantio tradicional por mudas por um sistema mais leve, padronizado e com maior precisão operacional.
Segundo o CEO do CTC, Cesar Barros, a inauguração representa um novo momento para o setor. “Hoje marca o início de uma nova fase para o setor sucroenergético. A nossa visão de dobrar a produtividade dos canaviais brasileiros se materializa ainda mais com resultados concretos no campo”, afirmou.
Mudança no plantio
Atualmente, o plantio de cana-de-açúcar demanda cerca de 16 toneladas de material por hectare. Com a adoção das sementes sintéticas, esse volume pode ser reduzido para aproximadamente 400 quilos por hectare, gerando impacto direto na logística, no custo operacional e na eficiência do plantio.
Outro ponto destacado é a eliminação da necessidade de viveiros, o que pode liberar até 5% da área agrícola hoje destinada à produção de mudas, o equivalente a cerca de 500 mil hectares no Brasil.
Além disso, a tecnologia promete maior controle sanitário, redução do risco de disseminação de pragas e doenças, além de mais uniformidade nos canaviais e maior velocidade na adoção de novas variedades.
Impactos econômicos e ambientais
Além dos ganhos operacionais, a tecnologia também pode trazer benefícios ambientais, como redução no consumo de diesel, menor compactação do solo e diminuição da pegada de carbono da produção.
Na avaliação do CTC, a inovação pode fortalecer a competitividade do Brasil no mercado global de açúcar e etanol, ampliando a oferta de matéria-prima e contribuindo para o avanço da bioenergia.
A expectativa agora é de que a adoção da tecnologia ocorra de forma gradual, com desafios relacionados à escala, custo e adaptação às diferentes regiões produtoras.
Da pesquisa à escala
A UPS foi desenvolvida ao longo de 15 meses e possui área de 10 mil metros quadrados, com capacidade inicial para atender até 500 hectares por ano em operação de turno único, com potencial de expansão.
A unidade funciona como elo entre pesquisa e aplicação comercial, consolidando mais de uma década de estudos. A tecnologia de sementes sintéticas vem sendo desenvolvida pelo CTC desde 2013, envolvendo cerca de 150 especialistas e investimentos que chegam a R$
1 bilhão até a fase de lançamento.
“O que estamos construindo é um novo sistema produtivo para a cana-de-açúcar. Ao integrar genética, biotecnologia, manejo e um novo sistema de plantio, saímos de ganhos incrementais e passamos a operar em outro patamar de produtividade”, destacou Barros.
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