Açúcar sobe e atinge máxima de um mês com apoio da gasolina e do real valorizado

Publicado em 05/05/2026 16:23 e atualizado em 05/05/2026 17:20
Mercado reage à maior demanda por etanol, aliado ao câmbio e ao déficit global

As cotações do açúcar encerraram a terça-feira em alta, atingindo o maior nível em um mês nas bolsas internacionais. O avanço foi registrado tanto em Nova Iorque quanto em Londres, impulsionado por fatores como o fortalecimento do real , preocupações com a oferta global e a valorização recente da gasolina,

Na bolsa de Nova Iorque, o contrato com vencimento em julho subiu 80 pontos, negociado a 15,37 cents de dólar por libra-peso. Já em Londres, o contrato para agosto avançou 570 pontos, cotado a US$ 452,20 por tonelada.

Gasolina impulsiona o mercado

Um dos principais fatores de sustentação dos preços é a recente alta da gasolina, que atingiu o maior nível em quase quatro anos. Esse movimento tende a favorecer o etanol, tornando sua produção mais atrativa. Apesar da acomodação nesta terça-feira (05), na semana passada,  o combustível registrou alta de cerca de 3% nos preços, fator que impacta diretamente o setor sucroenergético

Com isso, usinas ao redor do mundo passam a direcionar uma parcela maior da cana-de-açúcar para a fabricação de biocombustível, reduzindo a produção de açúcar e, consequentemente, a oferta global da commodity.

Real valorizado limita exportações

Outro fator relevante é a valorização do real frente ao dólar. A moeda brasileira atingiu na terça-feira o maior patamar em pouco mais de 2 anos, o que desestimula as exportações de açúcar por parte dos produtores brasileiros.

Esse cenário contribui para a redução da oferta no mercado internacional, dando suporte adicional aos preços.

Preocupação com a oferta global

As perspectivas de menor oferta também seguem no radar dos investidores. A consultoria Green Pool Commodity Specialists revisou recentemente sua estimativa de déficit global de açúcar para a safra 2026/27, ampliando de 1,66 milhão para 4,30 milhões de toneladas.

A revisão reflete, principalmente, a expectativa de maior produção de etanol em detrimento do açúcar.

No Brasil, dados reforçam esse cenário. Segundo a Unica, a produção de açúcar na região Centro-Sul na primeira quinzena de abril da safra 2026/27 caiu 11,9% em relação ao mesmo período do ano anterior, totalizando 647 milhões de toneladas. No mesmo intervalo, a destinação da cana para produção de açúcar recuou de 44,7% para 32,9%.

Já a Conab projeta uma leve queda de 0,5% na produção brasileira de açúcar na safra 2026/27, estimada em 43,95 milhões de toneladas. Em contrapartida, a produção de etanol deve crescer 7,2%, alcançando 29,26 bilhões de litros.


 

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Por:
Andréia Marques
Fonte:
Notícias Agrícolas

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