Açúcar encerra sessão sem direção única com clima e petróleo no radar
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Os preços do açúcar encerraram a sessão desta quarta-feira (24) sem direção única nas bolsas internacionais. Em Nova Iorque o mercado fechou praticamente estável após recuperar parte das perdas ao longo do dia, enquanto em Londres as cotações avançaram apoiadas pelas preocupações com a oferta global da commodity.
O contrato julho do açúcar bruto na ICE de Nova Iorque encerrou o pregão próximo da estabilidade. Durante a sessão, os contratos chegaram a registrar recuperação, com o vencimento outubro avançando até 7 pontos, negociado a 14,02 cents por libra-peso.
Em Londres, o desempenho foi mais positivo. O contrato agosto do açúcar branco fechou cotado a US$ 444,30 por tonelada, alta de 320 pontos em relação ao fechamento anterior.
O principal fator de sustentação para os preços continua sendo o clima na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar. Dados divulgados nesta quarta-feira pelo Departamento Meteorológico da Índia mostram que o acumulado de chuvas da temporada de monções estava 42% abaixo da média histórica até 24 de junho.
O período de monções, que se estende de junho a setembro, é fundamental para o desenvolvimento da cana-de-açúcar no país. Com a persistência do déficit hídrico, aumentam as preocupações sobre possíveis impactos na produção indiana e, consequentemente, na oferta global da commodity.
Apesar desse suporte, os ganhos foram limitados pela queda dos preços do petróleo. O contrato WTI atingiu os menores níveis em cerca de três meses e meio, pressionando o mercado de etanol. Com um cenário menos favorável para o biocombustível, cresce a expectativa de que usinas ao redor do mundo ampliem a produção de açúcar em detrimento do etanol, aumentando a disponibilidade do adoçante no mercado internacional.
Além disso, o mercado segue monitorando os efeitos da reabertura do Estreito de Ormuz. A normalização da importante rota marítima reduz os riscos de interrupções no comércio global e tende a diminuir custos de frete, seguros e combustíveis, fator considerado baixista para as commodities agrícolas.
No lado dos fundamentos, os números da safra brasileira continuam oferecendo suporte às cotações. Dados da Unica mostram que a produção de açúcar do Centro-Sul na safra 2026/27 somou 6,84 milhões de toneladas até o final de maio, volume 2% inferior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior.
A entidade também destacou uma mudança significativa no mix das usinas. A participação da cana destinada à produção de açúcar caiu para 41,42%, contra 50,09% um ano antes. Em contrapartida, a parcela direcionada ao etanol aumentou para 58,58%, refletindo a maior atratividade do biocombustível.
Outro fator de sustentação veio da consultoria Czarnikow, que revisou sua estimativa para o balanço global de açúcar da safra 2026/27. A projeção passou de um superávit de 1,4 milhão de toneladas para um déficit de 100 mil toneladas, diante da expectativa de maior produção de etanol pelas usinas brasileiras.
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