Açúcar fecha sem direção única entre Nova Iorque e Londres; mercado acompanha Índia e projeções de déficit global
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Os preços do açúcar encerraram o pregão desta quarta-feira (29) sem direção única nas principais bolsas internacionais. Em Nova Iorque, os contratos recuaram e atingiram o menor patamar em cerca de uma semana e meia, pressionados pela melhora das chuvas de monção na Índia. Em Londres, por outro lado, as cotações avançaram, sustentadas pelas novas projeções de déficit global e pela valorização do petróleo.
Na Bolsa de Nova Iorque (ICE Futures US), o contrato outubro fechou cotado a 14,50 cents de dólar por libra-peso, com queda de 5 pontos. Já na Bolsa de Londres (ICE Europe), o contrato outubro do açúcar branco encerrou o dia a US$ 458,40 por tonelada, alta de 160 pontos.
Melhora das chuvas na Índia pressiona o mercado
O principal fator de pressão sobre as cotações continua sendo a recuperação das chuvas de monção na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar.
De acordo com o Departamento Meteorológico indiano, o déficit acumulado de precipitações caiu para 15% abaixo da média histórica até 29 de julho, avanço expressivo em relação aos 42% registrados no fim de junho. A melhora das condições climáticas reforça as expectativas de uma safra maior no país e reduz parte das preocupações com a oferta global da commodity.
Apesar da recuperação das chuvas, o Ministério de Ciências da Terra da Índia mantém o alerta de que a atual temporada de monções pode ser a mais fraca dos últimos 11 anos. Como o período entre junho e setembro é decisivo para o desenvolvimento da cana-de-açúcar, o comportamento do clima segue no radar dos investidores.
Déficit global e petróleo limitam as perdas
Ao longo da sessão, o mercado reduziu parte das perdas após novas revisões nas estimativas para o balanço global de açúcar.
A consultoria Green Pool Commodity Specialists elevou sua projeção de déficit mundial na safra 2026/27 para 3,3 milhões de toneladas, acima da estimativa de 1,76 milhão de toneladas divulgada em junho. Na véspera, a StoneX também revisou sua previsão, passando a estimar um déficit de 1,7 milhão de toneladas, ante 550 mil toneladas projetadas anteriormente.
Outro fator de sustentação veio do mercado de energia. O petróleo WTI avançou mais de 6% na sessão, aumentando a competitividade do etanol. Com isso, cresce a expectativa de que as usinas direcionem uma parcela maior da cana para a produção do biocombustível, reduzindo a oferta de açúcar no mercado internacional.
Mercado interno
No mercado físico brasileiro, os preços do açúcar cristal branco seguem oscilando no estado de São Paulo. Segundo pesquisadores do Cepea, os compradores continuam cautelosos e aguardam possíveis recuos nas cotações diante da expectativa de maior disponibilidade do produto, mantendo os negócios em ritmo pontual.
O Cepea também destaca que o El Niño tende a favorecer o desenvolvimento dos canaviais no Centro-Sul, com previsão de chuvas mais frequentes ao longo do segundo semestre, o que pode beneficiar a produtividade tanto no restante da safra 2026/27 quanto na próxima temporada.
Por outro lado, o excesso de precipitações pode atrasar a colheita e limitar o avanço do ATR (Açúcar Total Recuperável), principalmente a partir de setembro, período em que os efeitos do fenômeno climático devem se tornar mais evidentes.
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