Açúcar opera em queda nas bolsas com mercado atento às chuvas na Índia e à oferta global

Publicado em 30/07/2026 12:19
Melhora das monções reforça expectativa de safra maior no segundo maior produtor mundial, enquanto projeções de déficit global limitam um recuo mais intenso das cotações.

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Os preços do açúcar voltam a operar em baixa nas principais bolsas internacionais nesta quinta-feira (30). O mercado segue pressionado pela melhora das condições climáticas na Índia, que reforça as perspectivas de uma produção maior no país. Ao mesmo tempo, as revisões para um déficit global de açúcar e a valorização recente do petróleo continuam oferecendo sustentação às cotações, evitando perdas mais expressivas.

Por volta das 12h (horário de Brasília), na Bolsa de Nova Iorque (ICE Futures US), o contrato outubro era negociado a 14,45 cents de dólar por libra-peso, queda de 5 pontos. O contrato março/27 era vendido a 15,35 cents por libra-peso, também com recuo de 5 pontos.
Na Bolsa de Londres (ICE Europe), o contrato outubro do açúcar branco era comercializado a US$ 458,30 por tonelada, baixa de 100 pontos.

O contrato dezembro era negociado a US$ 457,90 por tonelada, recuo de 300 pontos.

Chuvas na Índia seguem pressionando o mercado

O principal fator de pressão continua sendo a recuperação das chuvas de monção na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar.
Dados do Departamento Meteorológico indiano mostram que o déficit acumulado de precipitações caiu para 15% abaixo da média histórica até 29 de julho, uma melhora significativa frente aos 42% registrados no fim de junho. Esse cenário fortalece as expectativas de uma safra mais robusta e reduz parte das preocupações com a oferta global da commodity.

Apesar da evolução das chuvas, o Ministério de Ciências da Terra da Índia mantém o alerta de que a temporada de monções poderá ser a mais fraca dos últimos 11 anos. Como o período entre junho e setembro é determinante para o desenvolvimento da cana-de-açúcar, o comportamento do clima segue sendo acompanhado de perto pelos agentes do mercado.

Déficit global limita perdas

Embora a perspectiva de maior produção na Índia pressione as cotações, o mercado continua encontrando suporte nas revisões para o balanço global de açúcar.

A Green Pool Commodity Specialists elevou sua projeção de déficit mundial na safra 2026/27 para 3,3 milhões de toneladas, acima da estimativa de 1,76 milhão de toneladas divulgada em junho. Já a StoneX revisou sua previsão para um déficit de 1,7 milhão de toneladas, frente aos 550 mil toneladas projetados anteriormente.

Além disso, a valorização recente do petróleo reforça a competitividade do etanol e pode estimular as usinas a direcionarem uma parcela maior da cana para a produção do biocombustível, reduzindo a oferta de açúcar no mercado internacional.

Mercado interno

No mercado físico brasileiro, os preços do açúcar cristal branco seguem oscilando em São Paulo. Segundo pesquisadores do Cepea, os compradores permanecem cautelosos e aguardam possíveis recuos nas cotações diante da expectativa de maior disponibilidade do produto, mantendo os negócios em ritmo pontual.

O Cepea também destaca que o El Niño tende a favorecer o desenvolvimento dos canaviais no Centro-Sul, com chuvas mais frequentes previstas para o segundo semestre, o que pode beneficiar a produtividade tanto no restante da safra 2026/27 quanto na temporada seguinte.
Por outro lado, o excesso de precipitações pode atrasar a colheita e limitar o avanço do ATR (Açúcar Total Recuperável), principalmente a partir de setembro, período em que os efeitos do fenômeno climático devem se tornar mais evidentes.

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Por:
Andréia Marques
Fonte:
Notícias Agrícolas

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