Açúcar fecha em baixa com clima favorável na Índia no radar dos investidores
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Os preços do açúcar encerraram o pregão desta quinta-feira (30) em queda nas principais bolsas internacionais. O mercado foi pressionado pela melhora das chuvas de monção na Índia, que reforça as perspectivas de uma produção maior no segundo maior produtor mundial da commodity. Apesar disso, as perdas foram limitadas pelas revisões nas projeções de déficit global e pelas incertezas climáticas relacionadas ao El Niño.
Na Bolsa de Nova Iorque (ICE Futures US), o contrato outubro fechou cotado a 14,43 cents de dólar por libra-peso, queda de 7 pontos. Em Londres (ICE Europe), o contrato outubro do açúcar branco encerrou o dia a US$ 456,70 por tonelada, recuo de 170 pontos.
Melhora das chuvas na Índia pressiona as cotações
O principal fator de baixa continua sendo a recuperação das chuvas de monção na Índia. Segundo o Departamento Meteorológico do país, o déficit acumulado de precipitações caiu para 15% abaixo da média histórica até 29 de julho, uma melhora significativa frente aos 42% registrados no fim de junho.
O avanço das chuvas fortalece a expectativa de uma safra mais robusta de cana-de-açúcar e reduz parte das preocupações com a oferta global da commodity. Ainda assim, o Ministério de Ciências da Terra da Índia mantém o alerta de que esta poderá ser a temporada de monções mais fraca dos últimos 11 anos. Como o período entre junho e setembro é decisivo para o desenvolvimento da cultura, o mercado continua monitorando atentamente a evolução das condições climáticas.
Déficit global e El Niño seguem dando suporte ao mercado
Embora as perspectivas para a produção indiana tenham pressionado as cotações, o mercado segue encontrando sustentação nas revisões para o balanço mundial de açúcar.
Na quarta-feira, a Green Pool Commodity Specialists elevou sua estimativa de déficit global para a safra 2026/27 para 3,3 milhões de toneladas, acima da projeção de 1,76 milhão de toneladas divulgada em junho. Já a StoneX revisou, nesta semana, sua previsão para um déficit de 1,7 milhão de toneladas, frente aos 550 mil toneladas estimados anteriormente.
Os investidores também continuam atentos aos possíveis impactos do El Niño sobre a produção mundial. O fenômeno pode reduzir as chuvas em importantes regiões produtoras, como Brasil, Índia e Tailândia, comprometendo a produtividade dos canaviais e restringindo a oferta global.
No início do mês, o Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos informou que o El Niño, formado recentemente no Oceano Pacífico Equatorial, pode se tornar um dos episódios mais intensos das últimas décadas. Ao mesmo tempo, o serviço meteorológico da Índia reduziu sua previsão para as chuvas da temporada de monções para 90% da média histórica, abaixo dos 92% projetados anteriormente.
Mercado interno
No mercado físico brasileiro, os preços do açúcar cristal branco seguem oscilando no estado de São Paulo. Segundo pesquisadores do Cepea, os compradores permanecem cautelosos e aguardam possíveis recuos nas cotações diante da expectativa de maior disponibilidade do produto, mantendo os negócios em ritmo pontual.
O Cepea destaca ainda que o El Niño tende a favorecer o desenvolvimento dos canaviais no Centro-Sul, com previsão de chuvas mais frequentes durante o segundo semestre, o que pode beneficiar a produtividade tanto no restante da safra 2026/27 quanto na próxima temporada.
Por outro lado, o excesso de precipitações pode atrasar a colheita e limitar o avanço do ATR (Açúcar Total Recuperável), especialmente a partir de setembro, quando os efeitos do fenômeno climático devem se intensificar.
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