Açúcar reage e opera em alta nas bolsas após sequência de perdas; mercado segue atento à oferta global
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Os preços do açúcar operam em alta nas principais bolsas internacionais nesta sexta-feira (31), recuperando parte das perdas registradas na sessão anterior.
Por volta das 11h (horário de Brasília), na Bolsa de Nova Iorque (ICE Futures US), o contrato outubro registrava alta de 23 pontos, cotado a 14,66 cents de dólar por libra-peso. O contrato março/27 avançava 21 pontos, para 15,54 cents por libra-peso.
Na Bolsa de Londres (ICE Europe), o contrato outubro do açúcar branco era negociado a US$ 461,60 por tonelada, alta de 490 pontos. O contrato dezembro subia 530 pontos, para US$ 461,80 por tonelada.
Clima na Índia continua no radar
Apesar da recuperação das cotações nesta sexta-feira, o mercado segue acompanhando de perto as condições climáticas na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar.
Na sessão anterior, os preços foram pressionados pela melhora das chuvas de monção. Segundo o Departamento Meteorológico da Índia, o déficit acumulado de precipitações caiu para 15% abaixo da média histórica até 29 de julho, avanço significativo em relação aos 42% registrados no fim de junho.
A recuperação das chuvas fortalece a expectativa de uma safra mais robusta de cana-de-açúcar e reduz parte das preocupações com a oferta global. Ainda assim, o Ministério de Ciências da Terra da Índia mantém o alerta de que a atual temporada de monções poderá ser a mais fraca dos últimos 11 anos, mantendo o mercado atento ao comportamento do clima até o fim do período chuvoso.
Déficit global e El Niño sustentam as cotações
Mesmo com a melhora das perspectivas para a safra indiana, os fundamentos de oferta continuam dando suporte ao mercado.
A Green Pool Commodity Specialists elevou sua projeção de déficit global de açúcar na safra 2026/27 para 3,3 milhões de toneladas, acima da estimativa de 1,76 milhão de toneladas divulgada em junho. A StoneX também revisou suas projeções e passou a estimar um déficit de 1,7 milhão de toneladas, ante os 550 mil toneladas previstos anteriormente.
Além disso, os investidores seguem monitorando os possíveis impactos do El Niño sobre a produção mundial. O fenômeno pode reduzir as chuvas em importantes regiões produtoras, como Brasil, Índia e Tailândia, comprometendo o desenvolvimento dos canaviais e restringindo a oferta global da commodity.
No início do mês, o Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos informou que o El Niño poderá se tornar um dos eventos mais intensos das últimas décadas. Paralelamente, o serviço meteorológico da Índia reduziu sua estimativa para as chuvas da temporada de monções para 90% da média histórica, abaixo dos 92% projetados anteriormente.
Mercado interno
No mercado físico brasileiro, os preços do açúcar cristal branco continuam oscilando em São Paulo. Segundo pesquisadores do Cepea, os compradores permanecem cautelosos e aguardam possíveis recuos nas cotações diante da expectativa de maior disponibilidade do produto, o que mantém os negócios em ritmo pontual.
O Cepea avalia que o El Niño tende a favorecer o desenvolvimento dos canaviais no Centro-Sul, com previsão de chuvas mais frequentes durante o segundo semestre, cenário que pode beneficiar a produtividade tanto na reta final da safra 2026/27 quanto na temporada seguinte.
Por outro lado, o excesso de precipitações poderá atrasar os trabalhos de colheita e limitar o avanço do ATR (Açúcar Total Recuperável), especialmente a partir de setembro, quando os efeitos do fenômeno climático devem se tornar mais evidentes.
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