Açúcar fecha em alta com suporte do clima na Índia e expectativa de déficit global

Publicado em 31/07/2026 16:14
Cotações avançam com atenção às chuvas na Índia, riscos associados ao El Niño e projeções de um mercado global mais apertado na safra 2026/27.

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Os preços do açúcar encerraram a sexta-feira (31) em alta nas bolsas internacionais, recuperando parte das perdas recentes, sustentados pelas preocupações com a oferta global da commodity diante dos riscos climáticos e das novas projeções de déficit para a safra 2026/27.

Na Bolsa de Nova Iorque (ICE Futures US), o contrato outubro fechou negociado a 14,66 cents por libra-peso, com alta de 23 pontos. Em Londres, o açúcar branco para outubro encerrou o pregão com avanço de 490 pontos, cotado a US$ 461,60 por tonelada.

O mercado encontrou suporte principalmente nas incertezas relacionadas ao clima na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar. O Departamento Meteorológico do país informou nesta sexta-feira que as chuvas de monção previstas para agosto e setembro devem ficar abaixo da média. O Ministério de Ciências da Terra também mantém o alerta de que a temporada de monções deste ano pode ser a mais fraca em 11 anos.

Apesar da melhora recente nas precipitações, o comportamento das chuvas continua sendo acompanhado pelos investidores. Até 31 de julho, o acumulado de chuvas de monção na Índia estava 13% abaixo da média histórica, uma recuperação significativa em relação ao déficit de 42% registrado no fim de junho.

A melhora das chuvas havia pressionado as cotações nos últimos dias ao elevar as expectativas de uma produção maior no país. Na quinta-feira, o açúcar em Nova Iorque chegou a testar a mínima de um mês, refletindo a perspectiva de maior disponibilidade da commodity no mercado internacional.

El Niño mantém preocupação com oferta global

Além das condições climáticas na Índia, os investidores seguem atentos aos possíveis impactos do fenômeno El Niño sobre a produção mundial de açúcar. O evento climático pode reduzir os volumes de chuva em importantes regiões produtoras, como Brasil, Índia e Tailândia, aumentando os riscos para a oferta global.

No início de julho, o Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos indicou que o El Niño formado no Pacífico Equatorial poderia estar entre os episódios mais intensos das últimas décadas. O serviço meteorológico indiano também reduziu sua previsão de chuvas para a temporada de monções, estimando agora acumulados equivalentes a 90% da média histórica, ante 92% previstos anteriormente.

Mercado deve entrar em déficit em 2026/27

Uma pesquisa da Reuters com 11 operadores e analistas aponta que os contratos futuros do açúcar bruto na ICE devem encerrar o ano próximos de 15 centavos de dólar por libra-peso, cerca de 4% acima dos níveis atuais.

Segundo a sondagem, o mercado deve sair de um superávit global estimado em 4,78 milhões de toneladas na safra 2025/26 para um déficit de aproximadamente 800 mil toneladas em 2026/27.

“Com as perdas relacionadas ao clima já evidentes e as condições adversas no Hemisfério Norte previstas para se intensificarem devido ao El Niño, projeta-se que o balanço global do açúcar passe a apresentar déficit em 2026/27”, afirmou a analista da Hedgepoint, Livea Coda.

Para o Centro-Sul do Brasil, os participantes da pesquisa estimam uma produção de açúcar de 40 milhões de toneladas na safra 2026/27, ligeiramente abaixo dos 40,43 milhões de toneladas registrados no ciclo anterior.

Embora a moagem de cana esteja projetada para crescer, chegando a 638 milhões de toneladas, a expectativa é de menor direcionamento da matéria-prima para o açúcar. A previsão indica que cerca de 47% da cana será destinada ao adoçante, abaixo dos aproximadamente 50,3% da safra 2025/26, refletindo maior participação do etanol no mix das usinas.

Para a Índia, a estimativa mediana da pesquisa aponta produção de 29,4 milhões de toneladas de açúcar na próxima safra, acima das 28,1 milhões de toneladas previstas para 2025/26.

Já os contratos de açúcar branco em Londres devem encerrar o ano em torno de US$ 479 por tonelada, alta anual projetada de aproximadamente 12%.


 

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Por:
Andréia Marques
Fonte:
Notícias Agrícolas

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