Açúcar fecha em forte alta e Nova Iorque atinge maior valor em 15 meses
![]()
Os preços do açúcar fecharam em forte alta nesta terça-feira (18) nas bolsas internacionais, ampliando a valorização acumulada em agosto. Em Nova Iorque, a cotação atingiu o maior nível em 15 meses, enquanto em Londres o açúcar branco alcançou a maior marca em 16 meses, diante das perspectivas de uma oferta global mais apertada.
Em Nova Iorque, o contrato de outubro fechou em alta de 60 pontos, a 17,47 cents por libra-peso. Em Londres, o contrato de outubro avançou 165 pontos, para US$ 539,50 por tonelada.
Índia avalia reduzir tarifa de importação
A alta ganhou força após a Bloomberg informar que a Índia avalia reduzir as tarifas de importação de açúcar para ampliar a oferta doméstica e conter os preços antes do esperado aumento do consumo durante a temporada de festas.
A possibilidade de a Índia recorrer a importações reforça a percepção de um mercado global mais apertado. O país, segundo maior produtor mundial de açúcar, não realiza compras externas em volumes significativos desde a safra 2017/18.
Ao mesmo tempo, as condições climáticas continuam no radar. O Departamento Meteorológico da Índia informou na segunda-feira que o acumulado de chuvas de monção entre junho e setembro estava 13% abaixo da média até 17 de agosto. Apesar da melhora em relação ao déficit de 42% registrado até 30 de junho, o órgão havia previsto que as precipitações em agosto e setembro ficariam abaixo da média.
Déficit global sustenta preços
As cotações também são sustentadas por sucessivas revisões nas estimativas para o balanço global de açúcar.
A Covrig Analytics passou a projetar um déficit de 300 mil toneladas na safra 2026/27, revertendo a previsão anterior de superávit de 100 mil toneladas.
A Green Pool Commodity Specialists elevou sua estimativa de déficit para 3,3 milhões de toneladas, ante 1,76 milhão de toneladas anteriormente. Já a StoneX passou a projetar um déficit de 1,7 milhão de toneladas, acima dos 550 mil toneladas estimados em maio.
A Czarnikow também revisou sua projeção para 2026/27, de um superávit de 1,4 milhão de toneladas para um déficit de 100 mil toneladas, em um cenário de maior direcionamento da cana brasileira para a produção de etanol.
Para a safra seguinte, a perspectiva também é de aperto. Na última sexta-feira, a Czarnikow estimou um déficit global de 2,9 milhões de toneladas em 2027/28. A produção mundial deve recuar 0,7%, para 177 milhões de toneladas, principalmente devido a problemas climáticos na Índia, União Europeia e Tailândia e à redução do plantio de cana e beterraba.
Produção de açúcar recua no Centro-Sul
Dados do Ministério da Agricultura, antecipados pela Reuters, mostraram que a moagem de cana no Centro-Sul caiu 8,4% na segunda quinzena de julho, para 46,08 milhões de toneladas, na comparação anual.
A produção de açúcar recuou ainda mais, 17,6%, para 3 milhões de toneladas. Em contrapartida, a produção de etanol cresceu 2,8%, para 2,39 bilhões de litros, indicando maior direcionamento da matéria-prima para o biocombustível.
Os números antecedem os dados que serão divulgados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA) para julho.
No acumulado da safra 2026/27 até o fim de julho, a moagem do Centro-Sul chegou a 313,21 milhões de toneladas, alta de 2,1% sobre o mesmo período da temporada anterior. Apesar do maior volume processado, a produção de açúcar caiu 12,4%, para 16,92 milhões de toneladas.
Já a produção acumulada de etanol avançou 16%, para 16,34 bilhões de litros. Os estoques disponíveis do biocombustível no Centro-Sul somavam 5,79 bilhões de litros em 31 de julho, aumento de 28,2% em relação ao mesmo período de 2025.
0 comentário
Açúcar fecha em forte alta e Nova Iorque atinge maior valor em 15 meses
Etanol e biometano ampliam espaço na descarbonização do transporte no Brasil
Fenasucro & Agrocana encerra 32ª edição com movimentação de R$ 14,1 bilhões em negócios
Perspectivas de déficit para o açúcar impulsionam cotações e fazem Índia mudar o tom
Açúcar avança nas bolsas internacionais e Nova Iorque supera 17 cents
Etanol/Cepea: Maior firmeza das usinas eleva preços em SP