Açúcar dispara em Nova Iorque e Londres com clima e oferta no radar
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Os preços do açúcar operam em forte alta nas bolsas internacionais nesta segunda-feira (5), ampliando os ganhos registrados na última sessão. O mercado acompanha principalmente os riscos climáticos nas principais regiões produtoras e as perspectivas de uma oferta global mais apertada nas próximas temporadas.
Por volta das 12h30 (horário de Brasília), o contrato de açúcar bruto para março de 2027 em Nova Iorque subia 80 pontos, negociado a 20,73 centavos de dólar por libra-peso.
Em Londres, o contrato de açúcar branco para março de 2027 avançava 175 pontos, cotado a US$ 562,80 por tonelada.
Clima no Brasil mantém pressão sobre a oferta
A forte valorização dá sequência ao movimento observado na sexta-feira (2), quando o açúcar em Nova Iorque atingiu a maior cotação em cerca de um ano e meio, enquanto Londres alcançou o maior nível em duas semanas e meia.
Na ocasião, a previsão de chuvas para o Centro-Sul do Brasil ganhou destaque entre os fatores de suporte aos preços. A região concentra a maior parte da produção de cana do país, e novas chuvas podem dificultar as operações de colheita e moagem nas usinas.
O mercado teme que a interrupção das atividades reduza a disponibilidade de açúcar no curto prazo, especialmente em um momento em que os dados de produção brasileira já apontam para uma oferta menor.
A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) informou em agosto que a produção de açúcar no Centro-Sul havia recuado 26,3% em junho, para 3,903 milhões de toneladas.
Além da menor moagem, o maior direcionamento de cana para a produção de etanol também pode limitar a oferta de açúcar.
Déficit global volta ao radar
As perspectivas para o balanço mundial também ajudam a sustentar as cotações.
A Organização Internacional do Açúcar (ISO) projeta déficit global de 200 mil toneladas em 2026/27, depois de um superávit estimado em 1,1 milhão de toneladas na temporada 2025/26.
A Covrig Analytics trabalha com um déficit de 300 mil toneladas para 2026/27, enquanto a Czarnikow estima um déficit ainda maior, de 2,9 milhões de toneladas em 2027/28.
Para a Czarnikow, a redução da oferta estará relacionada, entre outros fatores, ao maior direcionamento da cana brasileira para o etanol. A consultoria prevê queda de 0,7% na produção mundial de açúcar em 2027/28, para 177 milhões de toneladas.
El Niño aumenta as incertezas
O clima também preocupa em outras regiões produtoras. A possibilidade de um El Niño de forte intensidade aumenta as incertezas sobre a produção de açúcar no Brasil, na Índia e na Tailândia.
O Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos avaliou que o fenômeno surgido no Pacífico equatorial poderia estar entre os eventos mais fortes registrados em mais de 75 anos.
Na Tailândia, a Thai Sugar Millers Corp. estima que a produção de açúcar em 2026/27 possa cair 17%, para aproximadamente 10 milhões de toneladas. O país é o segundo maior exportador mundial da commodity.
Índia registra chuvas abaixo da média
Na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar, o comportamento das chuvas também chama a atenção.
O Departamento Meteorológico indiano informou que o acumulado da temporada de monções, entre junho e setembro, ficou 12,6% abaixo da média até 30 de setembro, o menor nível em 11 anos.
Diante das preocupações com o abastecimento, o governo indiano autorizou a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto sem impostos até 31 de outubro.
A medida chama atenção porque a Índia é tradicionalmente uma grande exportadora de açúcar e não recorria a importações significativas desde a safra 2017/18.
Apesar das preocupações atuais, o USDA projeta um superávit de 2,5 milhões de toneladas na Índia em 2026/27.
Oferta recorde ainda limita o aperto imediato
Apesar da forte valorização dos contratos futuros e das projeções de déficit para as próximas temporadas, o mercado ainda carrega a perspectiva de ampla oferta na safra 2025/26.
A ISO estima produção mundial recorde de 182 milhões de toneladas no ciclo, alta de 3,5% sobre a temporada anterior, com superávit global de 1,1 milhão de toneladas.
O excedente, porém, representa uma redução em relação à estimativa anterior de 2,2 milhões de toneladas e ocorre após um déficit de 3,46 milhões de toneladas em 2024/25.
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