Açúcar cai mais de 1% em Nova Iorque e Londres com previsão de tempo seco no Brasil

Clima quente e seco no Centro-Sul deve acelerar a colheita da cana e a moagem nas usinas, aumentando a oferta; fundos também podem ampliar a pressão sobre as cotações após forte alta recente
Publicado em 16/10/2026 16:09 | Atualizado em 16/10/2026 17:18

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Os preços do açúcar fecharam em queda nas bolsas internacionais nesta sexta-feira (16), pressionados pela previsão de tempo quente e seco na próxima semana no Centro-Sul do Brasil, principal região produtora do país. A perspectiva de melhora nas condições para a colheita da cana-de-açúcar favoreceu a liquidação de posições compradas por investidores, após a forte valorização registrada nas últimas semanas.

Na bolsa de Nova Iorque, o contrato de açúcar bruto com vencimento em março de 2027 recuou 28 pontos vendido a 20,85 cents por libra-peso, encerrando a sessão. Em Londres, o açúcar branco para dezembro de 2026 caiu 62 pontos, negociado a US$ 554,90 por tonelada. 

O clima mais seco pode facilitar o avanço da colheita e permitir a retomada da moagem nas usinas do Centro-Sul, elevando a disponibilidade de açúcar no mercado. Nas últimas semanas, as chuvas persistentes na região haviam atrasado os trabalhos no campo e prejudicado o processamento da cana, contribuindo para a alta das cotações.

Outro fator que pode intensificar as quedas é o elevado volume de posições compradas dos fundos de investimento. Dados do relatório semanal de Compromisso dos Traders (COT) indicaram que, na semana encerrada em 6 de outubro, esses agentes ampliaram em 60.442 contratos sua posição comprada líquida no açúcar em Nova Iorque, para 212.559 contratos — o maior nível em mais de três anos.
Esse posicionamento aumenta a possibilidade de movimentos de liquidação caso os investidores passem a apostar em uma correção das cotações. Antes do recuo desta sexta-feira, o açúcar havia acumulado uma forte valorização, com o contrato em Nova Iorque atingindo a máxima em 19 meses na quarta-feira, enquanto Londres havia alcançado o maior patamar em 22 meses na semana passada.

Déficit global mantém atenção sobre a oferta

Apesar da pressão de curto prazo, as perspectivas de redução da oferta mundial continuam no radar dos investidores. Em setembro, a Organização Internacional do Açúcar (ISO) estimou déficit global de 200 mil toneladas para a safra 2026/27, após um superávit projetado de 1,1 milhão de toneladas em 2025/26.

A Covrig Analytics também prevê déficit de 300 mil toneladas em 2026/27, enquanto a StoneX elevou, em agosto, sua estimativa para um saldo negativo de 1,7 milhão de toneladas. As projeções, porém, variam conforme as premissas adotadas para a produção e o consumo mundiais.

No Brasil, a produção menor de açúcar no Centro-Sul tem sido um dos fatores de sustentação dos preços. Dados divulgados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) mostraram que a fabricação do adoçante na região caiu 26,3% em junho, para 3,903 milhões de toneladas.

As condições climáticas também permanecem como ponto de atenção. A Agência Meteorológica do Japão informou que a temperatura da superfície do Pacífico tropical ficou cerca de 4°C acima do normal em setembro, e prevê a continuidade do El Niño até o primeiro trimestre de 2027. O fenômeno pode alterar os padrões de chuva em importantes regiões produtoras, como Brasil, Índia e Tailândia, embora os impactos dependam da distribuição e da intensidade das condições climáticas em cada área.

Na Índia, o acumulado de chuvas de monção entre junho e setembro ficou 12,6% abaixo da média, o menor índice em 11 anos. O país, segundo maior produtor mundial de açúcar, autorizou a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto sem cobrança de imposto até 31 de outubro, em um sinal de preocupação com o abastecimento doméstico.

Para a Tailândia, a Thai Sugar Millers Corp projeta uma queda de 17% na produção em 2026/27, para 10 milhões de toneladas. O país é o segundo maior exportador mundial do produto.
 

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