Raízen usa inteligência artificial para detectar focos de incêndio em 500 mil hectares de cana

Companhia combina câmeras com IA, monitoramento por satélite e dados meteorológicos para antecipar riscos e mobilizar equipes de combate na safra 2026/27
Publicado em 19/10/2026 14:54

A Raízen adotou novas tecnologias para reforçar a prevenção e o combate a incêndios na safra 2026/27. A estratégia combina inteligência artificial (IA), imagens de satélite e dados meteorológicos para detectar focos de fogo precocemente e reduzir o risco de propagação das chamas.

A operação abrange cerca de 500 mil hectares de cana-de-açúcar e também busca proteger áreas ambientais, estradas e comunidades próximas às lavouras.

Coordenada pela Central de Inteligência Agrícola (CIA), em Piracicaba (SP), a estrutura funciona 24 horas por dia e integra a sexta edição da campanha “Quem Ama a Terra, Não Chama o Fogo”.

Entre as principais novidades tecnológicas está a instalação de câmeras de alta definição em torres de vigilância e pontos estratégicos. Integrados à inteligência artificial, os equipamentos utilizam algoritmos de visão computacional para identificar sinais de fumaça e variações térmicas que podem indicar o início de um incêndio.

O monitoramento também reúne imagens de satélite, sensores de campo e informações de 350 estações meteorológicas. Com esses dados, a companhia busca antecipar períodos e áreas de maior risco, direcionar brigadas para regiões vulneráveis e, quando necessário, antecipar a colheita para reduzir a exposição das lavouras ao fogo.

“Nosso objetivo é transformar informação em tempo de resposta. Quanto mais cedo identificamos uma situação de risco, maior é a capacidade de mobilizar as equipes, proteger as áreas próximas e reduzir a possibilidade de propagação do fogo”, afirma Hamilton Jordão, gerente-executivo de Operações Agrícolas da Raízen.

Frota especializada e técnicas de combate

A estrutura de prevenção e resposta conta com 209 veículos especializados, sendo 179 caminhões-pipa equipados com canhões d’água automáticos e 30 Veículos de Intervenção Rápida (VIR), projetados para acessar áreas de difícil circulação e combater focos ainda no estágio inicial.

Os recursos integram o conceito de Brigada 2.0, que combina tecnologia, equipamentos especializados e protocolos operacionais padronizados. A operação também utiliza técnicas complementares, como o sistema de multiespuma e o contrafogo.

O sistema de multiespuma combina água, ar e um líquido gerador de espuma para formar uma camada que auxilia no resfriamento da área atingida e na redução da propagação das chamas.

Já o contrafogo consiste na queima controlada de material combustível entre o incêndio e uma linha de contenção, com o objetivo de reduzir o combustível disponível para as chamas. A técnica exige planejamento e execução por equipes treinadas para evitar que o fogo avance para áreas de preservação, estradas e residências.

Operação mobiliza cerca de 1,7 mil profissionais

A estrutura envolve aproximadamente 1,7 mil profissionais. Desse total, 1.443 brigadistas atuam diretamente no patrulhamento, na prevenção e no combate aos incêndios. Outros 347 trabalhadores são responsáveis pelo suporte operacional, pela logística e pela gestão de suprimentos.

A companhia também mantém ações conjuntas com o Corpo de Bombeiros, usinas vizinhas e parceiros regionais por meio dos Planos de Auxílio Mútuo (PAM). A iniciativa permite compartilhar recursos e ampliar a capacidade de resposta a ocorrências que possam atingir diferentes áreas de uma mesma região.

“A prevenção depende de uma rede integrada. Tecnologia, equipes preparadas e cooperação com as comunidades e instituições que atuam no território são fundamentais para reduzir riscos e preservar as áreas produtivas e o entorno”, afirma Jordão.
 

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