Com expectativa de mix mais alcooleiro, moagem da safra de cana 2026-2027 do Norte-Nordeste atinge 16,7% do previsto

Na Região Norte, a moagem totalizou 4 milhões de toneladas até 15 de setembro, queda de 3,6% ante o registrado em igual intervalo do ciclo anterior.
Publicado em 20/10/2026 15:04

A moagem de cana-de-açúcar nas regiões Norte e Nordeste somou 9,943 milhões de toneladas no acumulado até 15 de setembro, praticamente estável em relação ao mesmo período da safra anterior, com leve alta de 0,1%. Os dados são da Associação de Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia (NovaBio), com base em informações do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

O volume processado representa 16,7% da moagem estimada para a safra 2026/27, cuja previsão é de quase 60 milhões de toneladas de cana nas duas regiões.

Do total processado até a primeira quinzena de setembro, 50,49% foram destinados à produção de etanol, refletindo a expectativa de um mix mais alcooleiro nesta temporada.

Na Região Norte, a moagem alcançou 4 milhões de toneladas, queda de 3,6% na comparação anual. Já no Nordeste, o processamento chegou a 5,8 milhões de toneladas, avanço de 2,9% em relação ao mesmo intervalo do ciclo anterior.

Redução da cota de açúcar para os EUA marca início da safra

Além do desempenho da moagem, o setor sucroenergético do Norte e Nordeste começa a temporada sob o impacto da redução da cota de importação de açúcar brasileiro pelos Estados Unidos.

Segundo o presidente executivo da NovaBio, Renato Cunha, o corte foi de 56 mil toneladas, reduzindo para 100 mil toneladas o volume de açúcar brasileiro destinado ao mercado norte-americano. O Nordeste tem prioridade no preenchimento da cota brasileira de exportação para os Estados Unidos.

Produção de açúcar cresce, mas etanol recua

A produção de açúcar nas duas regiões totalizou 294 mil toneladas até 15 de setembro, alta de 3,3% em relação ao mesmo período da safra passada.

Na contramão, a fabricação de etanol somou 544 mil metros cúbicos, recuo de 7,5% na comparação anual. A produção de etanol anidro atingiu 231,5 mil metros cúbicos, queda de 7,6%, enquanto a de hidratado chegou a 312,4 mil metros cúbicos, baixa de 7,5%.

Qualidade da cana apresenta queda

Os indicadores de Açúcar Total Recuperável (ATR), parâmetro que mede a quantidade de açúcares recuperáveis da cana e influencia o rendimento industrial, também registraram retração no início da temporada.

Até 15 de setembro, o ATR apresentou queda de 5,1% em relação ao mesmo intervalo do ciclo anterior. O índice por tonelada de cana recuou 5,3% na comparação anual.

Em relação à moagem projetada para a safra 2026/27, o Norte já atingiu 52,4% do volume previsto, enquanto o Nordeste chegou a 11,3%. Consideradas as duas regiões, a execução corresponde a 16,7% da estimativa total.

Estoques de etanol de cana recuam quase 25%

Os estoques de etanol produzido a partir da cana-de-açúcar somavam 189 mil metros cúbicos em 15 de setembro, queda de 24,73% na comparação com igual data da safra anterior.
Por outro lado, os estoques de etanol de milho alcançaram 4 mil metros cúbicos, alta de 155,62% em relação ao mesmo período do ciclo passado.
Somados os dois produtos, os estoques de etanol totalizaram 193 mil metros cúbicos no período analisado.
 

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