Açúcar cai nas bolsas e atinge menor nível em cinco semanas em Nova Iorque
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Os preços do açúcar operam em forte queda nas bolsas internacionais nesta terça-feira (3), com o contrato negociado em Nova Iorque atingindo a menor cotação em cinco semanas. Em Londres, o açúcar branco também recua e alcança o menor patamar em três meses. A pressão vem principalmente do avanço da produção na Índia e das preocupações com o aumento da oferta brasileira para exportação.
Na bolsa de Nova Iorque, o contrato do açúcar bruto com vencimento em março registra queda de 67 pontos, recuo de 3,52%. Em Londres, o açúcar branco para dezembro perde 890 pontos, baixa de 1,75%. Como o mercado ainda está aberto, as cotações podem sofrer alterações até o encerramento do pregão.
Produção indiana aumenta pressão sobre os preços
Um dos principais fatores de pressão nesta sessão é o avanço da produção de açúcar na Índia. A Federação Nacional de Cooperativas de Usinas de Açúcar do país informou nesta terça-feira que a produção chegou a 845 mil toneladas no início da safra 2026/27, até o fim de outubro. O volume é mais de oito vezes superior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior.
Na segunda-feira passada, a Associação Indiana de Fabricantes de Açúcar e Bioenergia (ISMA) informou que cerca de 107 usinas já haviam iniciado as operações de moagem. A entidade também destacou que o país conta com estoques remanescentes de 3,6 milhões de toneladas da safra 2025/26, o que garante uma posição confortável de abastecimento.
O cenário aumenta a preocupação com a disponibilidade de açúcar no mercado internacional, especialmente diante da possibilidade de maior oferta indiana ao longo da temporada.
Real desvalorizado favorece exportações brasileiras
As cotações também sofrem pressão das perspectivas de exportação do Brasil. O real brasileiro atingiu na segunda-feira a menor cotação em 10 meses em relação ao dólar, movimento que favorece a competitividade do açúcar nacional no mercado externo.
Com a moeda desvalorizada, os exportadores recebem mais reais por cada dólar obtido com as vendas internacionais, o que pode estimular os embarques e ampliar a oferta brasileira. O Brasil responde por aproximadamente 23% da produção mundial e mais da metade das exportações globais, segundo estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
Chuvas no Brasil limitam pressão sobre o mercado
Por outro lado, as condições climáticas no Centro-Sul brasileiro seguem como um fator de sustentação para os preços. As chuvas persistentes associadas ao El Niño têm dificultado a colheita da cana-de-açúcar e reduzido o ritmo de moagem nas usinas.
Dados do Ministério da Agricultura mostram que as usinas brasileiras processaram 32 milhões de toneladas de cana na primeira quinzena de outubro, queda de 18% em relação ao mesmo período do ano passado. A produção de açúcar recuou 23%, para 2,15 milhões de toneladas.
Na semana passada, a StoneX indicou que a previsão de chuvas para os sete dias seguintes nas regiões produtoras brasileiras apontava para a continuidade das dificuldades nas operações de moagem.
Déficit global e El Niño seguem no radar
Apesar da pressão atual, as perspectivas de um balanço global mais apertado oferecem algum suporte ao mercado. A Covrig Analytics elevou sua estimativa de déficit mundial de açúcar para a safra 2026/27 de 300 mil para 490 mil toneladas. Para 2025/26, a consultoria reduziu a projeção de superávit de 5,2 milhões para 1,2 milhão de toneladas.
O desenvolvimento de um possível Super El Niño também mantém os investidores atentos aos riscos para a produção nas principais regiões açucareiras, como Brasil, Índia e Tailândia. Para o Centro-Sul brasileiro, a Datagro projeta uma queda de 5% na produção de açúcar em 2026/27, para 38,4 milhões de toneladas, considerando os impactos climáticos associados ao fenômeno.
No pregão desta terça-feira, porém, o avanço da produção indiana e a perspectiva de maior disponibilidade de açúcar brasileiro para exportação predominam sobre as preocupações com os impactos das chuvas na oferta.
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