NOAA: El Niño começa oficialmente; atenção do agro se volta para a intensidade do fenômeno
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A Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou nesta quinta-feira (11) a formação do El Niño, encerrando meses de expectativa sobre a evolução das condições no Oceano Pacífico. Com isso, o fenômeno climático passa oficialmente a influenciar o clima global e deve ganhar força ao longo do segundo semestre de 2026.
A confirmação já era esperada pelos meteorologistas. Nas últimas semanas, os indicadores atmosféricos passaram a responder ao aquecimento das águas do Pacífico Equatorial, caracterizando o acoplamento entre oceano e atmosfera que define o início do fenômeno.
"Esse anúncio já era esperado. As condições de El Niño, na prática, já estavam ocorrendo. A confirmação da NOAA apenas mostra que não estamos mais falando de previsão. O fenômeno já começou a influenciar o clima global", afirma a meteorologista Estael Sias.
El Niño de alta intensidade
Segundo a NOAA, existe 63% de probabilidade de que o atual episódio alcance a categoria de El Niño muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. Se a projeção se confirmar, o evento poderá integrar o grupo dos mais intensos já registrados desde 1950, ao lado dos históricos episódios de 1982/83, 1997/98 e 2015/16.
Segundo a especialista, a tendência agora é de fortalecimento gradual do sistema, com pico de intensidade previsto entre outubro e dezembro.
"A partir de agora, o fenômeno vai ganhando intensidade e seus efeitos começarão a ser sentidos de forma mais clara no Brasil", destaca.
O que muda para o Brasil
Os impactos do El Niño variam de acordo com a região e a época do ano, mas alguns padrões já são conhecidos pelos meteorologistas.
No Sul do país, o fenômeno costuma aumentar os volumes de chuva e elevar o risco de temporais, enchentes e eventos extremos. O alerta ganha ainda mais importância após os desastres registrados no Rio Grande do Sul em 2024.
"Os estados do Sul entram em alerta. Depois dos eventos de 2024, a vulnerabilidade permanece elevada", ressalta Estael.
Já no Norte e em parte do Nordeste, a tendência é de redução das chuvas, o que pode favorecer períodos de estiagem mais prolongados.
No Centro-Oeste e no Sudeste, os efeitos costumam ser mais irregulares, mas há expectativa de temperaturas acima da média e maior frequência de ondas de calor.
Segundo a meteorologista, algumas dessas mudanças já começam a aparecer.
"Sentiremos na pele a redução gradual das chuvas no Norte e Nordeste, ondas de calor no Sudeste e Centro-Oeste e aumento das precipitações em áreas do Sul, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Minas Gerais e sul de Goiás."
Fenômeno pode durar até 2027
Diferentemente de sistemas meteorológicos de curta duração, como frentes frias ou ciclones, o El Niño é um fenômeno climático de longa escala.
Ele ocorre quando as águas superficiais do Pacífico Equatorial Central e Leste permanecem mais quentes que o normal por vários meses.
Esse aquecimento altera a circulação atmosférica global, influenciando os regimes de chuva e temperatura em diversas partes do mundo.
Os modelos climáticos indicam que o fenômeno deve continuar atuando ao longo dos próximos meses e pode persistir até o outono de 2027.
Atenção do agro aumenta
A confirmação do El Niño também reforça a atenção do setor agrícola. Historicamente, o fenômeno influencia diretamente o desenvolvimento das principais culturas brasileiras, alterando o comportamento das chuvas e elevando os riscos climáticos em diferentes regiões produtoras.
Além dos impactos sobre grãos, café, cana-de-açúcar e pecuária, o fortalecimento do fenômeno poderá influenciar a disponibilidade hídrica, o planejamento das safras e os custos de produção ao longo da temporada 2026/27.
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