El Niño pode ampliar oferta de grãos no Brasil e desafiar rentabilidade no campo, aponta pesquisa da Allianz
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Antes de um possível El Niño de forte intensidade ganhar força entre o fim de 2026 e o início de 2027, um novo estudo da Allianz Research aponta que o fenômeno pode redesenhar o cenário da produção agrícola na América Latina. Para Brasil e Argentina, a expectativa é de condições climáticas mais favoráveis para culturas como soja, milho e café, com potencial para elevar a produtividade. No entanto, a pesquisa faz um alerta: uma safra maior não garante, necessariamente, maior rentabilidade ao produtor, já que o aumento da oferta tende a pressionar os preços das commodities.
O levantamento, elaborado pela divisão de pesquisa macroeconômica da Allianz Trade, analisa os impactos econômicos globais de um possível "Super El Niño" e indica que a América Latina poderá seguir um caminho diferente de outras regiões do mundo. Enquanto países da Ásia e da África tendem a enfrentar perdas agrícolas e maior pressão inflacionária por causa da seca, Brasil e Argentina podem registrar ganhos de produção.
Mais grãos e café, mas preços podem perder força
De acordo com o estudo, episódios anteriores de El Niño mostram que as condições climáticas costumam favorecer especialmente o Sul da América do Sul, com maior disponibilidade de chuvas durante fases importantes do desenvolvimento das lavouras.
A análise cita que, em eventos passados, a produção brasileira de soja chegou a superar em até 4% a tendência observada nos cinco anos anteriores. No café arábica, o desempenho também ficou acima do padrão histórico, com ganhos próximos de 5%.
Apesar desse cenário positivo para o campo, os economistas alertam que uma oferta mais elevada pode reduzir o valor recebido pelos produtores. Como o consumo global de alimentos cresce em ritmo menor que a expansão da produção em anos de supersafra, o mercado tende a reagir com queda nas cotações internacionais das commodities.
Além da pressão sobre os preços, outro desafio apontado é o aumento da demanda por armazenagem. Com uma colheita maior, a infraestrutura de estocagem pode ficar mais disputada, elevando custos logísticos e operacionais para o setor.
Reflexos também chegam ao mercado de crédito
Na avaliação dos economistas, uma produção maior de soja e milho na América Latina pode contribuir para reduzir parte da pressão sobre os preços globais dos alimentos, compensando, em certa medida, as perdas esperadas em outras regiões do planeta.
Sob a ótica financeira, entretanto, os impactos tendem a ser distintos entre os segmentos da cadeia.
Exportadores agrícolas podem ser favorecidos pelo aumento do volume produzido, fortalecendo sua capacidade operacional. Já empresas de processamento de alimentos e intermediários do setor podem enfrentar um ambiente mais desafiador, marcado pela volatilidade e pela queda das cotações internacionais das commodities.
Para os pesquisadores, o cenário reforça que produtividade elevada, por si só, não garante melhores resultados econômicos. Em anos de grande oferta, a gestão de custos, a estratégia de comercialização e o planejamento logístico tendem a ser fatores decisivos para preservar a rentabilidade do produtor rural.
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