Inmet: previsão para setembro é de chuva acima da média no Sul e Sudeste e abaixo do normal no Norte e Nordeste
Para o mês de setembro de 2026, a previsão climática do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) indica predomínio de chuvas acima da média histórica em áreas do Centro-Oeste, Sudeste, Sul Brasil e parte da região Norte (representadas por tons em azul na Figura 1a). Por outro lado, volumes abaixo da média são esperados em setores do Nordeste e parte do Norte (tons em amarelo na Figura 1a).
Chuva
Na Região Norte, predominam áreas com acumulados abaixo da média, especialmente em grande parte de Roraima, do Amazonas e do Pará. Além disso, são previstos totais de chuva próximos ou acima da média em Rondônia, oeste do Acre, centro e norte do Amapá, além de áreas específicas do norte e sudoeste amazonense e do noroeste paraense.
Em relação à Região Nordeste, os volumes devem permanecer, em sua maioria, dentro da faixa normal para setembro. São previstas chuvas acima da média apenas no sul do Piauí, sudoeste do Maranhão e no oeste e sudeste da Bahia. Por outro lado, a faixa leste da região - que abrange o centro-leste do Rio Grande do Norte e da Paraíba, o nordeste da Bahia e o estados de Sergipe e Alagoas - devem registrar precipitação abaixo do normal.
Para a Região Centro-Oeste, a previsão indica acumulados dentro da média histórica. A previsão de chuva acima da média climatológica concentra-se no centro-norte e sudeste do Mato Grosso, no sul, sudoeste e sudeste de Goiás, e em grande parte do estado do Mato Grosso do Sul (com exceção do leste do estado, que deve se manter dentro da média climatológica).
Para a Região Sudeste, o prognóstico indica predomínio acumulados acima da média histórica em praticamente toda a região. A exceção apenas para o extremo norte de Minas Gerais, que pode apresentar volumes dentro da média climatológica.
Em relação à Região Sul, a tendência é chuvas acima da média na maior parte do Rio Grande do Sul. Os setores oeste, sudoeste e nordeste gaúcho, além do leste de Santa Catarina, a previsão é acumulado próximas à média.
Temperatura
A previsão para setembro indica que as temperaturas devem ficar acima da média em grande parte do país, com destaque para os maiores desvios previstos nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil (tons em laranja e vermelho na Figura 1b).
Na Região Norte, a previsão é de predomínio de temperaturas acima da média climatológica em grande parte da região, com desvios positivos entre 1,0 °C e 2,0 °C, aproximadamente. No noroeste e leste do Amazonas e no sul de Roraima, as temperaturas devem ficar cerca de 1 °C acima da média climatológica. Nas demais áreas, são previstos desvios de até 1,5 °C. Destaca-se que o centro e sudeste do Pará e o extremo oeste do Tocantins podem registrar temperaturas até 2,0 °C acima da média climatológica.
Na Região Nordeste, a previsão indica temperaturas de até 1,5 °C acima da média climatológica em grande parte do MATOPIBA e na região central da Bahia. Nas demais áreas da região, as temperaturas devem permanecer até 1 °C acima da média climatológica do mês.
Na Região Centro-Oeste, o prognóstico aponta temperaturas médias de até 1,5 °C acima da climatologia do mês em toda a faixa centro-leste do Mato Grosso e em grande parte de Goiás. Nas demais áreas da região, são previstos desvios de até 1,0 °C em relação à média climatológica de setembro.
Na Região Sudeste, a previsão é de temperaturas acima da média em grande parte da região, especialmente nos estados de Minas Gerais, Espírito Santo e grande parte do Rio de Janeiro, com desvios de até 1,5 °C. Na região de São Paulo, a faixa leste do estado deve apresentar desvios de até 1,0 °C, enquanto as demais regiões do estado devem ter temperaturas dentro da média climatológica.
Na Região Sul, a previsão é de temperaturas dentro da média em grande parte da região. Os maiores desvios positivos devem ocorrer no leste do Paraná, com valores de até 0,6 °C acima da média climatológica.
Possíveis impactos nas culturas agrícolas
Em grande parte da Região Norte, a previsão de volumes de chuva abaixo da média, associada a temperaturas mais elevadas, deverá intensificar a demanda evaporativa da atmosfera especialmente sobre as lavouras que atravessam o período mais sensível do ciclo fenológico. Esse cenário tente a reduzir a disponibilidade hídrica do solo, especialmente nas lavouras conduzidas sob sistema de sequeiro, ampliando o risco de déficit hídrico durante as fases críticas de desenvolvimento. Para as lavouras de milho de terceira safra em Roraima, predominantemente em fase de enchimento de grãos, a restrição hídrica poderá acelerar o ciclo das plantas, encurtar o período de granação, reduzir o peso final dos grãos e aumentar a desuniformidade dos lotes, comprometendo o potencial produtivo das áreas semeadas mais tardiamente. Por outro lado, nas áreas onde o milho de terceira safra já se encontra em fase de maturação ou colheita, o predomínio de tempo seco tende a favorecer a uniformidade da maturação, a secagem natural dos grãos e o avanço das operações de campo. Esse mesmo cenário poderá beneficiar o encerramento da colheita da soja no estado, reduzindo o risco de perdas por excesso de umidade e otimizando o desempenho operacional das máquinas agrícolas.
Na Região Nordeste, a previsão climática indica precipitações próximas à média climatológica em grande parte da região, com acumulados acima da média no sul do Piauí, sudoeste do Maranhão e oeste e sudeste da Bahia. Por outro lado, são previstos volumes abaixo da média na faixa leste da região, associados a temperaturas do ar acima da média climatológica em todo o Nordeste.
A combinação de chuvas abaixo da média e temperaturas mais elevadas poderá intensificar a restrição hídrica sobre as lavouras de milho de terceira safra cultivada em áreas do Agreste e Sertão de Pernambuco, leste de Alagoas e do nordeste da Bahia. Nas lavouras conduzidas em regime de sequeiro que ainda se encontram em enchimento de grãos, essas condições poderão reduzir a duração do período de granação, limitar o acúmulo de matéria seca nos grãos, aumentar a incidência de grãos chochos e favorecer a maturação desuniforme, com impactos negativos sobre o potencial produtivo. Em contrapartida, nas áreas onde as lavouras atingirem a maturidade ou se encontrarem em colheita, o predomínio de tempo seco tende a favorecer a uniformização da maturação, a secagem natural dos grãos e o avanço das operações de campo.
Ainda no Agreste pernambucano, a semeadura e a emergência do feijão primeira safra deverá ocorrer sob condições de precipitação abaixo da média e temperaturas acima da média. Esse cenário poderá comprometer a germinação e a emergência das plântulas, favorecendo a formação de estandes desuniformes, elevando o risco de replantio e atrasando o estabelecimento efetivo da cultura e da janela de semeadura.
A previsão de chuvas abaixo da média e temperaturas mais elevadas na faixa leste e no semiárido nordestino poderá ampliar a demanda por irrigação nos polos de fruticultura dos vales dos rios São Francisco e Jaguaribe. Essas condições também tendem a restringir o crescimento das pastagens, reduzir a disponibilidade de forragem e aumentar a pressão sobre os recursos hídricos destinados à pecuária extensiva.
Na Região Centro-Oeste, a previsão climática para o mês de setembro indica precipitações próximas à média climatológica em grande parte da região, com volumes acima da média no centro-norte e sudeste de Mato Grosso, no sul, sudoeste e sudeste de Goiás e em grande parte de Mato Grosso do Sul. As temperaturas do ar deverão permanecer acima da média na maior parte da região.
Nesse cenário, as operações de colheita, que concentram grande parte das atividades agrícolas em setembro, deverão ocorrer sob condições predominantemente favoráveis, embora possam ser observadas janelas operacionais mais restritas nas áreas com previsão de chuvas acima da média.
Nessas localidades, a maior frequência de eventos de chuva poderá atrasar a conclusão da colheita do algodão, do sorgo, do milho segunda safra em Mato Grosso do Sul e do feijão terceira safra em Goiás. Além de dificultar a trafegabilidade de máquinas e equipamentos, o aumento da umidade dos grãos poderá elevar os custos com secagem artificial e ampliar o risco de perdas de qualidade. No algodão, precipitações sobre áreas com capulhos abertos poderão favorecer o manchamento da fibra e o aumento do teor de impurezas. Já no feijão, a ocorrência de chuvas durante a maturação e a colheita poderá favorecer o escurecimento do tegumento, reduzindo o valor comercial da produção.
Para as pastagens, as condições deverão ser mais favoráveis em áreas do sul do Mato Grosso do Sul onde o aumento da disponibilidade hídrica do solo poderá estimular a retomada do crescimento das forrageiras. Nas demais áreas da região, entretanto, a combinação de precipitações mais limitadas e temperaturas elevadas poderá restringir a produção de biomassa, reduzindo a oferta de forragem e ampliando a necessidade de suplementação alimentar dos rebanhos.
Na Região Sudeste, as previsões indicam acumulados de chuva acima da média em grande parte da região, acompanhados de temperaturas acima do normal, principalmente em Minas Gerais. Esse cenário tende a aumentar a demanda evaporativa da atmosfera e, consequentemente, a necessidade hídrica das plantas durante o período.
As culturas de segunda safra, como milho e algodão, encontram-se predominantemente nas fases de maturação e colheita. Nesse contexto, a ocorrência de temperaturas mais elevadas, associada a períodos seco, deverá proporcionar condições favoráveis para a conclusão da safra e a realização das operações de colheita. As áreas de feijão semeadas tardiamente, por outro lado, ainda necessitam de disponibilidade hídrica para completar o ciclo. Assim, a irrigação tende a continuar sendo utilizada, especialmente no noroeste de Minas Gerais, devido à elevada demanda hídrica associada à fase de desenvolvimento das lavouras e às temperaturas mais elevadas.
As lavouras de trigo em Minas Gerais e São Paulo também deverão ser favorecidas pelas condições previstas, principalmente para a maturação e a colheita dos grãos. Em São Paulo, a previsão de acumulados de chuva acima da média, combinada a temperaturas próximas da climatologia, deverá favorecer a manutenção de condições adequadas para o início da semeadura da soja. Além disso, a expectativa de armazenamento de água no solo superior a 70% da capacidade de água disponível em grande parte do estado representa uma condição favorável para a germinação, emergência e estabelecimento adequado do estande de plantas.
Para a cafeicultura, a previsão de chuvas acima da média nas principais regiões produtoras do Sudeste poderá favorecer a reposição da umidade do solo e estimular a abertura dos botões florais após o período de repouso fisiológico. Caso as precipitações ocorram de forma bem distribuída, esse cenário tende a contribuir para uma florada mais uniforme e para o pegamento inicial dos frutos. Entretanto, chuvas isoladas, intercaladas com novos períodos secos, poderão provocar floradas sucessivas e aumentar a desuniformidade da próxima safra. Em Minas Gerais e no Espírito Santo, as temperaturas acima da média também poderão elevar a demanda hídrica das plantas e comprometer o pegamento, caso ocorram veranicos após a florada. Nas áreas com colheita tardia, a maior frequência de chuvas poderá restringir as operações de campo e dificultar a secagem dos grãos, aumentando o risco de perda de qualidade.
Para a citricultura, especialmente no cinturão produtor de São Paulo, Triângulo Mineiro e sudoeste de Minas Gerais, a previsão de chuvas acima da média tende a favorecer a recuperação da umidade do solo, o desenvolvimento das brotações e a ocorrência da florada principal. Em grande parte do interior paulista, as temperaturas próximas à média poderão proporcionar condições favoráveis ao florescimento e ao pegamento inicial dos frutos. No setor mineiro do cinturão, entretanto, as temperaturas mais elevadas poderão aumentar a demanda hídrica e prejudicar o pegamento caso ocorram períodos secos após a florada. Chuvas frequentes ou intensas durante o florescimento também poderão favorecer a ocorrência de podridão floral e reduzir a eficiência dos tratamentos fitossanitários. Nas áreas em colheita, a maior frequência das precipitações poderá restringir temporariamente as operações de campo e dificultar o acesso aos pomares.
Na Região Sul, a previsão indica chuvas acima da média e temperaturas próximas à média climatológica em grande parte da região. Esse cenário tende a reduzir a ocorrência de geadas amplas e tardias, que podem causar impactos significativos nas culturas de inverno, especialmente quando ocorrem durante as fases de florescimento e enchimento de grãos, comprometendo a qualidade e a produtividade. No Paraná, a ocorrência de chuvas pode aumentar o risco de excesso de umidade durante as fases de enchimento de grãos e colheita das culturas de inverno. Essas condições também podem dificultar a realização de um preparo adequado do solo e, consequentemente, restringir as operações para o início da safra de soja no estado.
Em grande parte do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, a combinação de temperaturas e elevada disponibilidade de umidade poderá favorecer a ocorrência e a disseminação de doenças fúngicas em culturas como trigo e aveia, aumentando a necessidade de monitoramento fitossanitário e da adoção de medidas de manejo adequadas. Essas condições são particularmente favoráveis ao desenvolvimento da giberela, uma das principais doenças que afetam o trigo e que pode provocar reduções significativas na qualidade e na produtividade dos grãos, sobretudo quando ocorre durante o florescimento e o início do enchimento de grãos.
As condições previstas de temperatura e precipitação deverão favorecer o desenvolvimento das pastagens. Nesse contexto, recomenda-se atenção ao manejo dos animais nos piquetes, evitando a concentração excessiva e o pisoteio, que podem causar danos às plantas e comprometer a recuperação e a disponibilidade de forragem.
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