El Niño ganha força e mantém chuva acima da média no Centro-Sul do Brasil
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O El Niño ganha força no Pacífico e começa a deixar marcas mais evidentes no padrão de chuva e temperatura do Brasil, enquanto novas frentes frias devem continuar avançando pelo país nas próximas semanas. O cenário aumenta a frequência de chuva no Sul, Sudeste e em parte do Centro-Oeste, ao mesmo tempo em que mantém áreas do Norte e do interior do Nordeste sob temperaturas elevadas e maior irregularidade das precipitações.
A atualização mais recente do Centro de Previsão Climática da NOAA, divulgada em 10 de setembro, indica mais de 90% de chance de ocorrência de um El Niño muito forte durante o outono e o inverno do Hemisfério Norte de 2026-27. Em agosto, a temperatura da superfície do mar na região do Niño 3.4 chegou a +1,8°C, enquanto outras áreas do Pacífico equatorial registraram anomalias ainda maiores.
Para Alexandre Nascimento, CEO da Nottus, os efeitos do fenômeno já podem ser observados no comportamento das chuvas no Brasil.
Um dos exemplos mais claros desse comportamento aparece em São Paulo. Segundo Alexandre, algumas áreas do estado já acumulam mais de 300 milímetros de chuva nos primeiros 15 dias de setembro, volume considerado excepcional para o período.
Na capital paulista, o acumulado da primeira metade do mês já superou o recorde histórico de setembro, segundo a análise apresentada pelo meteorologista.
“São Paulo, por exemplo, nesses primeiros 15 dias do mês de setembro já teve áreas com mais de 300 milímetros. Então, é um evento extremo, até porque não é normal em setembro chover tanto assim”, afirma.
O cenário também atingiu Minas Gerais e o Rio de Janeiro, com registros de chuva forte, trovoadas, granizo e ventos intensos em algumas localidades.
Para Alexandre, entretanto, o padrão atual não deve ser confundido com o cenário de chuvas concentradas observado no Rio Grande do Sul em 2023 e 2024.
“Os eventos extremos podem voltar a acontecer, mas nada tão extremo quanto 2023, 2024 no Rio Grande do Sul”, avalia.
Segundo ele, naquele período havia uma condição de bloqueio que dificultava o deslocamento das frentes frias e manteve os sistemas atuando por muito tempo sobre o estado. Atualmente, esse bloqueio não apresenta a mesma configuração.
Novas frentes frias devem manter chuva no Sul e Sudeste
A previsão indica que o intervalo de tempo mais seco entre os sistemas será curto. Uma nova frente fria deve avançar pelo Sul no próximo fim de semana e, posteriormente, alcançar áreas de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso.
“O processo começa tudo de novo. Onde está a chuva mais forte? Exatamente em parte do Sul, em parte de São Paulo e em parte de Mato Grosso do Sul”, explica Alexandre.
A análise da Nottus indica que esse padrão pode se repetir nas próximas semanas, com sucessivas passagens de frentes frias pelo Centro-Sul.
A expectativa é de que esses sistemas também ajudem a transportar umidade da Amazônia para áreas mais ao centro do país, contribuindo para a regularização gradual das chuvas em regiões que ainda enfrentam irregularidade.
Chuva começa a avançar sobre o Centro-Oeste
Para o produtor de Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal, a chegada das primeiras chuvas mais regulares representa uma mudança importante depois de meses de tempo predominantemente seco.
Alexandre explica que o início da estação chuvosa não significa que a chuva passará a ocorrer diariamente. A tendência é de uma retomada gradual, com períodos de chuva intercalados por janelas de tempo seco.
“Essas regiões, no início do período de chuvas, é muito normal a chuva não chegar para ficar todo dia chovendo, mas ela vai se estabelecendo de forma gradativa ao longo das próximas semanas”, afirma.
O cenário é especialmente importante para a soja. Em Mato Grosso do Sul, onde o vazio sanitário já terminou em algumas regiões, os produtores começam a avançar com a semeadura. Em Mato Grosso, algumas áreas também já iniciaram o plantio.
“Com essa chuva sestabelecendoe ao longo das próximas semanas, de forma escalonada, o plantio deve ir de vento em popa”, projeta Alexandre.
A regularização das precipitações, no entanto, ainda será fundamental para ampliar o ritmo das operações e garantir melhores condições de umidade no solo.
Sul pode receber volumes elevados nas próximas semanas
Os mapas apresentados por Alexandre apontam uma tendência de chuva mais frequente sobre o Sul do Brasil, além de áreas de São Paulo, Mato Grosso do Sul e parte do Centro-Oeste.
O destaque não fica apenas para o Rio Grande do Sul. Santa Catarina e Paraná também aparecem no cenário de maior umidade.
“Quando se olha a perspectiva para os próximos meses, a gente vê uma concentração de chuva persistente sobre o Centro-Sul do Brasil. Principalmente aí de São Paulo, Mato Grosso do Sul para baixo, com um foco maior sobre parte da Região Sul”, afirma.
O avanço das frentes frias também mantém o frio presente no Sul. Alexandre destaca que municípios de maior altitude de Santa Catarina registraram temperaturas negativas nesta quarta-feira (16), com possibilidade de geada em áreas onde o céu aberto favoreceu uma queda mais acentuada durante a madrugada.
Segundo o meteorologista, o frio ainda é compatível com o fim do inverno e não representa, neste momento, um comportamento fora do esperado para setembro.
Enquanto isso, calor continua forte no Norte e Nordeste
O contraste permanece bastante evidente. Enquanto o Sul registra temperaturas próximas de zero, áreas do Norte, Nordeste e norte do Centro-Oeste seguem com calor intenso.
Mato Grosso, Tocantins, Piauí e outras áreas do interior do Nordeste podem registrar temperaturas acima de 34°C e, em alguns pontos, próximas ou superiores a 40°C.
Esse calor elevado também aumenta a perda de água do solo.
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