El Niño 2026 pode entrar para a lista dos eventos mais intensos da história

NOAA aponta mais de 90% de chance de um episódio muito forte entre a primavera e o início do verão, com possibilidade de superar eventos registrados desde 1950
Publicado em 16/09/2026 14:17 | Atualizado em 16/09/2026 15:18

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O El Niño está ganhando força rapidamente no Oceano Pacífico e entra na primavera de 2026 com sinais de que pode estar entre os episódios mais intensos já observados. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) estima em mais de 90% a chance de o fenômeno atingir intensidade muito forte durante o outono e o inverno do Hemisfério Norte, período que corresponde à primavera e ao início do verão no Brasil. 

A NOAA também estima que o episódio entre outubro e dezembro possa alcançar intensidade considerada histórica, superando os eventos registrados desde 1950. 

O aquecimento do Pacífico avançou principalmente nas áreas central e leste do oceano. Em agosto, a temperatura da superfície do mar na região do Niño 3.4 estava 1,8°C acima da média, enquanto as regiões Niño 3 e Niño 1+2 registraram anomalias ainda maiores, de 2,5°C e 3,4°C, respectivamente. 

Para o meteorologista Alexandre Nascimento, CEO da Nottus, a intensificação do fenômeno já era esperada diante da evolução observada no Pacífico.

“No último relatório, nós já viemos com uma leitura de 2 graus na região central do Pacífico, ou seja, lá no Niño 3.4, e isso já coloca o fenômeno na categoria muito forte.”

Segundo Alexandre, a dimensão do oceano ajuda a explicar por que uma diferença de poucos graus representa uma alteração importante no sistema climático.

Fenômeno ainda pode ganhar força

A avaliação da NOAA indica que o aquecimento não deve parar nos níveis atuais. As projeções apontam continuidade do fortalecimento do El Niño nos próximos meses, justamente quando o fenômeno costuma atingir seu pico.

O sistema também já apresenta alterações na atmosfera compatíveis com um El Niño bem estabelecido. Para a NOAA, a combinação entre o aquecimento do oceano e as mudanças atmosféricas reforça a tendência de continuidade do episódio. 

Alexandre avalia que o cenário atual pode levar o fenômeno a níveis ainda mais elevados.

“A gente já está vendo esse fenômeno muito forte e ele ainda deve ganhar intensidade nos próximos meses.”

Comparação com os grandes El Niños

O episódio atual chama atenção não apenas pela intensidade, mas também pela velocidade com que ganhou força. Eventos como os de 1982/83, 1997/98 e 2015/16 também alcançaram níveis muito elevados, mas o El Niño de 2026 vem apresentando aquecimento acelerado desde o inverno.

O histórico é importante porque mostra que episódios muito fortes podem provocar alterações significativas nos padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do mundo. Ainda assim, a intensidade do fenômeno no Pacífico não significa que todos os impactos serão necessariamente proporcionais em cada região.

Alexandre reforça justamente esse ponto ao lembrar que outros fatores atmosféricos também entram na definição do tempo e do clima. O meteorologista destaca, porém, que o atual padrão não é uma repetição exata do que ocorreu em 2023 e 2024 no Rio Grande do Sul.

“Os eventos extremos podem voltar a acontecer, mas nada tão extremo quanto em 2023 no Rio Grande do Sul.”

Até quando o El Niño pode durar?

A NOAA mantém a possibilidade de o fenômeno permanecer ativo até o início de 2027. As probabilidades oficiais ainda apontam El Niño praticamente garantido nos próximos trimestres, embora a chance de manutenção do fenômeno diminua gradualmente mais adiante.

Para o Brasil, isso significa que os efeitos associados ao El Niño devem continuar sendo acompanhados ao longo da primavera e do verão, principalmente na distribuição das chuvas e no comportamento das temperaturas.

O ponto central da nova atualização é a intensidade: o El Niño está se fortalecendo e há uma probabilidade elevada de que o episódio 2026/27 esteja entre os mais fortes já registrados.

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