Super El Niño pode provocar 13,3 mil mortes por calor no Brasil, aponta relatório

Estimativa do Climate Impact Lab coloca o país entre os mais afetados pelo fenômeno; Norte e Nordeste concentram os maiores impactos projetados
Publicado em 24/09/2026 11:18

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Um estudo do University of Chicago aponta que o atual episódio de El Niño pode provocar 13,3 mil mortes adicionais relacionadas ao calor extremo no Brasil entre junho de 2026 e fevereiro de 2027, na comparação com um ano considerado normal. O país aparece entre os cinco com maior número estimado de óbitos no mundo.

O levantamento foi divulgado na última quarta-feira (23) pelo Climate Impact Lab, ligado à Universidade de Chicago, e considera os efeitos do calor associado ao fenômeno climático. Segundo os pesquisadores, as temperaturas médias sobre as áreas continentais podem ficar 1,2°C acima do normal nos próximos meses, enquanto a ocorrência de dias de calor extremo deve aumentar em cerca de 44%. 

No Brasil, o período de maior atenção deve coincidir com o verão, entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027. A projeção indica impactos mais fortes nas regiões Norte e Nordeste, onde as temperaturas elevadas se somam à maior vulnerabilidade de parte da população.

Entre os estados com as maiores estimativas estão o Pará, com cerca de 2,3 mil mortes adicionais, o Maranhão, com 1,3 mil, e Amazonas e Bahia, com aproximadamente 1,2 mil cada. 

Calor extremo deve atingir principalmente o Sul Global

No cenário mundial, o relatório estima 451 mil mortes adicionais por calor extremo durante os primeiros nove meses do atual El Niño, de junho de 2026 a fevereiro de 2027. A projeção é comparada ao número de mortes esperado em condições climáticas consideradas normais.

Para o período de setembro de 2026 a fevereiro de 2027, o estudo estima 239 mil mortes adicionais, com possibilidade de revisão dos números à medida que o fenômeno evoluir. Os pesquisadores afirmam ainda que, caso o El Niño persista até meados de 2027, o impacto acumulado poderá aumentar. 

A maior concentração dos impactos projetados está no chamado Sul Global. A região do Sahel, na África, lidera as estimativas, com cerca de 66,8 mil mortes adicionais entre setembro e fevereiro. Quase metade desse total estaria concentrada na Nigéria, com aproximadamente 31,4 mil óbitos.

Na Ásia, a projeção aponta 19,3 mil mortes adicionais na Indonésia e outras 19,4 mil somadas entre Filipinas, Vietnã, Tailândia e Camboja. A Índia aparece com estimativa de 15,8 mil mortes relacionadas ao calor. 

Nas Américas, além do Brasil, o relatório aponta impactos relevantes nos Estados Unidos, Venezuela e Colômbia.
Fenômeno pode antecipar cenário climático das próximas décadas

Para os pesquisadores, o atual El Niño vai além de um episódio isolado de temperaturas elevadas. As condições previstas para os próximos meses podem se aproximar de um padrão que, segundo as projeções climáticas utilizadas pelo estudo, seria mais comum daqui a cerca de duas décadas.

Por isso, os autores descrevem o fenômeno como uma espécie de “cartão-postal do futuro”: uma amostra das condições de calor que podem se tornar mais frequentes com o avanço das mudanças climáticas. 

O levantamento também ressalta que o calor não deve ser analisado de forma isolada. O El Niño pode alterar os padrões de chuva e contribuir para secas, incêndios florestais e inundações, ampliando os impactos sobre as populações e os sistemas de saúde. 

Como os pesquisadores chegaram às estimativas

Para calcular o impacto sobre a mortalidade, os cientistas combinaram dados sobre a relação entre temperatura e mortes em 24.378 regiões do mundo com projeções de temperatura e informações sobre as condições locais e a vulnerabilidade das populações.

O modelo considera que o aumento da temperatura não produz o mesmo efeito em todos os lugares. Regiões que já enfrentam temperaturas elevadas e contam com menor capacidade de adaptação tendem a apresentar impactos maiores diante de novos episódios de calor extremo.

Os números são projeções, e não uma contagem de mortes que já ocorreram. Os próprios pesquisadores afirmam que as estimativas serão atualizadas conforme o El Niño avance. 

Alertas e medidas de adaptação

O relatório destaca que parte dos impactos pode ser reduzida com medidas de preparação antes da chegada dos períodos mais quentes. Entre as ações citadas estão sistemas de alerta para ondas de calor, centros de resfriamento, pontos de hidratação, reforço da estrutura de saúde e medidas de proteção para trabalhadores expostos ao sol e ao calor. No Brasil, o Ministério da Saúde também vem estruturando ações para ampliar a capacidade de resposta diante de emergências e desastres, incluindo bases da Força Nacional do Sistema Único de Saúde.


 

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