Virada no tempo: ciclone extratropical leva chuva a várias regiões do país
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Um ciclone extratropical em formação sobre o Sul do Brasil deve ganhar força nas próximas horas e organizar uma frente fria responsável por uma mudança importante no tempo em várias regiões do país. O sistema começa atuando com maior intensidade no Sul e, na sequência, avança em direção ao Centro-Oeste e ao Sudeste, levando chuva, temporais e queda nas temperaturas.
Segundo o meteorologista Denis Garcia, da Meteored, o ciclone já apresenta características de intensificação e deve concluir sua formação nas próximas horas.
“Esse ciclone, ele praticamente já está se formando. Nas próximas horas ele deve concluir ali a sua formação e ele vai ter uma frente fria associada a ele.”
A frente fria ligada ao sistema deve avançar pelo Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo, além de alcançar áreas de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo.
Sul terá os primeiros efeitos
Nesta terça-feira (29), a atuação do ciclone e da frente fria mantém o tempo instável principalmente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. As imagens de satélite mostram áreas de nuvens bastante desenvolvidas, associadas ao risco de temporais, granizo e descargas elétricas.
Algumas áreas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina apresentam condições para tempestades mais severas.
“A gente tem nuvens bastante carregadas sobre o norte do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, com grande potencial para tempestade, queda de granizo e descargas elétricas.”
A previsão indica que os volumes de chuva podem chegar a 80 milímetros em alguns pontos do Sul nesta terça-feira.
Na quarta-feira (30), a instabilidade continua, principalmente no norte do Rio Grande do Sul, Meio-Oeste de Santa Catarina e Sudoeste do Paraná. Nessas áreas, os acumulados podem variar entre 80 e 90 milímetros.
Frente fria avança pelo país
Depois de atuar com mais força no Sul, o sistema começa a mudar o tempo em outras regiões.
Na quarta-feira, a frente fria avança sobre o Mato Grosso do Sul e São Paulo, provocando aumento da nebulosidade e novas áreas de chuva.
Na quinta-feira (1º), a instabilidade alcança também áreas de Minas Gerais, Goiás e Rio de Janeiro.
O avanço da frente ocorre em um cenário de forte contraste entre o ar quente que ainda predomina em parte do país e o ar frio que vem na retaguarda do sistema.
De acordo com Denis, justamente esse encontro entre as massas de ar favorece a formação de tempestades.
“Esse choque dessas duas massas de ar provoca essas nuvens carregadas, que originalmente geram tempestades bastante intensas com potencial para queda de granizo.”
Chuva também chega ao Sudeste e Centro-Oeste
Na quinta-feira, a frente fria deve provocar chuva em áreas do sul de Minas Gerais, Triângulo Mineiro, São Paulo, Mato Grosso do Sul e sul de Goiás.
Também há previsão de instabilidade em pontos do Rio de Janeiro e Espírito Santo.
No Sul, Santa Catarina continua entre as áreas de maior atenção, com previsão de volumes superiores a 60 milímetros em pontos do leste do estado.
Ao longo dos dias seguintes, o sistema deve continuar avançando, levando chuva para outras áreas do Centro-Sul.
Ciclone provoca queda nas temperaturas
Além da chuva, a passagem da frente fria deve provocar uma mudança importante nas temperaturas.
Uma massa de ar frio avança na retaguarda do sistema e derruba os termômetros principalmente no Sul e Sudeste.
“Essa frente fria vai sim derrubar as temperaturas nos próximos dias, pelo menos até essa sexta-feira, a tendência é de temperaturas mais baixas em boa parte do Centro-Sul do país.”
A queda pode ser expressiva em algumas cidades. Em Juiz de Fora, em Minas Gerais, por exemplo, a previsão apresentada pelo meteorologista indica redução da máxima de cerca de 32°C na quinta-feira para 23°C na sexta-feira.
Enquanto o ar frio avança, áreas à frente da frente fria ainda terão temperaturas elevadas. No interior de Minas Gerais, Goiás, Tocantins e oeste da Bahia, os termômetros podem continuar próximos ou acima dos 35°C.
Chuva segue pelo início de outubro
O avanço deste sistema ocorre justamente na transição para outubro, período em que as chuvas começam a ganhar mais organização em diferentes áreas do país.
Nos próximos sete dias, os maiores acumulados devem permanecer concentrados no Sul. Santa Catarina, norte do Rio Grande do Sul e sudoeste do Paraná podem superar 90 milímetros, com alguns pontos do Meio-Oeste catarinense chegando a aproximadamente 150 milímetros.
No Sudeste e Centro-Oeste, os volumes serão mais distribuídos, mas a passagem da frente fria deve trazer episódios de chuva e temporais em diferentes estados.
O ciclone, portanto, terá atuação mais concentrada sobre o Sul, mas seus efeitos serão sentidos em uma área muito maior por causa da frente fria associada ao sistema, que avança pelo Centro-Sul e modifica o padrão de chuva e temperatura nos próximos dias.
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