Açúcar dispara nas bolsas de Nova Iorque e Londres nesta sexta-feira

Contratos avançam com força nesta sexta-feira, após sinais de demanda física mais firme e preocupações com a oferta global
Publicado em 02/10/2026 12:47

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Os preços do açúcar operam em forte alta nas bolsas de Nova Iorque e Londres nesta sexta-feira (2), dando sequência ao movimento positivo registrado na sessão anterior. O mercado acompanha sinais de demanda física mais firme, enquanto problemas na produção brasileira e preocupações com a oferta global continuam dando suporte às cotações.

Por volta das 12h40 (horário de Brasília), o contrato de açúcar bruto para março de 2027 em Nova Iorque avançava 70 pontos, cotado a 19,64 centavos de dólar por libra-peso.

Em Londres, o contrato de açúcar branco para dezembro subia 197 pontos, negociado a US$ 522,00 por tonelada. Já o contrato para março de 2027 avançava 194 pontos, para US$ 590,50 por tonelada.

Demanda ganha força no radar

O movimento desta sexta-feira ocorre após o mercado ter recebido sinais mais positivos sobre a demanda. Na quinta-feira (1º), os preços fecharam em alta nas duas bolsas depois que a Covrig Analytics reduziu sua estimativa para a entrega do contrato de outubro em Nova Iorque, que expirou na quarta-feira (30).

A consultoria agora estima que 1,45 milhão de toneladas de açúcar tenham sido entregues para liquidar o contrato, abaixo da projeção anterior de 1,80 milhão de toneladas.

A revisão reforça a percepção de que a demanda física pode estar mais firme do que o inicialmente projetado. Uma entrega menor também reduz a percepção de excesso de produto disponível para entrega imediata.

Brasil segue no foco do mercado

Os dados mais recentes do Centro-Sul brasileiro também ajudam a sustentar as cotações. A produção de açúcar caiu 41,6% na primeira quinzena de setembro, para 2,12 milhões de toneladas, enquanto a moagem de cana recuou 34,2%, para 30,16 milhões de toneladas.

As chuvas atrapalharam o avanço da colheita e da moagem em importantes áreas produtoras.

No acumulado da safra 2026/27 até 15 de setembro, a moagem de cana chegou a 443,71 milhões de toneladas, queda de 1,5% em relação ao mesmo período da temporada anterior. A produção de açúcar recuou 14,4%, para 26,07 milhões de toneladas.

Outro ponto acompanhado pelos agentes é o direcionamento de maior volume de cana para a produção de etanol. No acumulado da safra, a fabricação do biocombustível avançou 8,7%, para 22,94 bilhões de litros, enquanto a produção de açúcar apresentou queda.

Balanço global também dá suporte

As perspectivas para a oferta mundial continuam entre os principais fundamentos acompanhados pelo mercado.

A Organização Internacional do Açúcar (ISO) projeta déficit global de 200 mil toneladas em 2026/27, depois de um superávit estimado em 1,1 milhão de toneladas na temporada 2025/26.

A produção mundial deve recuar cerca de 1% na próxima safra, para 180,1 milhões de toneladas.

Outras consultorias também trabalham com um cenário de oferta mais apertado. A Covrig Analytics estima déficit de 300 mil toneladas em 2026/27, enquanto a StoneX projeta déficit de 900 mil toneladas.

Para 2027/28, a Czarnikow prevê um déficit global de 2,9 milhões de toneladas, com produção mundial estimada em 177 milhões de toneladas, queda de 0,7% em relação ao ciclo anterior.

Clima mantém incertezas sobre produção

As condições climáticas nas principais regiões produtoras continuam no radar. Brasil, Índia e Tailândia concentram parte importante da produção mundial, e problemas de clima podem limitar a oferta nas próximas temporadas.

Na Índia, o acumulado das chuvas de monção ficou 12,6% abaixo da média até 30 de setembro, o menor nível em 11 anos, segundo o Departamento Meteorológico do país.

O governo indiano também autorizou a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto sem impostos até 31 de outubro, em uma medida que reforça a necessidade de abastecimento interno em meio às preocupações com a produção.

Na Tailândia, a Thai Sugar Millers Corp. estima queda de 17% na produção de açúcar em 2026/27, para 10 milhões de toneladas.
 

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