Chuvas intensas complicam colheita e atrasam plantio no Paraná

Volumes podem chegar a 150 mm ou mais no estado nos primeiros dez dias de outubro, dificultando a entrada de máquinas, atrasando a colheita de trigo e cevada e afetando áreas já semeadas com soja
Publicado em 05/10/2026 12:01

Logotipo Notícias Agrícolas

O Paraná começa outubro sob forte influência das chuvas, em um momento especialmente delicado para o calendário agrícola. A previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indica acumulados entre 70 e 150 milímetros nos primeiros dez dias do mês, com possibilidade de volumes ainda maiores, principalmente nas regiões oeste e sul do estado.

O período chuvoso coincide com duas operações importantes no campo: a colheita das lavouras de inverno e o início do plantio da safra de verão 2026/27. Com o solo já bastante úmido, a continuidade das chuvas pode dificultar o acesso das máquinas às áreas agrícolas e aumentar o risco de perdas.

Segundo o Inmet, o excedente de água no solo deve superar 50 milímetros em grande parte das regiões agrícolas, favorecendo condições de saturação e encharcamento, especialmente em áreas com drenagem mais deficiente.

A situação exige atenção principalmente nas áreas de trigo e cevada que ainda estão no campo. Em regiões como Guarapuava e Ponta Grossa, algumas lavouras estão na fase final de enchimento de grãos ou já iniciaram a colheita. A umidade elevada pode comprometer a qualidade dos grãos e aumentar a ocorrência de doenças.

Chuva também atrapalha plantio da soja

Ao mesmo tempo, o excesso de água chega justamente no começo da implantação da safra de verão. Dados do Departamento de Economia Rural do Paraná (DERAL/PR)  indicam que cerca de 28% da área prevista para a soja já havia sido semeada, com avanço maior no oeste paranaense, principalmente em Cascavel e Toledo.

Com o solo encharcado, a entrada de máquinas fica limitada, podendo atrasar a dessecação e a semeadura. Nas áreas que já receberam sementes, chuvas fortes podem provocar enxurradas, lavagem de sementes e soterramento, prejudicando a formação do estande inicial.

A recomendação é evitar o tráfego de máquinas pesadas em áreas encharcadas, reduzindo o risco de compactação do solo. Também é importante monitorar a ocorrência de doenças e manter estruturas de conservação, como curvas de nível, para diminuir os impactos da erosão.

Frente fria mantém chuva e risco de temporais

A meteorologista Patrícia Cassoli, da Ampere Consultoria, destaca que o Paraná continua sob influência da frente fria, com possibilidade de chuva forte, granizo e rajadas de vento.

“A frente ainda vai influenciar entre hoje e amanhã, porque essa chuva ainda pode vir com granizo e também com fortes rajadas de vento, principalmente em Santa Catarina e no estado do Paraná.”

De acordo com a meteorologista, o Paraná já registrou impactos importantes no domingo, com rajadas de vento intensas e queda de granizo, e o alerta permanece pelo menos até esta terça-feira.

A tendência, porém, é de redução gradual da intensidade da chuva a partir de quarta-feira. Ainda assim, o Paraná deve continuar com áreas de instabilidade, principalmente na porção central e leste, próxima à divisa com Santa Catarina.

“Essa chuva começa a diminuir ao longo da quarta-feira. A gente pode observar que tem ainda uma chuva mais intensa na porção mais central e leste do Paraná, até a divisa com Santa Catarina, enquanto boa parte da região fica com aquelas pancadas mais irregulares, mais isoladas.”

Na quinta-feira, a chuva tende a perder força de maneira mais ampla, mas ainda haverá pancadas isoladas sobre o Paraná e Santa Catarina. Para o produtor, portanto, a janela para retomada das atividades no campo pode continuar sendo curta, especialmente nas áreas que receberem os maiores volumes.
 

Já segue nosso Canal oficial no WhatsApp? Receba em primeira mão as principais notícias do agronegócio
Seguir canal

0 comentário