Inmet: Chuvas favorecem a semeadura da soja na Região Centro-Oeste, mas condições variam entre os estados

Irregularidade das chuvas ainda requer cautela dos produtores no Mato Grosso e em Goiás
Publicado em 14/10/2026 16:58

A previsão do modelo COSMO/INMET para o período de 14 a 21 de outubro indica chuva com distribuição irregular sobre a Região Centro-Oeste. Em conjunto com o armazenamento médio de água no solo previsto para o período, os dados apontam condições distintas para o avanço da semeadura da soja na safra 2026/2027 (Figura 1).

Em Mato Grosso, os acumulados de chuva deverão variar entre 20 e 60 mm, com os maiores volumes previstos para as porções sudoeste e noroeste do estado (tons em verde e amarelo na Figura 2). Esta condição, tende a ampliar o armazenamento de água no solo, que ainda apresenta expressiva variabilidade espacial, com menores disponibilidades hídricas observadas principalmente nas porções norte e leste (tons em azul na Figura 3). As temperaturas tendem a permanecer elevadas, com médias variando entre 26°C e 30°C, favorecendo o aumento da demanda evapotranspirativa. Dessa forma, a continuidade da semeadura da soja deverá ser favorecida nas áreas com maior disponibilidade de água no solo, enquanto, nas regiões com menores volumes de chuva, recomenda-se cautela para reduzir os riscos de falhas na germinação e na emergência das plantas. Segundo o monitoramento das lavouras divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), até 9 de outubro a semeadura alcançava 25,2% da área prevista no estado (Figura 1).

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Figura 1. Percentual de área semeada com soja nos estados da Região Centro-Oeste, em comparação com a média dos últimos cinco anos. Fonte: CONAB, 2026.

 

Em Mato Grosso do Sul, o cenário deverá permanecer mais favorável ao estabelecimento das lavouras. A atuação de áreas de baixa pressão e a elevada disponibilidade de umidade na atmosfera deverão manter o tempo instável sobre o centro-sul do estado nos próximos dias. Entre os dias 14 e 15 de outubro, há vigência de aviso laranja de perigo para tempestades, com previsão de acumulados de chuva entre 50 e 100 mm por dia, além da possibilidade de ocorrência de queda de granizo. Ao longo da semana, as chuvas deverão continuar expressivas, com volumes entre 40 e 80 mm, podendo atingir 100 mm em localidades do norte e do sul do estado. As temperaturas tendem a permanecer mais amenas, especialmente no sul, onde as médias deverão variar entre 18°C e 24°C, em função da maior nebulosidade e da ocorrência mais frequente de chuva. O armazenamento de água no solo segue elevado nas principais áreas produtoras, com valores predominantemente entre 60% e 90%, favorecendo a manutenção da umidade necessária à germinação, emergência e desenvolvimento inicial das plantas. Apesar das condições hídricas favoráveis, a persistência das chuvas poderá provocar interrupções temporárias nas operações mecanizadas. Segundo a Conab, o plantio no estado alcançou 25,0% da área prevista, percentual superior à média dos últimos cinco anos, 21,8%, indicando o avanço satisfatório da semeadura.

Em Goiás e no Distrito Federal, a previsão indica acumulados de chuva entre 10 e 40 mm, com volumes mais expressivos em áreas do leste e sul do estado. Já as temperaturas, deverão permanecer elevadas, especialmente no norte de Goiás, contribuindo para uma maior demanda atmosférica por água. Neste contexto, o armazenamento de água no solo para os próximos dias deverá variar entre 20 e 50% da Capacidade de Água Disponível (CAD), embora valores inferiores a 15% da CAD sejam previstos somente para o norte goiano. Apesar da tendência de melhora das condições para o plantio, a irregularidade na distribuição espacial das chuvas ainda recomenda cautela na expansão da semeadura em áreas de sequeiro. De acordo com a Conab, o plantio alcançava 7,0% da área prevista em 9 de outubro, valor inferior à média dos últimos cinco anos (8,6%).

De forma geral, embora a Região Centro-Oeste esteja em fase de consolidação do período chuvoso, a combinação entre precipitação espacialmente irregular, temperaturas elevadas e reservas hídricas ainda limitadas em parte de Mato Grosso e Goiás exige atenção no planejamento das operações agrícolas. Para o produtor, a decisão de avançar com a semeadura deve considerar não apenas os volumes acumulados previstos, mas também a regularidade das chuvas e a umidade efetivamente disponível na camada de implantação. Em áreas com baixa reserva hídrica e temperaturas mais elevadas, a ocorrência de chuvas isoladas podem estimular a germinação sem garantir a sustentação da emergência, aumentando o risco de desuniformidade do estande. Assim, o acompanhamento contínuo das previsões e dos avisos meteorológicos do INMET é de fundamental importância para o planejamento e a redução dos riscos produtivos.

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Figura 2. Precipitação acumulada prevista entre 14 e 21 de outubro de 2026. Fonte: INMET.
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Figura 3. Armazenamento médio de água no solo entre 14 e 19 de outubro de 2026. Fonte: INMET/SISDAGRO.

 

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