Manaus volta a registrar pior qualidade do ar do Brasil, e chuva ainda não deve aliviar a fumaça

Capital amazonense enfrenta níveis insalubres de poluição, enquanto previsão indica pouca chuva até domingo; mudança pode ocorrer na segunda-feira (19)
Publicado em 16/10/2026 12:25

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Manaus voltou a registrar a pior qualidade do ar entre as capitais brasileiras na manhã desta sexta-feira (16), em meio à fumaça provocada pelas queimadas na região amazônica e em estados vizinhos. Às 6h, a plataforma internacional IQAir apontou índice de qualidade do ar de 167, classificado como insalubre. A situação levou à suspensão das aulas presenciais na rede municipal de ensino e na Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

A persistência da estiagem e a falta de chuvas mais abrangentes dificultam a dispersão dos poluentes. Segundo o meteorologista Francisco de Assis, Manaus atravessa uma sequência de meses com volumes de chuva muito abaixo do esperado, o que contribui para a permanência da fumaça na atmosfera.

“Manaus, no mês de julho, foi um dos meses mais secos dos últimos 37 anos. Depois, agosto foi o mais seco dos últimos 11 anos e setembro, o mais seco dos últimos quatro anos”, afirmou.

Em outubro, a situação ainda é preocupante. Até a metade do mês, o volume acumulado de chuva na capital estava próximo de 35 milímetros, diante de uma média climatológica de 114 milímetros para todo o mês. Isso representa aproximadamente 30% do volume esperado para outubro.

Chuva insuficiente nos próximos dias

A previsão indica que Manaus deve continuar enfrentando calor e pouca chuva durante o fim de semana. De acordo com Francisco de Assis, as precipitações previstas para esta sexta-feira (16) e o sábado (17) são escassas, com possibilidade de pancadas isoladas e fracas em pontos da capital.

No domingo (18), também há possibilidade de chuva, mas os volumes ainda devem ser limitados, sem condições para uma melhora significativa da qualidade do ar.

Uma mudança pode ocorrer na segunda-feira (19), quando a previsão aponta possibilidade de chuva de até 15 milímetros em áreas de Manaus. O volume poderá trazer algum alívio, embora não seja suficiente, por si só, para eliminar a fumaça acumulada.

“É necessário que haja pelo menos uns três dias de chuva seguidos para limpar e tirar essa fumaça da região, coisa que ainda não está acontecendo”, explicou o meteorologista.

Com isso, a tendência é de que a população continue exposta à poluição atmosférica durante os próximos dias, especialmente nos períodos em que a concentração de partículas permanecer elevada.

Poluição atinge níveis preocupantes na capital

Além dos dados da IQAir, o sistema eletrônico de vigilância ambiental da Universidade do Estado do Amazonas apontou piora na qualidade do ar em diferentes bairros. Na maior parte da cidade, os índices variavam entre as categorias muito ruim e péssima.

No bairro Aleixo, na zona centro-sul, a concentração de partículas chegou a 139,6 microgramas por metro cúbico. Já no Tarumã, na zona oeste, o registro era de 39 microgramas por metro cúbico, classificado como moderado.

A fumaça é resultado de incêndios no interior do Amazonas e em estados como Rondônia, Pará e Mato Grosso. As partículas liberadas pelas queimadas podem permanecer suspensas no ar por vários dias e ser transportadas pelo vento por longas distâncias. A escassez de chuva dificulta a remoção desses poluentes da atmosfera.

Diante do agravamento do cenário, as aulas presenciais da rede municipal foram suspensas nesta sexta-feira. A UEA também interrompeu as atividades acadêmicas presenciais em todas as unidades, tanto na capital quanto no interior, nos três turnos. Parte dos serviços administrativos da universidade passou a funcionar remotamente.

Governo reforça combate aos incêndios

O Ministério da Saúde informou que 12 municípios do Amazonas já foram identificados como necessitados de algum tipo de apoio aos serviços de saúde. Equipes da Força Nacional do SUS trabalham em conjunto com autoridades estaduais e municipais para avaliar a capacidade de atendimento da rede.

O monitoramento inclui a disponibilidade de oxigênio nas unidades de saúde, inclusive nos Distritos Sanitários Especiais Indígenas, para preparar os serviços diante de possíveis emergências. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças preexistentes estão entre os grupos que exigem maior atenção, devido ao risco de agravamento de problemas respiratórios e cardiovasculares.

No combate ao fogo, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informou ter extinguido 303 focos de incêndio no Amazonas desde o início das operações. A estrutura mobilizada inclui 11 aeronaves, entre aviões de combate direto às chamas, helicópteros e equipamentos de apoio logístico. Entre elas estão seis aviões Air Tractor e um KC-390 mobilizado pelo Ministério da Defesa para o lançamento de grandes volumes de água.

No último dia 10 de outubro, o governo do Amazonas decretou situação de emergência em cerca de 36 municípios devido às queimadas.

Enquanto os incêndios persistirem e a chuva não se tornar mais frequente, a tendência é de manutenção das condições desfavoráveis na capital. A previsão de pancadas mais significativas na segunda-feira poderá trazer algum alívio, mas a recuperação da qualidade do ar dependerá de uma sequência de chuvas e da redução das fontes de fumaça.

 

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