Chuva ganha força no Sul e acende alerta no campo; temporais ameaçam lavouras no Sudeste
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A semana começa com condições de tempo distintas entre as regiões produtoras do Brasil. Enquanto o Sul deve voltar a enfrentar chuvas volumosas a partir de quarta-feira (21), com acumulados que podem superar 100 milímetros em algumas áreas, regiões do Centro-Oeste, Sudeste e Matopiba também terão mudanças nas condições meteorológicas. O excesso de umidade mantém o alerta para o avanço do plantio e para as operações de colheita e moagem da cana-de-açúcar, especialmente em áreas do Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul.
De acordo com a meteorologista Patrícia Cassoli, da Meteored, a previsão indica o retorno das instabilidades ao Sul a partir da metade da semana, com possibilidade de temporais, rajadas de vento e queda de granizo. Os maiores volumes devem se concentrar no Paraná, em Santa Catarina e no noroeste do Rio Grande do Sul.
“Então, uma semana novamente com bastante chuva, aquela chuva que vem na forma de temporal, com granizo, tem altos volumes acumulados”, alertou a meteorologista.
A chuva mais intensa deve ocorrer entre quarta-feira e sábado (24), período em que os acumulados podem ultrapassar 100 milímetros em pontos desses estados. No Mato Grosso do Sul, a metade sul também deve receber volumes expressivos, mantendo a umidade do solo elevada.
Previsão para os próximos dias
Nesta segunda-feira (19), a frente fria ainda influencia as condições do tempo entre o Espírito Santo e o sul da Bahia, contribuindo para a formação de instabilidades nas áreas centrais e do norte do Brasil. Há possibilidade de chuva forte e tempestades isoladas no Matopiba, no sul do Pará, no Amazonas, em Rondônia e no norte de Mato Grosso.
Já no centro-sul do país, o tempo tende a ficar mais estável no início da semana, sob influência de uma massa de ar frio. As temperaturas devem permanecer mais baixas no Sul, no leste de São Paulo e em áreas do sul de Minas Gerais.
Ao longo dos próximos dias, porém, a chuva volta a ganhar força no centro-sul, especialmente a partir de quarta-feira. Segundo a meteorologista, uma nova frente fria deve avançar pela região por volta de sábado (24), reforçando as instabilidades.
No interior do Nordeste, o calor continua sendo um ponto de atenção, com máximas próximas de 39°C previstas para Teresina nesta segunda-feira. O contraste entre as temperaturas elevadas no centro-norte e o tempo mais ameno no Sul e em parte do Sudeste marca o início da semana.
Dificuldades no campo
A sequência de chuvas frequentes tem reduzido as janelas de tempo firme necessárias para a entrada de máquinas nas lavouras. Mesmo nos períodos em que o sol aparece, a trégua tem sido curta para permitir a redução da umidade do solo e a retomada das atividades em ritmo normal.
Segundo Patrícia, Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul estão entre as áreas que apresentam solos bastante úmidos, resultado da recorrência das precipitações e dos volumes acumulados nas últimas semanas.
“Não dá tempo do solo secar. A gente tem breves períodos de tempo mais firme, onde o sol aparece um pouco mais, mas ainda é um período insuficiente para que esse solo diminua essa umidade, as máquinas consigam entrar no campo e conseguir avançar com os trabalhos”, explicou.
No Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, a previsão de novos temporais mantém o alerta para as operações de semeadura. A persistência da umidade também preocupa produtores paulistas, principalmente no setor sucroenergético, que enfrenta dificuldades para avançar com o corte e a moagem da cana-de-açúcar.
Em São Paulo e no sul de Minas Gerais, a passagem frequente de frentes frias têm alternado breves períodos de tempo firme com novas rodadas de chuva. Além de manter o solo úmido, as temperaturas mais amenas reduzem a evaporação, dificultando a recuperação das condições para os trabalhos no campo.
A previsão é de que novas instabilidades atinjam o interior paulista e o sul de Minas a partir de quarta-feira, inicialmente de forma isolada, mas com potencial para temporais.
Matopiba
Enquanto o excesso de água preocupa produtores do Sul e de parte do Sudeste, a chuva começa a avançar de maneira mais frequente sobre áreas do Matopiba, que reúne Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.
No último fim de semana, a passagem de uma frente fria ajudou a organizar precipitações em áreas centrais e do norte do país. Em alguns pontos, os volumes ficaram entre 30 e 40 milímetros, embora a distribuição tenha sido irregular.
Apesar de bem-vindas, as chuvas ainda não foram suficientes para recuperar de forma significativa a umidade do solo na região, que continua bastante seca em diversas áreas.
Patrícia destaca que a segunda quinzena de outubro deve favorecer o retorno gradual das precipitações ao Matopiba, mas ressalta que a irregularidade ainda deve persistir.
“À medida que a chuva vai avançando, acontecendo de forma bastante regular, mas tendo uma certa frequência, uma certa recorrência a partir da segunda quinzena do mês de outubro, gradualmente a umidade no solo também, aos pouquinhos, deve começar a melhorar de forma pontual ali sobre a região”, afirmou.
A expectativa é de que a repetição das chuvas permita uma recuperação progressiva da umidade, embora os resultados devam variar de uma localidade para outra. No Mato Grosso, onde as precipitações já vêm ocorrendo com maior frequência em algumas áreas, a melhora da umidade também tem acontecido de forma gradual.
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