El Niño pode ter intensidade sem precedentes e agravar extremos climáticos, alerta ONU

Fenômeno pode provocar ondas de calor, secas severas e inundações, enquanto relatório do Pnuma eleva projeção de aquecimento global para até 2,8°C até 2100 com as políticas atuais
Publicado em 22/10/2026 14:53

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O próximo episódio de El Niño pode atingir intensidade excepcional e superar os padrões observados nas últimas quatro décadas, com potencial para agravar os extremos climáticos em diferentes regiões do planeta. O alerta foi feito por Celeste Saulo, secretária-geral da Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência ligada à Organização das Nações Unidas (ONU).

Segundo Saulo, o fenômeno pode intensificar ondas de calor e alterar os padrões de chuva, favorecendo a ocorrência de secas severas em algumas áreas e inundações em outras. Os impactos dependerão da distribuição regional das mudanças nas temperaturas e nas precipitações.

O alerta ocorre em meio a novas projeções da ONU que apontam para um aquecimento global mais intenso do que o estimado anteriormente, mesmo diante da expansão das energias renováveis e das políticas adotadas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

Aquecimento global pode chegar a 2,8°C até 2100

Relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), divulgado nesta quarta-feira, projeta que a temperatura média global poderá subir 2,8°C até o fim do século caso sejam mantidas as políticas climáticas atuais.

Se os países cumprirem integralmente os compromissos climáticos já assumidos, a elevação estimada será de 2,6°C. As duas projeções são superiores às divulgadas no relatório do ano passado.

O documento aponta que, mesmo no cenário mais otimista considerado, o aquecimento deverá superar temporariamente o limite de 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais, com a possibilidade de as temperaturas médias atingirem entre 1,7°C e 1,8°C acima desse patamar até meados do século.

Para reduzir os riscos, o Pnuma estima que as emissões globais de gases de efeito estufa precisariam cair 18% em relação aos níveis de 2025 até 2030, 45% até 2035 e 69% até 2040.

Os compromissos climáticos apresentados pelos países, no entanto, indicam reduções de apenas 5% a 8% até 2030 e de 11% a 15% até 2035.
Meta de 1,5°C ainda é possível no fim do século

Diante do cenário, o secretário-geral da ONU, António Guterres, defendeu a continuidade dos esforços para conter as emissões responsáveis pelo avanço do aquecimento global e pelo agravamento de eventos extremos, como inundações e incêndios.

“Ultrapassar a meta não significa desistir. Ainda podemos manter esse aumento o menor e mais curto possível – e fazer com que as temperaturas voltem a ficar abaixo de 1,5 grau até o final do século”, afirmou.

O Acordo de Paris, firmado em 2015, estabeleceu o compromisso internacional de limitar o aumento da temperatura média global a bem menos de 2°C em relação aos níveis pré-industriais, com esforços para restringi-lo a 1,5°C.

Segundo o Pnuma, o cenário de menor ultrapassagem possível ainda oferece cerca de 50% de chance de que a temperatura global retorne a 1,5°C ou menos até 2100. Essa possibilidade, porém, dependeria de uma redução expressiva das emissões e da remoção de grandes volumes de carbono da atmosfera, uma estratégia cuja viabilidade em larga escala ainda é incerta.

O relatório também destaca que os novos planos climáticos apresentados desde o ano passado praticamente não alteraram as projeções de aquecimento futuro.

As conclusões reforçam a pressão sobre os governos para acelerar a redução das emissões e ampliar as medidas de adaptação, em um cenário de riscos crescentes para a agricultura, os recursos hídricos, a infraestrutura e a população.

As discussões internacionais sobre o tema devem continuar na COP31, conferência climática prevista para ocorrer na Turquia, onde os países voltarão a debater medidas para enfrentar as mudanças climáticas.
 

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