Exportadores argentinos de trigo cobram Brasil sobre cota adicional de importação sem TEC

Publicado em 22/06/2020 10:40

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O Centro de Exportadores de Cereais da Argentina (CEC) cobrou do governo argentino uma reação à cota adicional de 450 mil toneladas de trigo importados de fora do Mercosul sem Tarifa Externa Comum (TEC) de 10%, autorizada nesta semana pelo Comitê-Executivo de Gestão (Gecex), órgão deliberativo da Câmara de Comércio Exterior (Camex). "Entendemos que a cota adicional de 450 mil toneladas não está entre as alternativas que o Brasil pode usar no Mercosul sem consulta prévia", disse ao Broadcast Agro o vice-presidente do CEC, Guillermo García. A entidade enviou uma nota de protesto ao governo argentino, quer está em contato com o governo brasileiro para negociação. Cerca de 85% do cereal importado pelo País vem da Argentina.

Conforme decisão do Gecex, a cota adicional poderá ser utilizada até 17 de novembro deste ano, caso 85% do volume de 750 mil toneladas por ano permitidas atualmente seja preenchido. García disse que os exportadores foram "surpreendidos" com a medida, já que, alega ele, os moinhos brasileiros usaram até o momento "volume pouco expressivo" da cota de 750 mil toneladas. "Essa quantidade de 750 mil toneladas pode ser usada, se necessário, porque é anterior ao Mercosul", explica o VP do CEC, referindo-se ao compromisso brasileiro no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC) de criar uma cota com tarifa zero de importação para o trigo. O compromisso foi firmado pelo país na Rodada Uruguai em 1986, portanto anterior a criação do Mercosul, mas implementado somente no ano passado.

García também garantiu oferta de trigo ao Brasil no volume necessário. "O abastecimento continua normalmente, sem problemas", afirma. Quanto a um possível aperto no volume disponível da cultura para exportação na safra 2020/21, alegado pela indústria moageira brasileira, García descarta a possibilidade de risco no fornecimento. Segundo ele, na temporada 2019/20, de 12,5 milhões de toneladas exportadas pelo país, cerca de 5,5 milhões de toneladas foram destinadas ao Brasil. "O plantio começou há poucos dias, mas a intenção é de aumento de área com expectativa de colheita superior a 20 milhões de toneladas. Por isso, pedimos calma ao Brasil", afirmou.

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Fonte:
Estadão Conteúdo

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1 comentário

  • Vladimir zacharias Indaiatuba - SP

    É incontestável o formidável desempenho do agro nacional nos últimos anos. Soja, milho, carnes, celulose, laranja, etanol, ... entretanto restam dois desafios para todos os atores do setor: Tornar o Brasil importante produtor de lácteos (tanto em quantidade como em qualidade), e, principalmente, atingir a AUTO-SUFICIÊNCIA no trigo através de maciços investimentos em pesquisa, desenvolvimento de variedades tropicais, preços de garantia, seguro etc.

    Fomos capazes de fazer isso com soja e milho, certamente seremos com o trigo.

    Que me desculpem os amigos argentinos, porém esse grão é por demais estratégico para dependermos do humor do governo de plantão no país vizinho. Logo, CUIDADO E CALDO DE GALINHA...

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    • Paulo Roberto Rensi Bandeirantes - PR

      Segundo os entendidos, o trigo apresenta dificuldade para se obter novos cultivares por apresentar uma genética mais complicada do que a maioria das outras espécies domesticadas. As espécies de trigo comerciais são poliploides estáveis. O trigo durum e brando são espécies tetraploides. Já o trigo-pão é uma espécie hexaploide, pois apresenta três conjuntos de cromossomas emparelhados. ....

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