Trigo fecha com quase 3% de alta em Chicago, puxando milho e refletindo preocupações com Rússia e Ucrânia

Publicado em 24/01/2022 15:19 e atualizado em 24/01/2022 18:29 2282 exibições

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Na contramão das demais commodities agrícolas, os futuros do trigo fecharam o pregão desta segunda-feira (24) com altas fortes, de quase 3% nos principais vencimentos, levando os primeiros de volta ao patamar dos US$ 8,00 por bushel. O março encerrou o dia com US$ 8,00 e o maio com US$ 8,04. O julho e o setembro terminaram com US$ 7,92 esta primeira sessão da semana. O mercado iniciou a semana, mais uma vez, refletindo o agravamento das tensões geopolíticas entre Rússia e Ucrânia. A possibilidade de uma invasão russa ao território ucraniano impacta diretamente no mercado do cereal, uma vez que trata-se do maior exportador global do grão no caso da Rússia e de um dos seis maiores do mundo quando se trata da Ucrânia. 

Assim, no final da tarde desta segunda-feira (24), os futuros do trigo subiam entre 13,75 e 15,50 pontos, voltando a se aproximar dos US$ 8,00 por bushel na CBOT. O março tinha US$ 7,95 e o maio, US$ 7,99. Segundo analistas e consultores, embora haja outras variáveis impactando o andamento da commodity agora, o conflito se tornou o principal foco dos participantes do mercado neste instante. 

O quadro global de oferta e demanda do trigo já vinha de meses de aperto, depois de uma quebra por conta de adversidades climáticas nos principais países produtores. E uma invasão russa na Ucrânia poderia agravar ainda mais este cenário, com os eventuais embargos que poderiam ser feitos ao cereal da Rússia. Frente a isso, os futuros do trigo chegaram a marcar os US$ 8,00 na semana passada, pela primeira vez desde dezembro. 

Em uma nota da ING Groep NV divulgada pela Bloomberg, seu head de commodities, Warren Patterson, afirmou que "dependendo da escala de quaisquer ações militares, a produção e a exportação ucraniana de commodities agrícolas, incluindo trigo e milho, poderiam ser bastante afetadas. 

Do mesmo modo, para a Rússia, as sanções financeiras poderiam dificultar muito o comércio e as exportações de produtos agrícolas também seriam duramente afetadas. 

Ainda segundo os especialistas ouvidos pela agência internacional de notícias, as tensões se intensificando na fronteira entre os dois países é tida hoje como uma das principais ameaças aos mercados globais e sua recuperação. Mesmo que Vladimir Putin tenha, repetidamente, afirmado que não tem planos de avançar com a invasão, há muitos chefes de estado - entre eles o presidente americano Joe Biden - acreditando que o contrário pode acontecer. 

Em ambas as nações o reflexo sobre suas moedas e mercados acionários é imediato. O mercado de gás natural é outro a sentir os impactos de forma bastante agressiva, com altas que hoje passam de 1% e, de acordo com o Goldman Sachs, as cotações do gás poderiam revisitar seus recordes diante das tensões, já que a Rússia poderia interromper o fornecimento prara a Europa, diante da escalada das tensões, por tempo indeterminado.

Para o mercado de fertilizantes, o impacto ainda não chegou. "O mercado só está acompanhando, mas se as coisas se intensificarem, acredito que o impacto pode vir. Mas, até agora, o que temos é uma forte queda para os nitrogenados. O restante continua sem mudanças", afirmou Jeferson Souza, analista de mercado da Agrinvest Commodities. 

DEMAIS FUNDAMENTOS

O Notícias Agrícolas, na última semana, entrevistou o analista de mercado Élcio Bento, da Safras & Mercado, que identificou os demais fundamentos que têm promovido as altas fortes do trigo no mercado internacional. Entre eles está a questão climática para a safra de inverno dos Estados Unidos - que já sofreu com adversidades climáticas - além de uma oferta enxuta e de um possível deslocamento da demanda para outras origens, incluindo os Estados Unidos. 

"Estamos na temporada 2021/22 onde tivemos quebras em importantes fornecedores. O Canadá teve uma perda de 13,5 milhões de toneladas - mais de 40% quebrando - na Rússia de 10 milhões e nos EUA de 5 milhões de toneladas. Grandes fornecedores tiveram uma perda grande e foi isso que tirou um trigo de US$ 6,00 para levar até US$ 8,80 por bushel na Bolsa de Kansas", explica Bento. O que ajudou a equilibrar a oferta foram as safras melhores dos países do hemisfério Sul, como a Argentina. 

Diante de todos esses fatores alinhados e de uma demanda muito forte, o comportamento dos compradores de trigo também é acompanhado muito de perto pelos traders, uma vez que eles poderiam sair dos mercados russos e ucranianos para buscar outras alternativas, como é o caso dos EUA, Argentina, ou países da União Europeia, além do Canadá, o que poderia continuar estimulando as cotações do cereal. 

"Já é um mercado que respondendo a esse incerteza que se coloca dentro do mercado global por conta de um eventual conflito entre dois grandes exportadores", resume o analista. 

Na sequência, veja sua entrevista na íntegra:

Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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