Paridade de importação deve definir rumo dos preços do trigo no Brasil
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Com o mercado interno operando abaixo da paridade de importação e moinhos temporariamente abastecidos, o trigo brasileiro atravessa um momento de transição. A expectativa, porém, é de recuperação nas cotações a partir da retomada das compras, movimento que dependerá diretamente do câmbio e do comportamento do mercado internacional.
De acordo com Élcio Bento – Analista da Safras & Mercado, o atual enfraquecimento dos preços está ligado a fatores pontuais de oferta e demanda. “No momento que a gente tem uma demanda muito fraca e uma oferta que, apesar de pequena, supera essa demanda, as cotações enfraquecem”, afirmou.
Segundo o analista, os moinhos entraram na temporada com estoques confortáveis, especialmente após compras antecipadas da Argentina, o que reduziu a necessidade imediata de novas aquisições. Muitos estão abastecidos até março ou início de abril.
Ao mesmo tempo, parte dos produtores precisou negociar volumes para liberar espaço nos armazéns para a safra de verão, ampliando temporariamente a oferta disponível no mercado.
Apesar desse cenário de curto prazo, Bento avalia que há espaço técnico para alta. “Os preços indicados no Brasil hoje são inferiores àqueles que vêm do mercado internacional. O espaço que existe para recuperação é exatamente a paridade de importação”, destacou.
A paridade de importação funciona como um balizador natural dos preços internos. Quando o trigo nacional fica abaixo do valor equivalente ao produto importado, tende a ocorrer ajuste nas cotações domésticas, especialmente em um país estruturalmente deficitário como o Brasil.
A produção nacional ficou próxima de 8 milhões de toneladas, enquanto a necessidade de moagem gira em torno de 13 milhões de toneladas. Além disso, cerca de 1,9 milhão de toneladas devem ser exportadas, o que amplia a necessidade de importações ao longo da entressafra.
“O mercado vai buscar a paridade de importação. O nível que estará essa paridade é determinado por preços internacionais e câmbio”, explicou Bento.
Com o dólar em patamares abaixo de R$ 5,20 recentemente e uma safra global recorde pressionando as bolsas internacionais, a formação de preços dependerá da combinação entre esses dois fatores. Caso o câmbio volte a subir ou o mercado externo reaja, o espaço de recuperação pode se ampliar.
A expectativa do analista é que a retomada mais consistente das compras por parte dos moinhos ocorra a partir da segunda quinzena de março ou início de abril, período que pode marcar uma inflexão no comportamento das cotações internas.
Até lá, o mercado segue em compasso de espera, monitorando principalmente o dólar e os movimentos das bolsas internacionais, que devem continuar sendo os principais determinantes do preço do trigo no Brasil nos próximos meses.
O que o produtor deve observar
Diante desse cenário, o produtor rural precisa acompanhar três pontos centrais nas próximas semanas: o comportamento do dólar, as cotações internacionais do trigo e o ritmo de retorno dos moinhos às compras.
Se os preços internos continuarem abaixo da paridade de importação, a tendência técnica é de ajuste para cima, especialmente durante a entressafra, quando a necessidade de importação se intensifica. Estratégias como vendas escalonadas, fixação parcial de preços e atenção às oportunidades de mercado podem ajudar a capturar possíveis movimentos de recuperação.
Além disso, manter diálogo constante com cooperativas, tradings e moinhos pode permitir melhor leitura da demanda regional, especialmente em um ano marcado por incertezas quanto à qualidade do trigo importado.
O momento é de monitoramento atento e planejamento comercial, já que a definição do câmbio e do mercado externo deve ser decisiva para a rentabilidade do trigo brasileiro em 2026.
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