Trigo despenca em Chicago e pressão externa liga alerta para preços no Brasil

Mercado encerra a sexta-feira (15) com perdas acima de 200 pontos nos principais contratos, pressionado por realização de lucros e projeções de maior oferta global, enquanto produtores brasileiros seguem atentos à comercialização da nova safra
Publicado em 15/05/2026 16:24

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O mercado do trigo fechou esta sexta-feira (15) em forte baixa na Bolsa de Chicago, devolvendo parte dos ganhos acumulados ao longo da semana. O movimento foi marcado por realização de lucros, pressão técnica e repercussão das projeções globais de oferta divulgadas nos últimos dias.

No fechamento, o contrato julho/26 era negociado a US$ 6,35 por bushel, com queda de 222 pontos. O setembro/26 fechou cotado a US$ 6,49/bu, com baixa de 220 pontos. Já o dezembro/26 encerrou o dia a US$ 6,69/bu, recuando 212 pontos.

O mercado internacional passou a reagir ao relatório recente do USDA, que projetou a menor safra norte-americana de trigo desde 1972. Apesar do dado de oferta mais ajustada nos Estados Unidos, investidores realizaram lucros após os fortes avanços registrados nos últimos pregões. Além disso, operadores monitoram o comportamento da demanda global e a competitividade do trigo do Mar Negro.

Segundo análise da Safras & Mercado, o mercado brasileiro segue travado, com compradores e vendedores afastados das negociações em meio às oscilações externas e às incertezas sobre a nova safra. A consultoria destaca que muitos produtores continuam cautelosos nas vendas, enquanto moinhos tentam alongar suas posições aguardando definições maiores sobre produção e preços.

No Brasil, os preços internos seguem sustentados pela oferta restrita de trigo de qualidade disponível no mercado físico. A comercialização também continua influenciada pelos custos elevados de produção e pelo avanço ainda lento da semeadura em parte das regiões produtoras do Sul do país.

Outro fator acompanhado de perto pelo setor é o comportamento do câmbio. A oscilação do dólar frente ao real continua impactando diretamente a competitividade das importações e a formação dos preços internos, especialmente diante da dependência brasileira do trigo argentino.

 

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