Trigo avança no RS, mas frio e doenças exigem atenção durante a floração

Lavouras mais adiantadas já entram em enchimento de grãos e colheita começa de forma pontual; geadas ainda preocupam em áreas em floração
Publicado em 18/09/2026 15:47

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As lavouras de trigo do Rio Grande do Sul apresentam bom desenvolvimento na maior parte do estado, mas o estágio das plantações varia conforme a época de semeadura e as condições meteorológicas enfrentadas ao longo do ciclo. A avaliação é da Emater/RS-Ascar. Nas áreas implantadas mais cedo, principalmente no oeste gaúcho, algumas lavouras já chegaram ao enchimento de grãos e à maturação, com o início pontual da colheita. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (17).

Segundo o Informativo Conjuntural, 44% das áreas de trigo do estado estão em enchimento de grãos e 5% já chegaram à maturação. Nas lavouras de implantação mais tardia, 12% permanecem em desenvolvimento vegetativo e 39% estão nas fases de espigamento e floração.

O cenário fitossanitário, porém, exige acompanhamento. Foram observados casos de oídio, manchas foliares, ferrugens e giberela. A recomendação é reforçar o monitoramento principalmente nas áreas em floração e onde as condições de umidade e temperatura favorecem a ocorrência de doenças.

Para a safra 2026, a Emater projeta uma área de 814,2 mil hectares cultivada com trigo no Rio Grande do Sul, com produtividade média estimada em 2.701 quilos por hectare.

Diferenças entre as regiões


Na região de Santa Rosa, onde as lavouras estão mais adiantadas, 61% do trigo já está em enchimento de grãos e 7% em maturação. Outros 28% estão em floração e 4% permanecem em desenvolvimento vegetativo. A avaliação é de bom potencial produtivo, com número adequado de espiguetas por espiga e sem registro de falhas de fecundação.

Em Caxias do Sul, por outro lado, o avanço das plantas foi mais lento. A combinação de temperaturas baixas, elevada nebulosidade e pouca luminosidade retardou o desenvolvimento, e as lavouras estão principalmente no fim do perfilhamento e início da elongação do colmo. Mesmo com as condições adversas, a expectativa de rendimento segue considerada satisfatória.

Na região de Santa Maria, o município de Tupanciretã concentra uma parcela importante do cultivo. Ali, 60% das lavouras estão em floração, 20% em elongação e outros 20% em enchimento de grãos. Nas áreas mais adiantadas, o frio intenso e as geadas mantêm a necessidade de atenção durante a floração. Até o momento, no entanto, não há quantificação das possíveis perdas.

Aveia-branca também avança

O ciclo da aveia-branca também evoluiu no estado. Do total estimado de 387,7 mil hectares, 49% das lavouras estão em enchimento de grãos, 27% em floração, 11% em desenvolvimento vegetativo, 11% em maturação e 2% já foram colhidos.

De forma geral, as condições das lavouras são consideradas satisfatórias, embora ainda haja ocorrência pontual de doenças foliares, principalmente ferrugens. A produtividade média estadual está estimada em 2.322 quilos por hectare.

Canola entra na reta final

A canola avança para as últimas etapas do ciclo no Rio Grande do Sul. Cerca de 88% das lavouras estão entre a floração e o enchimento de grãos, enquanto 9% já chegaram à maturação. A colheita começou de forma pontual e alcança 1% da área.

Períodos de maior luminosidade, temperaturas favoráveis e menor umidade relativa do ar ajudaram no desenvolvimento das plantas e aumentaram a atividade de polinizadores nas áreas em floração.

As geadas, porém, podem ter causado danos pontuais em lavouras que ainda estavam em formação, principalmente com possível comprometimento parcial do enchimento das síliquas. As perdas ainda não foram quantificadas.

A área cultivada com canola está estimada em 353,4 mil hectares, com produtividade média projetada em 1.619 quilos por hectare.
Carinata e cevada

Na carinata, 62% das lavouras estão em enchimento de grãos, 32% em floração, 3% em desenvolvimento vegetativo e 3% em maturação. Na região de Frederico Westphalen, 70% da área está em enchimento de grãos e 30% em maturação, com produtividade esperada próxima de 1.100 quilos por hectare. Em Ijuí, 80% das lavouras estão em granação, 15% em floração e 5% em maturação.

A cevada também teve avanço favorecido pelos períodos de tempo firme. Nas principais regiões produtoras, as chuvas volumosas não provocaram impactos relevantes. Atualmente, 50% da área está em desenvolvimento vegetativo, 30% em floração e 20% em enchimento de grãos. Algumas lavouras já começam a entrar em maturação.

A área estimada de cevada no estado é de 20,3 mil hectares, com produtividade média projetada em 3.020 quilos por hectare.

Plantio do milho chega a 60%

Entre as culturas de verão, o plantio do milho alcançou 60% da área prevista no Rio Grande do Sul e já está praticamente concluído na região Noroeste.

As geadas provocaram danos principalmente nas lavouras implantadas mais cedo e em áreas mais sujeitas à ocorrência do fenômeno. Os produtores também avançaram com aplicações de herbicidas e inseticidas, com atenção especial à cigarrinha, cuja incidência aumentou.

A Emater estima uma área de 896,4 mil hectares de milho no estado, com produtividade média de 7.711 quilos por hectare e produção próxima de 6,91 milhões de toneladas.

Arroz ganha ritmo com tempo seco

O plantio do arroz avançou de forma significativa na região de Bagé, com a semeadura concentrada inicialmente na Fronteira Oeste. A intenção é cultivar 361 mil hectares na região.

Em Maçambará, 15% dos 16,9 mil hectares previstos já foram semeados. A elevada capacidade operacional dos produtores tem permitido um avanço rápido das máquinas no campo.

Apesar da previsão de temperaturas mais baixas, que podem atrasar o estabelecimento inicial das plantas, a sequência de dias secos favoreceu as operações. O nível elevado das barragens e a melhora nas cotações do arroz também têm contribuído para um cenário mais positivo entre os produtores.

Feijão avança, mas frio reduz ritmo

A semeadura do feijão da primeira safra também avançou, embora o frio tenha deixado o desenvolvimento inicial das plantas mais lento em algumas regiões.

Em Ijuí, 40% da área projetada já havia sido semeada. Em Pelotas, o plantio começou nas áreas mais protegidas e com menor risco de geada. Já em Soledade, no baixo Vale do Rio Pardo, a semeadura está na fase final.

No Centro-Serra e no Alto da Serra do Botucaraí, as áreas estão preparadas para o início do plantio.

Umidade ainda afeta pecuária de leite

Na pecuária leiteira, o excesso de umidade e a formação de barro continuam dificultando o acesso às pastagens e algumas atividades de manejo. As condições também aumentam o risco de mastite e problemas de casco em determinadas regiões.

Com a redução do encharcamento em algumas áreas, o acesso dos animais às forrageiras melhorou. Em Bagé, vacas mantidas em campo nativo apresentam recuperação da condição corporal, enquanto produtores sazonais começam a retornar à atividade.

Em Ijuí, houve pequena redução da produção nos sistemas a pasto, enquanto os sistemas confinados mantiveram a produtividade. Nas propriedades com animais estabulados, ainda há dificuldade para controlar a umidade das camas, apesar de as condições de conforto térmico serem consideradas satisfatórias.

Em Santa Rosa, os períodos de excesso de umidade provocaram danos pontuais por pisoteio e dificultaram o manejo, mas não comprometeram a alimentação dos animais. A suplementação com silagem e concentrados continua, principalmente para vacas em pico de lactação.

Chuva forte preocupa piscicultura e pesca

Na piscicultura, o frio e a geada reduziram o apetite e a atividade dos peixes na região de Erechim. Além disso, a chuva de até 150 milímetros registrada na sexta-feira (11) aumentou a turbidez da água dos viveiros e elevou os riscos de redução do oxigênio dissolvido, inversão térmica, transbordamentos e fuga de peixes em estruturas com pouca margem de segurança.

Apesar da turbidez provocada pela chuva, os açudes apresentam boa disponibilidade de água.
Na pesca artesanal, a elevação do nível do Rio Uruguai voltou a prejudicar pescadores de Porto Vera Cruz e de outras localidades da região de Santa Rosa. A maior parte dos profissionais retirou redes e demais equipamentos da água e mantém as embarcações nas margens para reduzir o risco de perdas.


 

 

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