USDA: Importações anuais de soja da China devem chegar a 112,3 milhões de toneladas em uma década

Publicado em 18/02/2014 15:20 e atualizado em 05/03/2020 18:56 9696 exibições
Relatório do USDA (baseline) aponta Brasil como o principal exportador de soja até 2024, contribuindo com 66,5 milhões de toneladas

A demanda mundial por soja deve continuar aumentando ao longo da próxima década e a China continuará sendo o principal importador mundial, atingindo um volume anual de importação de 112,3 milhões de toneladas em 2024. O volume representa quase o dobro das importações do país no atual ano comercial, que devem encerrar com 69 milhões de toneladas. Neste cenário, o Brasil aparece como o principal exportador da oleaginosa, contribuindo com mais da metade de todo o volume comprado no mundo.    

É o que indica o relatório de projeções de longo prazo para a produção e demanda mundial por produtos agrícolas divulgado este mês pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), também conhecido como baseline, que traz estimativas de exportação e importação dos principais produtos agropecuários em cada país. O departamento considerou projeções para o crescimento populacional, demanda por petróleo e variações do dólar, além de tendências climáticas e tendências de produtividade. 

Em 2024, as importações mundiais de soja devem chegar a 151,7 milhões de toneladas. O Brasil é colocado como o principal exportador mundial, com 66,5 milhões de toneladas, seguido dos Estados Unidos, que devem colaborar com 48,7 milhões de toneladas. Em terceiro lugar, aparece a Argentina com 16,3 milhões de toneladas anuais. (Veja tabela com os volumes de importação e exportação projetados para cada país, no final da matéria).

O relatório foi analisado pelo consultor Liones Severo, que postou um artigo no site do SIMConsult, onde alerta para um novo ciclo de preços para as commodities agrícola com base nas projeções do USDA. “Quanto aos preços da soja e do milho, somente podemos esperar avanços para novos patamares. A escassez de soja nos Estados Unidos é um fato consumado com déficit de 2.0 milhões de toneladas que venderam a maior para exportação. Os preços da soja e do farelo de soja na China batem recordes todos os dias, indicando que estão tentando conter o consumo com preços de racionamento, embora tenham comprado cerca de 28 milhões de toneladas de soja norte-americana, ou seja, 72% de toda a soja exportada e, das quais faltam embarcar apenas cerca de 5,0 milhões de toneladas, quantidade esta que deverá ser concluída durante o mês de março próximo”.

Uso e exportações de soja
De acordo com as projeções do USDA, a área plantada com soja nos Estados Unidos deve se manter em 31 milhões de hectares (78 milhões de acres) durante a maior parte do período da projeção. O aumento do uso doméstico e da demanda por exportação da oleaginosa deve levar a um aumento dos preços, permitindo que a soja passe a competir como milho por área arável.

Segundo Liones Severo, esta limitação de área disponível para o plantio já pode ser observada nos EUA. “As projeções das produções e consumo de produtos agrícolas para os próximos 10 anos mostram claramente que somente o Brasil tem potencial de expandir suas produções agrícolas a níveis de escala. Em compensação, traz projeções de ingresso de demanda para novas populações, como uma grande expansão de consumo para o sudeste Asiático, norte da África, África Subsaariana e Oriente Médio”. 

O Departamento também informa que, embora as exportações de soja dos Estados Unidos tenham previsão de aumentar, a competição do país com a América do Sul deve levar a uma redução em sua participação mundial no comércio de soja, caindo de 38% em 2013/14 para 32% em 2023-24. 

Importações de soja - por país / milhões de toneladas:

Grafico 6

Exportações de soja - por país / milhões de toneladas:

Grafico 7

Farelo e óleo de soja 
As exportações norte-americanas de óleo e farelo de soja também devem enfrentar forte competição da América do Sul. A Argentina continuará sendo um exportador competitivo, já que seu sistema tributário favorece a exportação dos derivados, em detrimento da soja in natura. O país sul-americano deve responder por metade das exportações de farelo de soja na próxima década, enquanto o Brasil deve se manter como o segundo maior exportador.

O aumento da produção e consumo de biodiesel na Argentina, no entanto, deve limitar as exportações de óleo de soja, permitindo que os EUA aumente sua participação entre os exportadores. 

Exportaçoes globais de soja, farelo de soja e óleo de soja:

Grafico 5

Biocombustíveis 
A expansão global da produção de biocombustíveis deve continuar ao longo da próxima década, embora em um ritmo mais lento em relação aos últimos 5 anos. Como resultado, a demanda por matérias-primas para biocombustíveis também deve continuar crescendo a um ritmo mais lento.                

A Argentina e o Brasil continuam sendo os maiores exportadores de biocombustíveis, sendo que a Argentina exportará mais biocombustíveis feitos com óleo de soja e o Brasil contribuirá com mais etanol feito de cana-de-açúcar. O departamento prevê que a União Europeia também continua sendo o maior importador mundial no período projetado.

Crescimento econômico
O USDA também faz uma previsão para o crescimento econômico mundial e mostra que os países em desenvolvimento devem crescer em um ritmo duas vezes maior que o dos países desenvolvidos no período de 2013-2023. 

O aumento da renda nestes países deve levar a um maior consumo de alimentos e produtos agrícolas, além disso, a produção mundial de produtos agropecuários deve crescer em um ritmo mais acelerado que a população global, permitindo um pequeno aumento no consumo médio per capita mundial.

Área plantada com grãos por país
A área global plantada com grãos diversos (milho, cevada, sorgo, centeio, aveia, milheto e grãos variados) soja e algodão deve aumentar em média 0,5% ao ano. As áreas cultiváveis irão crescer com maior velocidade em países que têm uma maior reserva de terra arável e políticas que permitam que os produtores se mantenham. Tais países são: Brasil, Argentina, Ucrânia e Rússia, além de países menores na América Latina e na África Subsaariana. 

Em alguns países, a área plantada poderá até ser reduzida. Mais da metade do crescimento projetado para a produção global de grãos, oleaginosas e algodão se deve a um provável aumento de produtividade.       

O uso per capita de óleos vegetais deve crescer 6,5% nos próximos 10 anos. O consumo de carnes deve aumentar 15% e o de grãos deverá crescer 7%. Por outro lado, o consumo per capita de trigo não deve crescer e o consumo de arroz deve cair 1%.      

Milho: estimativas para demanda e produção
O comércio de grãos e cereais deve aumentar em 25% entre 2014-15 e 2023-24, o que representa um volume de 36 milhões de toneladas. O milho deve registrar o maior crescimento entre os grãos. A expansão da produção de animais para abate em países com produção insuficiente de grãos continua sendo o principal motivo do aumento das importações. Os países com maior crescimento de importação devem ser China, México, África e o Oriente Médio.     

As importações de milho pela China devem registrar um grande aumento e atingir os 22 milhões de toneladas em 2023-24. Atualmente, o gigante asiático importa 7 milhões de toneladas. Este aumento da demanda chinesa por milho, segundo o USDA, deve-se às mudanças estruturais e ao crescimento nos setores de produção de animais, além do aumento de seu uso industrial. (Veja tabela com os volumes de importação e exportação projetados para cada país, no final da matéria).

As importações da África e do Oriente Médio deverão representar 17% do crescimento do comércio mundial de grãos até 2023-24, já que o aumento populacional e o crescimento da renda per capita devem sustentar uma forte demanda por produtos animais. 

As importações do México devem subir de 11 milhões de toneladas em 2014-15 para 15,5 milhões de toneladas em 2023-24. No mesmo período, as importações de sorgo pelo México devem se manter em 2 milhões de toneladas. 

As importações de milho pelos países do sudeste asiático devem aumentar 37% e chegar a 12 milhões de toneladas até 2023-24, também como consequência do aumento da demanda de pecuaristas por alimentos. A região irá responder por 10% do aumento mundial das importações de milho.

Exportações globais de milho:

Grafico 4

Exportações de milho
As exportações de milho dos países do leste Europeu, principalmente da Ucrânia, devem aumentar em 7 milhões de toneladas (38%) para quase 26 milhões de toneladas até 2023-24. Diversos fatores estimulam o aumento de produção de milho naquela região, entre eles uma maior abertura econômica, maior uso de sementes híbridas e maior investimento em agricultura. 

O leste Europeu deve se tornar o segundo maior exportador de milho, ultrapassando a Argentina e o Brasil. 

As exportações de grãos pelos Estados Unidos devem registrar um aumento nos próximos anos, depois de se recuperarem das quedas de produção nos últimos anos, devido às perdas ocasionadas pelo clima.  As exportações de milho pelos EUA devem aumentar para 57 milhões de toneladas até 2023-24. 

No entanto, a participação dos Estados Unidos nas exportações globais do cereal só deve aumentar para 40%, o que ainda está bem abaixo da média de 52% registrada nos últimos 10 anos. 

A produção de milho pela Argentina deve ficar estagnada nos primeiros anos da projeção, devido à provável continuidade dos controles de exportação. 

Milho do Brasil
O USDA destaca que as exportações de milho do Brasil já dobraram nos últimos anos. O cultivo da segunda safra, ou da safrinha, após o cultivo da soja, tem aumentado em estados como o Mato Grosso, devido aos preços mais altos pagos pelo cereal. 

O departamento mostra que a tendência é que exportações brasileiras de milho aumentem quando os portos não estiverem ocupados com soja, já que, atualmente, essas são restringidas por conta dos “altos custos de transporte”. 

A projeção do USDA indica ainda que, a partir e 2016, com a possível melhoria da infraestrutura de transporte, as exportações de milho do país comecem a aumentar. 

Na União Europeia, o uso de milho para a produção de etanol deve aumentar na próxima década, mas em um ritmo bem mais lento. No entanto, o bloco mantém suas exportações de 3 milhões de toneladas, já que usufrui de benefícios como os custos baixos de transporte para regiões como o Norte da África e Oriente Médio. 
 

Veja abaixo as tabelas com as estimativas de importação e exportação de soja e de milho, por país, em milhões de toneladas. Clique nas imagens para expandir.

Soja:

Milho:

Clique aqui para ler o relatório original do USDA
 

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Por:
Fernanda Bellei
Fonte:
Notícias Agrícolas

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2 comentários

  • Mauro Lucio Damiani Santa Bárbara do Sul - RS

    Bela opurtunidade, pena que nossa logistica infelismente não dara suporte a essa expanção da agricultura e mais uma vez veremos outros ganhando dinheiro nas costa dos produtores.O grande Julios Cesar la da Roma antiga, se estivesse vivo, estaria na primeira fila dos estadios de futebool com nossos atuais governantes relembrando os tempos de "Coliseu", pois seu lema "dar de comer ao povo e divertilos", enquanto isso vamos enchendo os bolços!!!!

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  • Gilberto Rodrigues Freitas Mineiros - GO

    Então tá confirmado que ``a vaca sofre de obesidade crônica´´.

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