Os solos do Oeste da Bahia são antigos, frágeis...mas muito produtivos

Publicado em 02/05/2018 15:16 e atualizado em 05/05/2018 20:04
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Reportagem - Agricultores do Oeste da Bahia transformaram 2,5 milhão de hectares de terras fracas do planalto Urucuia na maior área produtiva do Planeta

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No Oeste da Bahia, as chuvas demoraram a chegar. Mas, quando estas vieram, "parecia que o mundo estava acabando". Contudo, costuma ser assim: passada a tormenta, tudo volta ao normal nessa região.

Desta forma, a safra seguiu com alto desenvolvimento e boa produtividade. O segredo está, portanto, nos cuidados com o solo e na água da chuva. A água entra no lençol freático que está nas lavouras e ressurge no nível de base do solo, fazendo a renovação hídrica.

Mesmo em uma região de terras frágeis, areia fina e solo antigo, datado de milhares de anos, os 2,5 milhões de hectares do planalto Urucuia se transformam em uma das áreas mais produtivdas do planeta.

Assista a reportagem completa no vídeo acima

Pedro Freitas Embrapa Solos comenta:
Nesta última matéria da série "Construtores de solos no Oeste da Bahia" muito se falou de RECARGA DO AQUÍFERO no Oeste da Bahia -- ali são dois ambientes bem distintos: a formação Urucuia, um sedimento formado entre 130 e 65 milhões de anos, onde predominam solos de textura leve, e o Bambuí, essa grande formação calcária que se estende por uma grande área, que já foi fundo de mar com mais de 800 milhões de anos. 
Nossa preocupação maior são os solos de textura superficial arenosa onde temos hoje mais de 2,5 milhões de ha de soja, milho, algodão, frutas, café etc., em sequeiro ou irrigado (~12000 ha) e com o aquífero Urucuia, que tem várias camadas.  A mais superficial é a responsável pela manutenção das nascentes.
Mas, como fazer para garantir a recarga de água desse aquífero e garantir assim nascentes e rios perenes, sem perder água para o são Francisco e para o mar?
Uma série de recomendações vieram do CONIRD realizado em 2015:
Toda a ocupação  (agrícola, não agrícola e urbana) deve contemplar procedimentos no sentido de transformá-la em uma área importante para recarga (o tempo de resposta à utilização de técnicas conservacionistas é de 4 a 6 anos).
 - recarga do aquífero depende da capacidade de infiltração de água no solo que por sua vez depende de uma decisão gerencial do produtor no sentido de adotar práticas mecânicas e  vegetativas de conservação e manejo do solo incluindo terraceamento, adoção de Plantio Direto de Qualidade, construção e manutenção de estradas vicinais (bacias de contenção), barragens de contenção de água e outras práticas >
a construção de perfil de solo é fundamental.
 - terraceamento, mesmo em áreas praticamente planas e com alta infiltração, é importante e obrigatório.
 - conservação/recuperação de veredas, conforme o Código Florestal, para grandes e pequenas propriedades, extensivo para áreas urbanas.
 - implementação do programa “Produtor de Água” da ANA e de outros programas programas de pagamento de serviços ecossistêmicos para conservação do solo e da água – implantar uma comissão em cada uma das principais bacias (Ondas, São Desiderio, Branco, Femeas etc.).
Pedro Freitas Embrapa Solos complementa:: Você concorda com essas recomendações?  Queremos ouvir seus comentários, como um construtor de solos, a respeito.
Comentário de Ingbert:
"Perfeito Pedro.
Lembrando que quando você fala em "extensivo" a ... aí a coisa vai pegar porque para todos os efeitos a agropecuária destrói, consome e degrada sozinha o que não é verdade.
Aí vamos ter dois gargalos básicos:
1) Terraceamento não é muito bem aceito na região por grande maioria dos Produtores e principalmente por alguns Gerentes. Isto é um fato e uma realidade a ser trabalhada conscientizando todos os envolvidos dos benefícios disso mas, principalmente, a necessidade e aí ir ajustando o  operacional.
2) Barramento (não só a reservação, mas também  a ocupação do nível de cheia das veredas) de modo a retardar o dreno das águas superficiais sejam Elas da chuva ou em alguns pontos de dreno do aqüífero. Vai haver a grita de ambientalistas e os contrários ao desenvolvimento da agropecuária, aqueles que querem assistir ao Rio "passar" e suas águas  irem a se  "salgar" (desaguar no Mar)".
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Por: João Batista Olivi
Fonte: Notícias Agrícolas

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